ANDRE DUSEK/AE
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Com oscilação do dólar, pequena empresa deve rever planejamento

Moeda barata é oportunidade para investir em equipamentos e melhorar produtividade

Carolina Dall'Olio, do Estadão PME,

27 de julho de 2011 | 18h32

Para os pequenos e médios negócios, as variações da cotação do dólar têm impacto maior nas contas da empresa. Qualquer pequena oscilação faz grande diferença nos custos de negócios desse porte, em especial nos casos de importadores e exportadores. Por isso, os empreendedores devem prestar especial atenção ao comportamento da moeda americana nesta semana e rever, se necessário, seu planejamento. É possível aproveitar o dólar barato, por exemplo, para comprar equipamentos importados que melhorem a produtividade da empresa, indicam especialistas. 

Depois de o dólar fechar a terça-feira, 26, cotado a R$ 1,536, no menor patamar desde janeiro de 1999, o governo editou medidas para tentar punir quem aposta na queda do dólar, explicou o Ministro da Fazenda, Guido Mantega. O mercado respondeu. A moeda teve alta de 1,5%, e fechou o dia cotada a R$ 1,559. Mas não convém se iludir. Alguns dos fatores que pressionam a cotação do dólar para baixo se mantêm inalterados. A entrada de investimentos estrangeiros diretos segue batendo recordes, a balança comercial permanece positiva e os altos juros que atraem capital especulativo não devem ser reduzidos em breve. 

“Por isso, o empresário pode imaginar que a cotação da moeda não vá subir muito. Apenas deve deixar de cair”, analisa José Carlos Luxo, professor do Programa de Capacitação da Empresa em Desenvolvimento (Proced), da FIA. Diante dessa perspectiva, há algumas decisões que o empresário pode tomar para melhorar o desempenho do seu negócio:

Investimentos. O dólar baixo favorece a compra de máquinas e equipamentos importados, que podem ajudar a empresa a aumentar sua produtividade. Comprar máquinas que acelerem a produção, reduzam custos ou permitam inovações é um dos investimentos mais indicados para pequenas e médias empresas no momento.

Importados. Indústrias que utilizam matérias-primas importadas em sua produção ou empresas de bens e serviços que comercializam produtos estrangeiros devem aproveitar o momento para reforçar seus estoques. “O governo não deve permitir que a cotação fique ainda mais baixa do que está”, indica Luxo. “Por isso, quem fizer compras agora se beneficiará de uma boa cotação.”

Vendas externas. É tempo de os exportadores repensarem sua estratégia. Os mercados europeu e americano não dão sinais de que sairão da crise tão cedo. Em contrapartida, o Brasil tem atraído investimentos do mundo todo justamente porque comprova que pode crescer de forma sustentável pelos próximos cinco anos. Por isso, a recomendação é apostar no mercado interno para não se tornar refém da crise externa e da desvalorização do dólar. “As pequenas empresas exportadoras que não tiverem um produto inovador terão sérias dificuldades de manter as vendas daqui em diante”, avisa Luxo.

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