Hélvio Romero/Estadão
Hélvio Romero/Estadão

Com dinheiro e oportunidades, setor de startups exige trabalho e foco de empreendedor

Empresários e especialistas debateram os rumos do segmento em evento realizado hoje, em São Paulo

Estadão PME,

23 de abril de 2014 | 10h21

Ao apontar seu interesse para o mercado de startups, o empresário brasileiro vai encontrar um ambiente propício ao investimento. Há dinheiro, investidores e, sobretudo, demanda de consumidores por produtos tecnológicos. Mas para alcançar o sucesso é importante foco e um trabalho de retaguarda muito bem definido.

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De uma forma geral, essa é conclusão a que chegaram os participantes do Encontro PME, que aconteceu na manhã de hoje em São Paulo.  Em sua oitava edição, o evento reuniu empresários, especialistas e uma platéia de leitores do Estadão para discutir o mercado brasileiro de startups, que é como se convencionou chamar as empresas enxutas de viés tecnológico e com grande ambição de crescimento. Além de contar as histórias de quem alcançou o sucesso, o encontro também debateu estratégias de atuação com base em erros e acertos dos empreendedores.

Abriram o evento os empresários Danilo Toledo, da Taqtile, e Tallis Gomes, do aplicativo Easy Taxi. Eles relembraram sua experiência no comandos de negócios distintos, mas que em comum compartilham do bem resultado financeiro e da aposta no segmento de aplicativos, um nicho com grande procura por parte de jovens empreendedores.

 

"Esse segmento (de startups) está caminhando para um amadurecimento em seu ecossistema. Têm mais pessoas querendo investir na área e, ao mesmo tempo, mais eventos acontecendo no setor", acredita Tallis, fundador do Easy Taxi, programa de agendamento de táxis com cinco milhões de usuários cadastrados.

"O futuro para mim é hoje, é o presente. O empresário que começa no mercado tem de olhar para o que tem de ferramentas, de soluções criadas para os problemas dos outros", indica Danilo Toledo, sócio de uma das produtoras brasileiras de aplicativos de maior sucesso pelo mundo - entre outros projetos, ele desenvolveu o programa que transmitiu o casamento de Kate Middleton com o príncipe William, da família real britânica, para celulares da operadora AT&T.

No sequência, o evento abriu espaço para três especialistas em preparação de startups: Marcio Brito, coordenador da área de startups do Sebrae, Pedro Waengertner, sócio da aceleradora de empreendimento Aceleratech e Sergio Risola, diretor executivo do Centro de Inovação. Empreendedorismo e Tecnologia (Cietec), da USP. O trio focou atenção no que consideram pontos fracos e fortes do empreendedor brasileiro.

"Uma coisa que o empreendedor não pode achar é que ele é Deus, que vai fazer tudo sozinho", afirmou Sergio Risola, uma opinião aprovada pelos colegas, que ressaltaram as qualidades do novo empresário. "O jovem de hoje cresce querendo empreender. É uma coisa mais passional, mais dinâmica", destacou Marcio Brito, do Sebrae. "Antes a gente via muito aplicativo para balada. Hoje, não, o empresário está pensando em resolver problemas dos consumidores", reforçou Pedro Waengertner.

A fase de captação de recursos, um momento crítico apontado pelos empresários do ramo, foi analisada por Rodrigo Menezes, da Abvcap, Marcelo Pimenta, professor da ESPM, Gustavo Caetano, sócio da Samba Tech e presidente da Associação Brasileira de Startups, a ABStartups.

Em suma, os três concordaram em um ponto: embora lucrativa, startup não é um atalho para quem deseja ficar rico. "Parece que passaram um verniz nesse negócio para mostrar que startup é um meio de se deixar rico. Isso não é verdade. Tem de ralar sola de sapato", alerta Marcelo Pimenta. "Tem mais dinheiro nesse mercado do que bons projetos. Mas para conseguir um investidor, é preciso provar a empresa", diz Rodrigo Menezes.

O último bloco foi dedicado aos empresários consolidados. Para tanto, o evento reuniu José Efromovich, presidente da companhia aérea Avianca, Bento Koike, fundador da Tecsis, que fabrica pás para turbinas eólicas, e Raphael Klein, da família que fundou as Casas Bahia e, atualmente, no comando da ROIx, que afere a audiência de campanhas publicitárias.

Bento Koike puxou a fila ao dizer que o importante, quando o assunto é performance em empreendedorismo, jamais desistir de uma ideia. "O momento difícil é o que você não pode abandonar o barco. Desistir nunca foi uma opção. É nesse momento que você encontra a oportunidade", reflete o empresário. "A satisfação de resolver um problema é tão grande que não vale a pena dizer não.  (Ao enfrentar a situação) tem todo o prazer da solução", observa Efromovich.

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