Felipe Rau/Estadão
Felipe Rau/Estadão

Casa portuguesa foge dos Jardins e aplica R$ 6 milhões no Centro de São Paulo

Grupo de empresários enxerga o País como o local ideal para colocar seus planos ambiciosos de expansão em prática

Renato Jakitas, Estadão PME,

28 de agosto de 2013 | 06h27

A expansão das docerias gourmets em São Paulo obedece a algumas similaridades no que tange à busca por ingredientes, faixa de preço dos produtos e cuidado com a apresentação da loja. Mas é na localização onde se verificam as maiores coincidências. Micro, pequeno ou de médio porte, os estabelecimentos procuram se estabelecer nos bairros de comércios sofisticados da cidade, principalmente nos Jardins e Pinheiros.

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A exceção é a portuguesa Casa Mathilde, que abriu as portas em junho no Centro da capital, próximo da Rua Libero Badaró e da Bolsa de Valores de São Paulo. A marca é a mesma que durante décadas teve seu nome associado com a aristocracia de Lisboa, sendo fornecedora certificada da família real daquele país. Sem operar desde a década de 1970, quando ficou estigmatizada pelos portugueses após o fim da ditadura local, um grupo de empresários europeus investiu R$ 6 milhões para adquirir a licença do nome e tentar reposicioná-la do outro lado do Atlântico.

Agora, a expectativa é transformar a Casa Mathilde, nos próximos anos, em uma espécie de rede gourmet aqui no Brasil. “Nós temos planos ambiciosos. Por isso, decidimos iniciar a primeira operação nesse imóvel, aqui no Centro de São Paulo”, conta um dos sócio e CEO da marca, o português Rui Mendes. A loja ocupa o mesmo endereço que abrigou o restaurante Fasano nos anos 1950, um prédio de 1,2 mil metros quadrados na Praça Antonio Prado.

“Poderia ser nos Jardins, como tantas outras. Poderia ser no Itaim ou Moema. Mas o Centro é diferente, tem um público mais diversificado e forma um espaço lúdico quanto à movimentação das pessoas. Eu acredito sinceramente que também é um parte da cidade que vai se valorizar nos próximos anos”, conta Mendes.

Na opinião do empresário, a marca europeia ocupa um espaço até então vago no mercado brasileiro, que é o de doces típicos portugueses confeccionados com a atenção aos mínimos detalhes durante todo o processo de produção.

“Tem doce português no Brasil, mas sem tantos cuidados com a receita original. A gente teve um trabalho de quatro anos desde o início da prospecção até a inauguração da loja. Passamos meses definindo fornecedores e adaptando as receitas para os ingredientes nacionais”, explica Rui.

“A farinha brasileira, por exemplo, não formava uma liga como a portuguesa. Foi preciso desenvolver um novo produto com o fornecedor para conseguir a consistência ideal no doce”, destaca o empresário, que tem no pastel de Belém, vendido a R$ 4,80, o carro-chefe do negócio. “Mas existem outros produtos com potencial. O nosso pão de ló surpreendeu muita gente”, diz.

Inaugurada há três meses, a unidade na região central da cidade exigiu R$ 6 milhões de investimento. E a expectativa do grupo é ampliar a extensão da marca. “Até o final do ano eu gostaria de lançar pelo menos mais duas casas”, conta Rui, que ainda não definiu o caminho para essa expansão.

“Veja, nosso grupo é bem capitalizado, mas não vamos cometer loucuras imobiliárias”, diz o empresário, que deve investir outros R$ 6 milhões no empreendimento até colocar em operação a segunda fase do projeto, que pode ser pelo modelo de franquia. “Gostamos de bairros como Tatuapé, de Moema, do Itaim e até dos Jardins.”

Além das lojas, a empresa planeja outro canal para vender seus doces típicos. “Temos demandas de entidades e buffets para atendermos eventos e festas”, conta Mendes.

Equipe. Preparando-se para atender a essa necessidade do mercado, a doceria trouxe há poucos dias mais um especialista no ramo. “Um chef confeiteiro que consegue trabalhar para produzir grande quantidades”, completa. Ao todo, a casa tem 45 funcionários, somando pessoal de loja e fábrica, que funciona no mesmo endereço. A Casa Mathilde vende mais de 30 tipos de doces e bolos produzidos por três confeiteiros que vieram de Portugal e trabalham exclusivamente com receitas tradicionais portuguesas trazidas ao País.

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