Taba Benedicto/Estadão
Taba Benedicto/Estadão

Comércio puxa índice de confiança dos pequenos negócios em fevereiro

Setor foi o único que registrou aumento de confiança em sondagem do Sebrae em parceria com a FGV; expectativa de curto prazo justifica dados, mas há cautela por incertezas do momento

Redação, O Estado de S.Paulo

11 de março de 2022 | 13h13

A queda de confiança por parte dos pequenos negócios registrada em janeiro se manteve estável no mês passado, tendo um leve aumento de 0,4 pontos e ficando no patamar total de 90 pontos. É o que mostra a nova sondagem de micro e pequenas empresas realizada pelo Sebrae em parceria com a Fundação Getúlio Vargas (FGV).

O resultado justifica-se por uma melhora das expectativas de curto prazo, em especial no setor de comércio, cuja confiança subiu 3,9 pontos. O Índice de Confiança de Micro e Pequenas Empresas (IC-MPE) mostra que os setores de serviços e indústria de transformação foram menos otimistas quanto às perspectivas futuras. Esse ramos tiveram queda de confiança de 1,4 ponto e 2,6 pontos, respectivamente.

Já o Índice de Expectativa das MPE (IE-MPE) avançou 1,8 ponto e ficou em 93,3 pontos, após sofrer uma perda de 6 pontos em janeiro, mantendo-se abaixo do nível de neutralidade há cinco meses. Neste caso, a melhora foi influenciada pelas boas perspectivas sobre o volume da demanda nos próximos três meses, que subiu 1,2 ponto - essa avaliação tinha caído 9 pontos no primeiro mês do ano.

"Os empresários do comércio veem 2022 como um ano com grandes desafios devido à pandemia, às incertezas associadas às eleições, pressão de custos e crise internacional, e ajustaram suas expectativas para melhor, apenas para o período com maior visibilidade, que são os próximos dois a três meses", comenta, em nota, Carlos Melles, presidente do Sebrae.

Comércio mais otimista

Com melhor perspectiva futura, mesmo que no curto prazo, a confiança dos micro e pequenos empreendedores do comércio recuperou 34% das perdas sofridas nos últimos três meses. O índice totalizou 85,4 pontos, o maior nível desde novembro de 2021, quando era de 87,3 pontos. Quando ao índice de expectativas do setor, o valor somou 10,1 pontos e cresceu para 94,2 pontos, maior nível desde fevereiro de 2021, que era 94,5 pontos.

Os dois quesitos que compõem o índice tiveram alta: o que mede a tendência dos negócios para os próximos seis meses subiu 10,7 pontos e o volume de vendas previstas para os próximos três meses subiu 9,1 pontos. O incremento das perspectivas ocorreu em todos os segmentos e em quase todas as regiões do Brasil.

Porém, a sondagem destaca que é preciso cautela diante da probabilidade de aumento da incerteza no curto prazo. O presidente do Sebrae observa que "a retomada dos pagamentos do Auxílio Brasil, programa que substituiu o Bolsa Família, está contribuindo, agora, para melhorar as expectativas de curtíssimo prazo das MPE do comércio". 

Serviços e indústria com menor confiança

O índice de confiança das MPEs do setor de serviços caiu pelo quarto mês consecutivo e ficou com 89,4 pontos, menor nível desde maio de 2021 (87,3 pontos). O relatório avalia que essa queda se deve a uma piora das avaliações sobre o momento e às expectativas de curto prazo. Em caminho semelhante, a confiança da indústria cedeu pelo segundo mês consecutivo e chegou a 94,4 pontos, menor nível desde junho de 2020 (75,5 pontos).

Acesso a crédito

O levantamento também avaliou o grau de exigência para concessão ou renovação de empréstimos bancários às micro e pequenas empresas e mostra que está cada vez mais difícil. Em fevereiro de 2020, o índice era de 101,8 pontos e, em fevereiro de 2022, caiu para 96,7 pontos. Quanto  menor o índice, maior a exigência.

Serviços é o setor com mais dificuldade para obter crédito junto aos bancos, com um indicador 17,8 pontos abaixo do período pré-pandemia. Em segundo lugar, vem o comércio, em que a diferença é praticamente a metade do observado no setor de serviços. A exceção continua sendo o setor da indústria de transformação, que está 6,2 pontos acima de fevereiro de 2020.

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