Epitácio Pessoa/Estadão
Epitácio Pessoa/Estadão

Casal lança rede social só para médicos brasileiros

Proposta é conquistar o engajamento de 60 mil profissionais e faturar R$ 700 mil no primeiro ano

Renato Jakitas, Estadão PME,

25 de junho de 2013 | 07h30

No Brasil, as redes sociais de nicho ainda estão mais para tendência promissora do que, de fato, uma oportunidade palpável de lucro. Entretanto, uma startup paulistana tem planos de inverter essa história.  

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A empresa acaba de lançar um site em que só entram médicos, e onde eles se ajudam a fazer diagnósticos e até medicar os pacientes. Chamado Ology (www.ology.com.br), o negócio pretende alcançar 60 mil usuários em um ano e faturar principalmente com a venda de espaços publicitários para laboratórios farmacêuticos, uma indústria submetida à regras severas de divulgação e, por isso, ainda carente de ferramentas de comunicação com seu público. 

“Queremos faturar até R$ 700 mil no primeiro ano”, conta Giovana Pieck, que atuou por 20 anos como executiva do mercado farmacêutico, de onde saiu para fundar a empresa com o empreendedor holandês Marc Schipperheyn. 

“A regulamentação desse setor é muito complexa. Os laboratórios só podem fazer divulgação dos seus produtos em ambiente fechado, onde só tenham médicos”, afirma Giovana. “Até em um congresso, quando tem pessoas circulando que não são médicos, existem restrições na comunicação. Aqui (site), não. O médico tem de ser cadastrado no CRM (Conselho Regional de Medicina) e oferecemos espaço para ser explorado por toda essa comunicação com os laboratórios”, diz.

Giovana responde pela concepção do empreendimento, da ideia ao posicionamento. Ao sócio Marc, que é programador, coube o desenvolvimento da plataforma. O processo todo demandou três anos de trabalho e foi construído no modelo offshore, com empresas da Bósnia e Sérvia. No total, custou ao casal R$ 200 mil. “Outros R$ 50 mil foram investidos em marketing”, conta Marc, que define seu projeto como uma espécie de Linkedin para médicos.

“A plataforma oferece o serviço de conferência em vídeo, tem a ferramenta de prescrição eletrônica e sistemas para intercâmbio de conhecimento, compartilhamento de diagnósticos e oportunidades profissionais”, destaca Giovana, que teve a ideia após observar o avanço de propostas semelhantes no exterior, sobretudo nos Estados Unidos e Europa, onde cerca de 3 milhões de médicos integram redes sociais exclusivas, segundo pesquisa do instituto Manhattan Research. “O caso da Sermo, rede lançada nos Estados Unidos, é emblemático. Eles receberam aportes de US$ 66 milhões no início e, no ano passado, foram comprados.”

O exemplo apontado pela empreendedora é também para Sandra Turchi, do curso de Gestão de Mídias Sociais da ESPM, um indicador do potencial que uma rede de nicho tem entre profissionais especializados. “Uma coisa importante quando se fala de rede social é engajamento. No Brasil, os médicos, que não estão habituados com divulgação de trabalho, demoraram para conhecer as redes sociais. Mas há um movimento nessa direção. Ele usam o Linkedin, por exemplo, para interagirem com outros médicos”, diz.

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