Clayton de Souza/Estadão
Clayton de Souza/Estadão

Comerciantes desapropriados em Itaquera vão à Justiça em busca de indenizações

Grupo está instalado no caminho das obras do Itaquerão

Renato Jakitas, Estadão PME,

31 de outubro de 2013 | 06h49

Um grupo de 28 comerciantes que estão no caminho das obras do Itaquerão promete entrar na Justiça para pleitear o pagamento de indenização em um processo de desapropriação previsto para até o final do ano. Eles são locatários de pontos comerciais entre as ruas Lagoa Salgada e Doutor Aurelino Barreiros. Os imóveis já foram solicitados pela Prefeitura para a construção de uma alça de acesso ligando a Avenida Jacu-Pêssego ao centro do bairro.

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“Eles já pagaram a indenização para os donos dos imóveis. Mas nós, os comerciantes, todos locatários, não recebemos nada. E como é que a gente vai recomeçar nossa vida assim?”, pergunta o cabeleireiro Uide Barbosa, que ocupa um ponto na Lagoa Salgada há 20 anos.

Bruno Bessa, dono de uma loja de produtos para limpeza vizinha ao salão de Uide Barbosa conta que o principal problema, além da perda do ponto, é o valor cobrado por novos imóveis no bairro, inflacionado desde o anúncio da chegada do estádio. “O preço é inviável. Pago R$ 3 mil em minha loja e me cobraram, por um ponto que considero pior, R$ 10 mil de aluguel e luvas de R$ 150 mil.”

O caso de Elisabeth Barros da Silva é um pouco diferente. Há 30 anos ela mantem uma casa de ração para animais na rua Doutor Aurelino Barreiros. O ponto é próprio e a Prefeitura ofereceu R$ 140 mil de indenização pela desapropriação. A comerciante não aceitou a proposta. “Minha loja vale muito mais que isso, pelo menos R$ 1 milhão”, diz a empresária, que já entrou com uma ação para tentar ampliar os valores.

Análise. Responsável pelos processos de desapropriação, a vice-prefeita Nádia Campeão, também coordenadora do Comitê Integrado de Gestão Governamental Especial para a Copa do Mundo (SPCopa), diz que entende as reclamações dos comerciantes. Ela, porém, diz que a Prefeitura não dispõe de meios legais para encaminhar uma solução amigável. A situação será resolvida na Justiça.

“A Prefeitura apresenta um valor de referência. Mas o juiz designa um perito e determina o valor. Sobre os alugueis, é possível ter uma verba indenizatória. Mas eles precisam entrar com uma ação dizendo, ‘olha, sou parte disso aí também’.”

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