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Cerveja artesanal cai no gosto do pequeno e Brasil já conta com 1,5 mil rótulos no mercado

São ao menos 200 pequenas fábricas, segundo dados da Associação Brasileira de Bebidas

Renato Jakitas, Estadão PME,

03 de janeiro de 2015 | 08h01

Repetindo os resultados de 2013, o ano de 2014 foi profícuo para o mercado de cervejas artesanais brasileiro. Mais do que novos empresários, o setor observou um avanço em número de pontos de venda e no consumo das marcas, nacionais e importadas, que vão cristalizando seu espaço na preferência do consumidor.

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A Associação Brasileira de Bebidas (Abrabe) estima que existam hoje cerca de 200 microcervejarias em atividade, um  número que se não tem potencial para encostar no mercado norte-americano (com 2,4 mil empresas), pode ter pelo menos o dobro do tamanho atual. Isso porque as marcas artesanais, apesar do sucesso recente, representam apenas 0,15% do  setor cervejeiro nacional, controlado pela grandes marcas.

Extraoficialmente, entretanto, acredita-se que o número de empresas em funcionamento seja bem maior que o divulgado  pela Abrabe. Fabricantes e comerciantes estimam que, entre nacionais e importadas, o mercado brasileiro está inundado por 1,5 mil rótulos.

"O número é grande e já é difícil concorrer com as opções estabelecidas", afirma Eduardo Caldas, fundador da Beer Planet, loja virtual e clube de assinatura de cervejas artesanais, além de dono de uma distribuidora focada nesse mercado. "Eu tenho um portfólio com 400 rótulos, 200 marcas. Cinquenta por cento são nacionais e 50% são importadas", afirma.

O que está por trás desse aumento exponencial de novas empresas é a relativa facilidade com que o mercado acessa as tecnologias de produção. Hoje com máquinas 100% nacionais, é muito mais barato iniciar uma pequenas fábrica de cerveja. "No passado, os empresários do ramo recorriam à equipamentos norte-americanos de segunda mão. Hoje, no entanto, dá para começar um negócio com investimento baixo", diz Marcel Longo, dono da Dortmund, uma das marcas mais conhecidas de cervejas artesanais, que opera em Serra Negra, no interior de São Paulo. Com um desembolso mínimo de R$ 200 mil, já dá para produzir no Brasil.

Mas quem não quer colocar a mão no bolso no início ainda pode recorrer à terceirização. As pequenas indústrias já existentes dificilmente conseguem ocupar a metade de sua capacidade instalada e, para ajudar a bancar o custo fixo, alugam espaços em sua linha para marcas concorrentes.

O modelo de cervejaria ‘cigana’, como o mercado convencionou chamar esse tipo de operação descentralizada, cresce por aqui.

"Eu tenho um custo fixo de R$ 30 mil e, para conseguir arcar com ele, já produzo para dois parceiros e estou  fechando com um terceiro", conta Márcio Secafin, que há mais ou menos um ano lançou a Brotas Beer, marca artesanal do interior de São Paulo.

Com capacidade de 25 mil litros por mês, ele vê a terceirização como uma boa estratégia de capitalização. "A  estrutura que montei para a fabricação de cervejas vai se pagar, acho, daqui a uns quatro anos. Os custos são altos  e os impostos onerosos nesse ramo", diz o empresário, que já aplicou com um sócio R$ 2,5 milhões em sua operação.

Na reportagem de amanhã, conheça os desafios que o empresário precisa enfrentar para se consolidar nesse ramo.


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