João Appolinário fundou a Polishop
João Appolinário fundou a Polishop

Chave na crise é estar capitalizado

João Appolinário, da Polishop, garante que começaria hoje um negócio, mas isso se tivesse dinheiro nas mãos

Estadão PME,

27 de julho de 2015 | 06h57

Se vender qualquer produto já é uma tarefa difícil em tempos de vacas gordas, imagina agora, com o consumo em queda livre no Brasil. Para João Appolinário, fundador da Polishop, o segredo é manter o ritmo das coisas, exatamente como antes.  Mesmo sentindo no bolso o desânimo do varejo desde o ano passado, ele diz manter inalterado o volume de lançamentos (dois a três produtos por semana) e de lojas físicas (serão mais 50 até o fim do ano).

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Para o empreendedor que está em dúvida se vale a pena ou não arriscar um novo negócio no meio da crise, ele pede cautela. “Meu único cuidado, como sempre é para o Brasil, é estar capitalizado. O negócio precisa ser lucrativo a partir do primeiro dia de atividade e você tem de ter capital para segurar a onda. Você vai ter de começar com um ritmo menor”, analisa o empresário. Leia abaixo os principais trechos da entrevista concedida ao Estadão PME.

Como você avalia a atual crise para o varejo? 

Já faz parte do empreendedor brasileiro conviver com esses altos e baixos. O Brasil normalmente enfrenta ciclos de baixo crescimento com dois anos de duração. Esse começou no ano passado e a partir do segundo semestre de 2016 é onde eu acho que o Brasil vai experimentar uma recuperação.

Para quem quer empreender agora, eu vejo que é como se estivesse comprando uma ação, um papel na baixa, para esperar toda a futura valorização. Isso vale para pontos comerciais em shoppings. Com toda a inflação dos últimos anos, ainda assim, é possível alugar um ponto comercial e fazer uma obra com um serviço mais barato do que em 2012, já que a economia é outra hoje. A gente pode chamar isso de oportunidade.

Mas se você tivesse planejado abrir uma empresa exatamente hoje, no dia 27 de julho de 2015, você cumpriria o prazo ou aguardaria por um cenário econômico mais favorável?

Eu começaria. Meu único cuidado, como sempre é para o Brasil, é estar capitalizado. O negócio precisa ser lucrativo a partir do primeiro dia de atividade. Um negócio (para ser lançado agora) precisa ser bom desde o primeiro dia e você (precisa) ter capital para segurar a onda. Se eu tivesse esses requisitos, dinheiro e uma negócio que pode dar certo de imediato, sem dúvida nenhuma eu começaria agora. Mas você vai ter de começar em um ritmo menor. 

Especificamente na Polishop, quais adaptações foram colocadas em prática em virtude do momento econômico brasileiro?

Estamos mantendo exatamente o plano de expansão que tínhamos, o que estamos diminuindo é nosso gasto. A gente quer abrir 50 lojas. É o maior número de abertura de lojas únicas, não em números porcentuais. O que mudamos foi que estamos abrindo lojas um pouco menores e estamos cortando despesas.

Com mais oportunidade de negociação, tanto com obra, tanto com (ponto de venda em) shopping, tanto com (compras de) fornecedores. A gente não está reduzindo quadro de funcionários porque há lançamento de lojas. Mas pegamos uma loja que está com movimento menor e transfiro alguns funcionários para uma loja nova. Assim, crio oportunidades com funcionários que já estão treinados.

:: Quem ele é ::

Fundador da Polishop, negócio que ele começou em 1999. João Appolinário vem de uma família de empresários. Seu único emprego com carteira assinada foi aos 18 anos, mas mesmo assim quando trabalhava em uma das empresas do pai.

:: Raio X ::

Empresário prosperou com a venda de dietas na televisão

A empresa atua em diversos canais de venda (TV, lojas físicas, e-commerce e venda direta) e é graças a essa estratégia que a marca consegue absorver os solavancos da economia. “Cada momento impacta de um jeito em cada canal. A venda direta, agora, está crescendo mais”, diz Appolinário.

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