Conceito&Arte/Aivan Moura
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Programa da Coca-Cola vai capacitar mais de 300 mil pequenos negócios de alimentos

Empresa vai investir R$ 200 milhões em nova etapa do projeto 'Coca-Cola dá um gás no seu negócio', que oferece treinamentos para a base de clientes empreendedores do ramo alimentício

Ludimila Honorato, O Estado de S.Paulo

03 de agosto de 2022 | 09h43

O potencial de impacto e escala dos pequenos negócios é um dos atrativos para que grandes companhias invistam nesse porte de empresa. Similar aos gigantes do marketplace, como Amazon e Magalu, que atraem empreendedores menores com formalização e apoio logístico, a Coca-Cola Brasil anunciou na terça-feira, 2, a nova fase do serviço de capacitação e desenvolvimento de pequenas empresas do varejo alimentício.

Com a plataforma ‘Coca-Cola dá um gás no seu negócio', a empresa visa acelerar a base de clientes já existente. A previsão é impactar 300 mil negócios. “Mas até o empreendedor que não trabalha no setor de alimentos e bebidas vai ter acesso a (cursos de) atendimento ao cliente, plano de marketing, mídia social, os workshops que faz nas comunidades”, explica o vice-presidente de operações da companhia, Pedro Massa, em entrevista ao Estadão.

A investida não é meramente filantrópica. Em parte, a iniciativa está ligada a políticas ambientais, sociais e de governança, os princípios ESG, que vêm sendo cada vez mais demandados pelo mercado. Em outro patamar, está a lógica do negócio, de fazê-lo funcionar de ponta a ponta.

“Hoje, o negócio Coca-Cola está ancorado a 1 milhão de pontos de venda. A gente não consegue ter um negócio forte e sólido se não tiver também uma cadeia produtiva forte e sólida", diz Massa. Segundo ele, desse total, há desde grandes redes supermercadistas até pequenas mercearias, bares e restaurantes.

Esses, por sinal, foram um dos mais impactados pela pandemia, sendo fechados devido às medidas de distanciamento social. Neste ponto, também se justifica o olhar das ações para o segmento. O gerente adjunto de competitividade do Sebrae, Carlos Eduardo Pinto Santiago, afirmou, durante o evento de lançamento da iniciativa, que o Brasil tem cerca de 20 milhões de CNPJ ativos, sendo que o varejo de alimentos e serviços de alimentação representam 2,8 milhões.

“Isso mostra o nosso desafio de preparar, capacitar, treinar e estar junto desse empreendedor para que ele adote práticas sustentáveis e competitivas”, disse. O presidente executivo da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), Paulo Solmucci, acrescentou que o setor segue “relativamente abandonado” e que muitas empresas ainda operam no prejuízo. No entanto, a expectativa é fechar o ano com 5% de crescimento real, mesmo enfrentando inflação de dois dígitos.

Tanto o Sebrae quanto a Abrasel são parceiros da Coca-Cola na elaboração dos conteúdos da plataforma, que conecta o empreendedor a cursos de gestão, finanças e marketing digital para negócios de alimentos, por exemplo. Novos temas serão incluídos periodicamente, como o de economia circular e gestão de resíduos, fundamentais para manter a política ESG ativa.

O VP de operações da companhia lembra que o valor de R$ 200 milhões investidos nessa nova etapa do projeto destina-se não só à capacitação e treinamentos da base de clientes como a eventuais necessidades físicas do negócio, como reforma e aquisição de equipamentos. “É um pacote de benefícios. A gente está agregando essa funcionalidade para ajudar o empreendedor a vender mais qualquer categoria, porque esse é um programa para desenvolver o pequeno varejo.”

Apoio a mulheres empreendedoras

As ações da Coca-Cola Brasil incluem dois projetos voltados ao empreendedorismo feminino, com a previsão de alcançar mais de 4,1 mil mulheres no período de um ano. Um deles é o Empreenda Como uma Mulher, uma parceria entre Sebrae e Coca-Cola FEMSA, que oferece mentoria para desenvolver negócios liderados por mulheres.

O segundo é o Meu Negócio é Meu País, que vai ocorrer em Salvador, na Bahia, em parceria com o SOLAR Coca-Cola e a marca Kuat. Nesse caso, o objetivo é acelerar empreendimentos de mulheres que atuam com comidas regionais. Na primeira seleção, 630 empreendedoras vão receber capacitação via WhatsApp com foco em educação financeira, divulgação e delivery.

Dessas, 60 passam para a próxima fase, em que terão de apresentar o negócio e o plano de utilização do recurso. Por fim, 30 selecionadas receberão assessorias individuais, além de R$ 3 mil para investir na melhoria da empresa. As inscrições vão até o dia 21 de agosto neste link.

O valor do conhecimento

Para disseminar a iniciativa e a importância de capacitar pequenos empreendedores do ramo, a Coca-Cola aposta num trio de embaixadores já conhecidos do público. A chef Katia Barbosa e o cozinheiro e apresentador João Batista, ambos do reality show Mestre do Sabor.

A terceira componente é Carmem Virgínia, chef pernambucana, pesquisadora e influenciadora digital que também é jurada no programa Cozinheiros em Ação, da GNT. Proprietária dos restaurantes Altar Cozinha Ancestral, em Recife, e do Yayá, no Rio de Janeiro, ela diz que precisou buscar conhecimento para não fechar o Altar já no primeiro ano de funcionamento.

“Precisei saber que o apurado não é lucro, que o que entra não me pertence, ele tem de voltar para ele mesmo e que eu devo tirar um pouco de tudo e reservar para o tempo que não tiver e poder cobrir”, ela diz sobre os desafios.

“Eu cursei gastronomia, mas como a minha veia sempre foi a cozinha, naturalmente eu fui para a cozinha. Eu entendia um pouco de gestão, não o bastante, tive dificuldades, até porque eu achava que essa parte de gestão não era tão necessária assim. Achei que só um bom prato, uma boa comida ia ser incrível”, relata. Logo com seis meses de negócio, a empreendedora percebeu que precisava de mais recursos para recomeçar.

“Eu fiz (cursos do) Sebrae, estudei alguns livros de gestão e o Altar está há oito anos (em funcionamento). Passei daquele um ano e oito meses que dizem ser crucial para um negócio dar certo ou não. Eu tinha muito medo de fechar meu restaurante no primeiro ano, não por falta de comida e bom atendimento, mas por falta de gestão, que é o segredo de tudo.” Hoje, ela se orgulha de ter chegado até aqui “sem precisar de dinheiro emprestado”, mesmo na crise da pandemia, em que passou de 14 para cinco funcionários.

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