Darkday / Flickr
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Como a crise afeta a segurança das pequenas empresas

Pesquisa da IDC Brasil diz que, em 2016, 14% das empresas reduziram seus investimentos em segurança digital

Valdir Ribeiro Jr., Especial para O Estado de S. Paulo

26 de abril de 2017 | 05h00

Segundo pesquisa realizada pela IDC Brasil, empresa de consultoria em tecnologia da informação, a crise econômica atual fez com que mais empresas brasileiras diminuíssem os investimentos em segurança digital no último ano. Das 110 empresas que responderam ao estudo, 14% delas reduziram os recursos para proteção em 2016. Em 2015, esse número foi de 10%.

O mesmo estudo também mostra uma queda significativa no número de empresas que aumentaram seus orçamentos para a área de segurança digital. Enquanto em 2015, 63% delas ampliaram o investimento na proteção virtual, em 2016 esse número caiu para 42%. "A crise afeta diretamente a segurança digital das empresas, e nós percebemos que a influência é ainda mais forte nas pequenas e médias, que têm recursos limitados e são mais sensíveis às flutuações do mercado”, afirma Luciano Ramos, gerente de pesquisa e consultoria de software e serviços da IDC.

A segurança digital é um dos primeiros itens a receber cortes quando há um mal-estar na economia, mas isso deve ser feito de maneira inteligente. Ramos explica que, quando as empresas optam por diminuir as ferramentas de segurança, elas decidem manter apenas os serviços que consideram mínimos, como antivírus, que detecta a presença de softwares maliciosos no computador; certificados digitais, que garantem a identidade do servidor e a segurança das informações trafegadas na rede; e o firewall, que é, basicamente, um conjunto de regras que determina qual tipo de informação pode ser transmitida ou recebida. Só que essas opções são muito básicas e, no fim, não garantem muita proteção.

“Elas só fazem sentido se estiverem integradas com outras ferramentas. Não adianta se preocupar em manter fortificado apenas um lado do muro que protege a empresa, enquanto o outro lado fica exposto. E isso é ainda mais preocupante por estarmos no Brasil, onde existe um volume enorme de ataques”, diz.

Rodrigo Fragola, presidente da Aker Secutiry, empresa que presta serviços no setor, alerta para o olhar que o empreendedor deve ter sobre o tema: “Mesmo com menos recursos, a empresa não pode deixar de investir nessa área. É preciso estudar as opções e fazer novas escolhas, mas não se pode fragilizar a segurança. Isso porque, hoje, todo negócio precisa estar online. E a segurança digital, portanto, não é só mais um setor da empresa. Ela faz parte do negócio”.

Para Fragola, a maior preocupação, nesses casos, é o tempo que a empresa pode ficar sem investir em sua proteção virtual. Segundo ele, a partir de um ano sem atualizações, as defesas se tornam ineficientes e os riscos aumentam. “Um antivírus desatualizado por três anos, por exemplo, não serve para nada. E é por esse motivo que estamos preocupados com 2017. Trabalho há 20 anos com segurança digital e já passei por quatro crises, mas essa é a que tem causado mais estragos. Na crise de 2008, por exemplo, o mercado já estava recuperado no final de 2009. Só que a crise de agora tem se estendido muito, e se as ferramentas ficam muito tempo desatualizadas, a empresa fica desprotegida.”

Oportunidades

Se por um lado a crise diminui os recursos disponíveis para a empresa investir em segurança, por outro ela representa uma boa oportunidade para o empreendedor estudar o mercado e verificar soluções com melhor custo benefício.

Um forma de fazer isso é avaliar as camadas de serviço que o produto oferece. Na hora de escolher um antivírus, por exemplo, é comum conseguir o programa de graça, mas sem o suporte de atendimento. Isso significa que, se o programa parar de funcionar, o empreendedor não terá nenhum apoio da fornecedora do antivírus. Portanto, talvez seja interessante para a empresa gastar um pouco mais para ter o atendimento. Por outro lado, a versão completa de proteção, que é sempre muito mais cara, pode não ser interessante para um negócio pequeno. “Existe uma infinidade de produtos e serviços que podem ser comprados e é preciso estudar as opções do mercado. Na dúvida, a dica é procurar por uma empresa de consultoria em segurança”, diz Ramos.

Outra opção para reduzir custos pode estar na terceirização de parte da estrutura da empresa. “Quando o empreendedor escolhe não contratar um profissional de tecnologia da informação, a relação de custos fica mais interessante, pois a maioria das empresas que prestam serviços digitais são mais especializadas e seguem elevados padrões de segurança”, diz Ramos. Mas, segundo o especialista, é preciso ficar atento às consequências dessa escolha, pois, caso o empreendedor opte por terceirizar um serviço, ele deve entender que a responsabilidade legal pela segurança ainda será dele. “Terceirizar a segurança não é se livrar da responsabilidade legal”, afirma.

Um exemplo de serviço terceirizado é oferecido pela Locaweb, uma das maiores companhias de hospedagem de dados do Brasil. Em vez de uma empresa ter seu servidor próprio, ela pode optar pelo armazenamento de dados nos servidores da Locaweb. Com isso, o empreendedor passa a ter acesso a um sistema de segurança mais completo, que dificilmente ele conseguiria pagar sozinho. “Aqui na Locaweb, por exemplo, um dos nossos sistemas de segurança custa cerca de US$ 1 milhão. Não é qualquer empresa que pode investir isso, mas como nós usamos esse aparelho para armazenar as informações de mais de 300 mil clientes, acabamos diluindo o custo e garantindo mais segurança a todos”, afirma Luis Carlos dos Anjos, gerente de marketing institucional da empresa.

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