Cientista do 'esqueleto da Copa' apresenta avanços do projeto na Campus Party

Miguel Nicolelis recordou descaso da organização em relação ao Andar de Novo

Estadão PME,

05 de fevereiro de 2015 | 07h46

 

Miguel Nicolelis, o cientista brasileiro que se notabilizou por liderar o projeto do exoesqueleto que deu o pontapé inicial na Copa do Mundo de 2014, aproveitou sua apresentação na Campus Party, nesta quarta-feira (04), para enfim explicar ao público o que aconteceu naquela desastrosa demonstração durante a abertura do evento da FIFA.

"Ninguém anunciou que a gente ia entrar no estádio", disse o cientista sobre o episódio em que o exoesqueleto controlado por um tetraplégico apresentou falhas e andou lentamente naquilo que deveria ser um episódio importante para a neurotecnologia, mas acabou sendo um fato que passou despercebido do público por motivos relacionados a organização do mundial.

"A FIFA nos ofereceu 3 minutos apenas. Reduziram para um minuto e, na semana anterior, foi para 29 segundos. Nunca na história da robótica mundial, alguém teve 29 segundos para mudar a neurociência. Se fosse no EUA, ia parar o Super Bowl com um americano bobo falando: 'olha para lateral, que lá vai ter o chute'", completou o cientista.

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Nicolelis disse durante o evento que o projeto Andar de Novo, apesar do que as cenas protagonizadas na Copa podem sugerir, é um grande sucesso. Nos últimos meses, a equipe composta por 156 cientistas do mundo todo, testou novas funcionalidade no projeto e obteve resultados melhores.

"Todos os oito pacientes em que testamos o exoesqueleto relataram que sentem que as pernas se movem. Induzimos uma sensação fantástica que ninguém tinha conseguido induzir. Eles o incorporaram e agora conseguem caminhar", contou Nicolelis.

Segundo o cientista, um ano depois, o Juliano, o voluntário que vestiu o aparato na Copa, mostra uma evolução na sensação tátil de sete vértebras. Nicolelis afirma que é essa a tecnologia que poderá ajudar 25 milhões de pessoas que sofrem hoje no mundo com algum tipo de paralisia.

Além do Projeto Andar de Novo, Nicolelis trabalha no desenvolvimento de uma "interface cérebro-cérebro", que já permite que dois ratos, um no Brasil e outro nos EUA, troquem "informações mentais" e realizem movimentos a partir dessa troca. Outro projeto é a "internet cerebral", cujo último experimento fez com que três macacos jogassem sem mexer o corpo ou saber da existência do colega.

 

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