Werther Santana/Estadão
Werther Santana/Estadão

Cecilia Dale: "A paixão ainda é a mesma"

Empresária afirma que o empreendedor precisa enfrentar o medo e gostar muito de trabalhar

GISELE TAMAMAR, ESTADÃO PME,

29 de junho de 2013 | 09h06

Quando começou a fazer cestas e bandejas forradas com tecidos, Cecilia Dale ouviu que seus produtos eram uma “graçolinha” e que seu trabalho era “trico-trico”. Na visão da empresária, uma maneira de desmerecer tanto esforço em empreender. Por isso, Cecilia chegou perto de desistir. E não foi uma vez só. “Tinha hora que eu falava, não vai dar. É por isso que eu digo que tem que ter 5% de ideia e 95% de vontade e paixão”, contou Cecilia, fundadora de uma rede, atualmente com nove lojas, que leva o seu nome e, principalmente, tornou-se referência no segmento de decoração no País.

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Os trabalhos manuais sempre estiveram presentes na vida de Cecilia. Desde a época em que dava aulas de inglês em casa. Ela fazia o cenário e as fantasias dos personagens para entreter as crianças e tornar o aprendizado prazeroso. Quando mudou-se para São Paulo, começou a trabalhar com tradução. “Não era isso que eu queria. Eu estava em uma cidade nova e queria conhecer gente.”

A luz apareceu quando uma amiga, que tinha uma fábrica, ofereceu sobras de madeira para Cecilia trabalhar. A empresária resolveu então fazer um jogo americano e conseguiu comercializar sua produção em uma loja de presentes.

As vendas cresceram e a empresária teve 180 lojas que compravam seus produtos até a abertura do seu estabelecimento. O começo da sua trajetória, e os desafios da expansão para atingir 30 unidades em 2014, foram compartilhados pela empresária no Encontro PME com pequenos empreendedores. Confira os principais trechos.

Medo

No momento em que começou a trabalhar, Cecilia questionava se o que estava fazendo era certo. “Minha geração não era preparada para sair de casa para trabalhar. Comecei a ter um diálogo interno constante e fui fazer terapia. Lá, o terapeuta falou: ‘Olha o tamanho do seu olho. Isso é medo. E o medo é a pior doença que a pessoa pode ter, não deixa você crescer’”, lembrou a empreendedora.

E o conselho de Cecilia para quem enfrenta o mesmo problema é colocar esse medo para fora, mas no papel. “Você não vai falar para ninguém. Porque se você falar, vai ouvir que tem razão. E você precisa brigar com o seu medo”, disse. Para continuar no caminho do crescimento, Cecilia também destaca um ponto importante: a paixão. “É o que faz você atravessar todas as dificuldades. Eu adorava e adoro o que faço até hoje. Depois de 35 anos, a paixão é mesma”, destacou.

Oportunidade

Outro conselho da empresária é aproveitar as chances que batem à porta do empreendedor.

“Se você deixou passar, aquela oportunidade não vem mais. Pode até ser que venha outra, mas aquela não volta”, disse. Sua entrada no segmento de decoração de Natal em shoppings foi justamente isso, uma questão de oportunidade.

Em 1999, Cecilia recebeu o convite para ser responsável pela decoração do Shopping Higienópolis. “Eu não sabia fazer, mas topei. O shopping estava em construção e tive que fazer tudo por planta. Foi um marco na decoração de São Paulo”, afirmou Cecilia Dale.

Ela não parou mais e este ano será, pela 15ª vez consecutiva, responsável pela trabalho no centro de compras de Higienópolis. Mais do que isso: o trabalho transformou-se em vitrine e hoje a empresa de Cecilia faz decoração para 20 shoppings – o planejamento desse trabalho começa em janeiro para que o empreendimento consiga entregar todo o trabalho prometido.

Público-alvo

Cecilia alerta o empreendedor a tomar cuidado com as vendas para amigos. “Amigo não é cliente. Se ele for comprar de você, ele está fazendo um favor que é 50% de desconto. É bom evitar aquela situação de chamar para almoçar e o amigo se vê obrigado a comprar alguma coisa sua. É preciso saber qual é o seu público”, afirmou.

No caso da empreendedora, as vendas iniciais das cestas e bandejas em butiques foram uma maneira natural de posicionar sua produção para a classe A. Hoje, com variedade de mil itens à disposição dos consumidores, o público é maior e a complexidade também. Para atender mais pessoas, Cecilia também produz guirlandas menores e mais baratas. “Todas as guirlandas que você vê na loja eu que fiz a primeira. Fazemos 3 mil menores e elas vendem muito rápido”, contou.

E as árvores de Natal também são um sucesso. Tanto que há dez anos a empresa mantém uma agenda para as pessoas que fazem questão do serviço de montagem em casa. “Tem gente que começa a ligar em junho, mas abrimos a agenda em setembro”, afirmou a empresária.

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