Alex Silva/AE
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Cinco empresários contam como ganham dinheiro com a inovação

Melhoria e desenvolvimento de novos processos e produtos, ajudou empresas a ganhar destaque no mercado

Ligia Aguilhar e Carolina Dall'olio, Estadão PME,

09 de dezembro de 2011 | 06h12

Um dos países mais empreendedores do mundo, o Brasil é também um dos menos inovadores. Segundo o Global Entrepreneurship Monitor (GEM), relatório que mapeia o nível de empreendedorismo de 59 países, o Brasil está em último lugar do ranking de inovação que analisa empresas com até 42 meses de vida.

Entre os problemas que geram esse cenário está a crença de que inovar está somente em criar algo totalmente novo, envolvendo grandes investimentos em tecnologia. No entanto, a inovação pode estar em ações simples que resultem na melhoria de processos, produtos e serviços de forma que a empresa ganhe competitividade frente à concorrência. “Não adianta fazer a mesma coisa que o concorrente, as empresas devem encontrar uma forma de se diferenciar”, diz o coordenador do Centro de Empreendedorismo e Novos Negócios da FGV-EAESP, Tales Andreassi.

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Foi o que fizeram os  cinco empreendedores abaixo. Entre pequenas e grandes inovações, eles conseguiram fazer diferente e, com isso, ganhar espaço no mercado, mostrando que inovar pode ser bem menos complicado do que parece.

Augusto Cesar Neto, Aatag

No que depender dos sonhos de Augusto Cesar de Camargo Neto, de 36 anos, a palavra Aatag vai fazer parte do vocabulário de todo mundo em breve. Isso porque ele espera que, em um futuro próximo, cada pessoa carregue consigo o adesivo desenvolvido por ele para "digitalizar o mundo real". A inovação, consiste em um adesivo que pode ser colado no celular, no chaveiro ou onde quer que seja. Lá estarão armazenadas todas as informações sobre aquele consumidor, desde o e-mail até seus hábitos de compra.

Ao mesmo tempo, cada loja do mundo terá um leitor de dados capaz de capturar as informações contidas no adesivo do cliente. A invenção permitirá, por exemplo, que não seja mais necessário ditar o número de um CPF cada vez  que o cidadão quiser pedir uma Nota Fiscal Paulista ou se cadastrar na entrada de  um edifício comercial. “Também será possível passar por uma vitrine, gostar da roupa que está ali e dar seu e-mail para que a loja mande para a casa do consumidor o catálogo completo de sua coleção. Mas isso tudo sem perder tempo: bastará encostar o adesivo no leitor que fica instalado na fachada”, explica Neto.

Para as empresas, o grande benefício do adesivo da Aatag é a possibilidade de capturar dados sobre seus clientes de forma muito ágil. E para os consumidores, além da praticidade, a vantagem é usar suas informações como moeda de troca para conseguir benefícios das empresas. “O cliente poderá fazer uma seleção prévia dos dados que quer divulgar e só vai informá-los se a contrapartida que a empresa lhe der for interessante”, afirma Neto.

Os clientes não pagarão nada pelo adesivo. A receita da Aatag virá da venda dos leitores de dados e da gestão das informações dos clientes. Como a tecnologia RFID é barata, estima-se que o leitor possa custar cerca de R$ 20  – o que ampliaria¬ as chances da Aatag espalhar os leitores por aí. 

Rafael Cordeiro, Enox

Os amigos e publicitários Bernardo e Ernesto Villela, Gustavo Gasparin e Rafael Cordeiro iniciaram, há oito anos, a operação da Enox, pioneira e líder no mercado de mídia indoor. Inicialmente uma agência de propaganda, a empresa não teve sucesso na concorrência com empresas maiores, o que fez com que os sócios percebessem em poucos meses a necessidade de inovar.

Decidiram, então, que em vez de atuar na criação, se tornariam prestadores de serviços para outras agências.O plano era simples: colocar painéis com peças publicitárias em banheiros de bares e, assim, criar uma nova maneira das empresas se comunicarem com seu público.  Com um investimento de R$ 20 mil (R$ 5 mil por sócio), desenvolveram um modelo de painel feito em acrílico e colocaram dentro um cartaz anunciando a própria empresa.

A peça foi instalada no banheiro de um bar em Curitiba, no Paraná, e em uma semana ganhou fama. Logo vieram os clientes e outros modelos de ação, como cardápios patrocinados e campanhas em televisores instalados dentro de lojas e outros pontos de venda. “Nós criamos uma nova indústria, a da mídia de contato, baseada não no conteúdo, mas nas pessoas e lugares onde elas estão.”

Hoje a Enox cresce a um ritmo de 35% ao ano e busca a solução para o mais novo desafio da empresa: descobrir como agregar novas tecnologias ao negócio.

Waldomiro José Fernandes, Versax

Com um produto muito simples em mãos, o engenheiro Waldomiro José Fernandes montou, em 2008, a empresa Versax. Ele desenvolveu um dispositivo que deve ser encaixado entre a lâmpada e o soquete. A rosquinha de quatro centímetros de diâmetro garante que com um toque no interruptor comum seja possível controlar a intensidade da luz, cuja luminosidade poderá variar de 5% a 100%.

A mágica está, justamente, dentro dessa rosquinha. Ela contém um software e funciona como um dímer - com a vantagem de nenhuma parede precisar ser quebrada para instalação. Com o produto, a Versax conquistou grandes clientes, como Tok & Stok e Center Castilho. "O meu trunfo foi ter algo diferente para apresentar aos varejistas", constata Fernandes.

Como a produção é quase artesanal, a Versax vendeu só 6 mil peças em um ano e meio, faturando cerca de R$ 100 mil. Mas para atingir a meta de 1 milhão de peças produzidas por ano, Fernandes decidiu terceirizar a fabricação e as vendas, mas não a tecnologia.

Ismael Akiyama, da Akiyama

A Akiyama, empresa especializada em identificação civil e criminal por meio da biometria,  faz parte do pequeno grupo de empresas que já está lucrando com a Copa de 2014. Fundada em 2005 com um investimento de apenas R$ 72 mil, a companhia desempenha atualmente um papel importante no esquema de segurança que o governo federal adotará durante os jogos da Copa. Afinal, é dela a tecnologia usada no projeto “Torcida Legal”.

O programa pretende proibir a entrada nos estádios de torcedores que participaram de algum ato violento em jogos de seus times ou cometeram outros tipos de infrações, como a venda de ingressos falsos. Mas, para barrá-los, o governo precisará utilizar um método de identificação rápido e seguro, já que exigir a apresentação de documentos na entrada dos estádios seria inviável.

Akiyama resolveu esse problema ao inovar e usar a tecnologia para padronizar a coleta de dados por meio da biometria. Com processos informatizados, a identificação poderá  ser feita em escala, sem a necessidade de acompanhamento de um perito,  com custos mais baixos e de forma mais rápida.

A empresa fechou em  2009, um contrato com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para a compra de 1,4 mil máquinas, usadas no recadastramento de eleitores. Foi por meio do projeto para o TSE que a empresa conseguiu pontos na hora de conseguir o contrato do Torcida Legal. A venda de 300 equipamentos para o Ministério do Esporte, além da prestação de serviços de assistência técnica e do treinamento de funcionários, rendeu à Akiyama R$ 3 milhões. O valor corresponde a cerca de 10% do faturamento alcançado pela empresa em 2010 (R$ 29,5 milhões).Hoje a empresa de Ismael cresce em um ritmo de 100% ao ano.

“Nós já identificamos outras oportunidades de negócios com o governo”, afirma o empresário. Atualmente, ele trabalha também no desenvolvimento de outros softwares para monitoramento das torcidas nos estádios brasileiros.  

Ely Behar, U/Racer

Ele levou o estilo de vida dos autódromos para o shopping center. Ao apostar no potencial de mercado por  trás dos 7 milhões de fãs de automobilismo no Brasil, o empresário Ely Behar criou um modelo de negócio inovador, que em pouco mais de um ano e meio de existência já cresceu 200% e deve fechar 2011 com faturamento até três vezes maior do que o R$ 1 milhão registrado no ano passado.

Com uma loja virtual e duas físicas, a U/Racer reúne artigos para pilotos - luvas, capacetes e macacões - e produtos para fãs do esporte, como camisetas, bonés e até roupas para bebês. “Antes, esses produtos só eram vendidos em eventos de automobilismo, mas com o sucesso das vendas nas lojas, as marcas oficiais já estão até aumentando o investimento nas linhas de produtos para fãs”, conta Behar.

O modelo é pioneiro no Brasil e agradou justamente pelo apelo com o público masculino. Atualmente, 50% do faturamento vem dos artigos para os fãs. “Nós temos boa aceitação para entrar nos shoppings porque  conseguimos resolver o maior problema deles, que é atrair os homens”, explica o empresário.

Hoje, a U/Racer é distribuidora oficial de marcas importantes como Ferrari, Sauber e McLaren, e recebe investimento de um fundo. O próximo passo da empresa, releva Behar, é expandir a operação por meio de franquias e, dessa forma, ter 35 lojas da marca até 2015. Desse total, pelo menos dez devem ser inauguradas até o ano que vem, propiciando um faturamento de R$ 10 milhões. “O foco é em cidades com mais de 250 mil homens das classes A e B, o público do negócio”, explica o empreendedor.

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