Felipe Rau/Estadão
Felipe Rau/Estadão

Clube de assinatura aposta no livro infantil

Empreendedores investem R$ 500 mil em modelo de negócios que apresenta desafios

RENATO JAKITAS, ESTADÃO PME,

02 de setembro de 2014 | 06h40

Há pelo menos três anos os clubes de assinatura lutam para provar seu valor como modelo eficiente no e-commerce. De lá para cá, o mercado acompanha o surgimento de uma centena de iniciativas na área - de venda de sapato à cestas de frutas frescas. Mas a verdade é que poucos empreendimentos sobreviveram aos primeiros meses de operação no Brasil, sendo mais raro ainda os casos que se consolidaram e entregaram lucro ao empresário e investidor.

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Mesmo assim, o modelo permanece firme e desperta a atenção dos empreendedores. Recentemente, dois jovens decidiram testar a subscrição para uma finalidade que, pelos menos no País, ainda não foi explorada. Eles lançaram a Leiturinha, clube de assinatura para livros infantis dedicado às crianças de zero a oito anos de idade - há planos de estendê-lo para crianças de até 12 anos.

O negócio surgiu quando os sócios Guilherme Martins e Luiz Castilho experimentaram na carne o desafio que é iniciar um filho no universo literário. Os dois são pais e contam que, além da dificuldade em identificar um título adequado para a o gênero e a faixa etária,  era complicado frequentar uma livraria com os filhos com certa regularidade. 

Eles estudaram o modelo por cerca de seis meses até que, no dia 15 de maio, colocaram a plataforma no ar, concluindo um processo que envolveu investimento inicial de R$ 500 mil, a contratação de sete funcionários, incluindo uma psicóloga e uma pedagoga responsáveis pelas escolhas dos títulos, e um mês de projeto piloto encampado com alguns amigos, parentes e conhecidos. 

Atualmente a plataforma tem 1,5 mil assinaturas ativas, 25% do fixado como meta para o primeiro ano da empresa, que projeta chegar ao meio do ano que vem com 6 mil clientes. Para tanto, Martins prevê um desembolso adicional de R$ 400 mil, dinheiro a ser aplicado na contratação de novos funcionários e na definição de uma estratégia mais abrangente de distribuição, atualmente centrada nos Correios. Atualmente, a empresa mantém um centro de distribuição provisório em Poços de Caldas (MG), cidade onde Luiz Castilho comanda a operação de outra empresa, a MonQi, plataforma de educação online.

"Eu estudo alguns parceiros, assim como a definição de centros de distribuição terceirizados. A intenção é diminuir custos para ganhar em escala", destaca Guilherme Martins, que divide-se entre a gestão da empresa e a carreira de executivo da área de tecnologia.

"A parte mais complexa até aqui foi entender como seria a logística, principalmente os momentos em que aconteceriam as compras nas editoras", conta o empresário. "A gente não estoca livros. De quinze em quinze dias a gente encomenda o número exato de títulos vendidos em oito editoras, que são as nossas parceiras nesse primeiro momento, e preparamos os kits para os assinantes", destaca. "Cada kit vai com dois livros, uma carta com a apresentação das obras e uma dica de como os pais devem interagir com a criança durante a leitura", explica o empresário. 

A assinatura vai do pacote anual, com mensalidade de R$ 49, além do frete, até a contratação mês a mês, que sai por R$ 69.

Especialista. Na opinião de Sthefan Gabriel Berwanger, consultor em marketing digital e professor da Business School São Paulo, o modelo de negócios da Leiturinha desperta o interesse sobretudo por explorar um nicho relevante, ainda com muitas oportunidades de empreendedorismo. Mas há dois pontos de atenção a serem observados. O primeiro é justamente o avanço tecnológico no setor livreiro. "É preciso ficar muito atento aos e-books, que têm transformado o mercado e contam com um competidor do porte da Amazon", destaca o professor, lembrando que a gigante do varejo norte-americano passou a atuar no mercado brasileiro desde agosto.

Outro ponto de risco, na opinião do especialista, envolve a gestão do empreendimento. "Os clubes de assinatura exigem ainda mais atenção nos controles", ele destaca, relembrando o caso da Shoes4you, clube que vendia assinatura de sapatos e era tocado pelo francês Olivier Grinda desde sua fundação em 2011. "Os cliente cancelavam a assinatura no banco e a Shoes4you não tinha acesso a essa informação. Como resultado, continuavam enviando os sapatos. Foi um erro grave que hoje o mercado está mais atento, mas é um exemplo dos desafios desses setor." 

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