Wilson Pedrosa/AE
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Com economia em marcha lenta, empresas devem rever planejamento

Estagnação da economia no terceiro trimestre e previsão de crescimento moderado em 2012 pede que empresas revejam seus planos

Carolina Dall'Olio, do Estadão PME,

07 de dezembro de 2011 | 06h08

Os dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) comprovam que a crise econômica internacional já provoca efeitos negativos na economia brasileira. O Produto Interno Bruto (PIB) nacional estacionou no terceiro trimestre de 2011, com desaceleração em todas as atividades da economia ­- exceto a agropecuária, que registrou aumento de 3,2%.

Até o setor de serviços, que se mostrava um dos principais motores do crescimento, apresentou retração de 0,3% no período. "Anteriormente, o crescimento da economia estava sendo puxado pelo setor de serviços. Este terceiro trimestre foi puxado mais pela agropecuária", destacou a gerente da Coordenação de Contas Nacionais do IBGE, Rebeca Palis. 

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O resultado fez muitos analistas reverem para baixo as previsões de expansão da economia em 2011. As projeções, que antes davam conta de um crescimento superior a 3,5% no ano, agora estimam alta de 3%. E com esforço.

A consultoria Tendências avalia que o crescimento em 2011 será inferior a 3% neste ano. Já a agência de classificação de risco Austin Ratings cortou a sua projeção para o PIB do País de 3,6% para 3%. A corretora de valores Icap Brasil diz que ainda precisa refazer os cálculos, mas já dá como certo crescimento inferior a 3,1%.

O desempenho da economia em 2012 também já é analisado com mais ceticismo. Por tudo isso, as pequenas e médias empresas devem ajustar seu planejamento para o novo cenário. Confira a seguir algumas dicas sobre como agir:

Crédito

O momento não é bom para tomar crédito, ainda que o propósito seja usar os recursos para investir no crescimento da empresa. Segundo analistas, não é recomendável se endividar agora, já que a demanda pode continuar estagnada ou até mesmo cair. Além disso, os juros devem ficar mais baixos em breve. Por isso, o melhor é esperar.

 “Devido ao desaquecimento do PIB, é possível esperar mais medidas fiscais por parte do governo para tentar estimular o nível de atividade, especialmente relacionadas ao avanço do crédito", afirma a economista da Tendências, Alessandra Ribeiro. "Nessa conjuntura, é bem provável que a taxa básica de juros (Selic) atinja um dígito no próximo ano, chegando a 9,5% em abril", disse.

Mão de obra

Em média, 25% dos trabalhadores temporários recrutados para as vendas de fim de ano são efetivados ao término do contrato, informa a Associação Brasileira das Empresas de Serviços Terceirizáveis e de Trabalho Temporário (Asserttem). Em tempos de falta de mão de obra no mercado, é comum que esse número aumente. Porém, diante das incertezas em relação ao desempenho da economia em 2012, uma alternativa é prorrogar o contrato de trabalho em vez de efetuar a contrataçãologo no início do ano.

O trabalho temporário é regido pela Lei 6.019, de 3 de janeiro de 1974, e pelo Decreto 73.841, de 13 de março de 1974. O contrato temporário pode durar, no máximo, três meses. Ao fim desse período, a empresa pode prorrogar a permanência do funcionário por mais três meses. Para isso, porém, terá de obter autorização do Ministério do Trabalho.

Estoque

O consumo das famílias perdeu força. No terceiro trimestre de 2001, a alta foi de apenas 2,8% - nos cinco trimestres anteriores, a taxa de crescimento era sempre superior a 5%. “Este é o item do PIB que deve ser acompanhado de perto por pequenas e médias empresas “, recomenda Bruno Caetano, superintendente do Sebrae-SP. Com a redução da demanda, o empresário deve ser mais conservador na formação de estoque, em especial ao comprar itens sazonais.

Caetano ressalta que embora o País não corra grandes riscos de entrar em uma recessão como em países da Europa, os empresários  devem ficar atentos ao mercado e manter sempre um planejamento:  “Não há atalho para fugir da crise. O empresário deve estar sempre preparado, em especial nesse momento”.

Governo

O governo tratou de amenizar os dados divulgados ontem pelo IBGE. Para o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, "a economia brasileira se encontra em um ciclo sustentado de expansão". Em nota, Tombini ressalta que, apesar da estabilidade na comparação com o 2º trimestre, houve expansão de 3,7% nos últimos quatro trimestres e que esse desempenho é "consistente com o cenário de convergência da inflação para a meta em 2012".

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