Hélvio Romero/AE
Hélvio Romero/AE

Casa popular dá fôlego ao pequeno incorporador

Programa 'Minha Casa, Minha Vida' ainda garante demanda pelo consumo, mas valorização de terrenos preocupa o segmento

Renato Jakitas, Estadão PME,

29 de agosto de 2012 | 12h01

O mercado imobiliário, por tradição um dos ramos mais sensíveis aos humores da economia, sofre o impacto da crise financeira instaurada no mundo. No entanto, exemplos colhidos junto aos empresários do segmento apontam que o setor ainda reserva oportunidades para o pequeno incorporador.

Os mais beneficiados são os que direcionam os investimentos para a construção de residências populares, filão que se mantem atraente respaldado pelo programa “Minha Casa, Minha Vida”, pacote de incentivos do governo federal.

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Lançado em 2009, o “Minha Casa, Minha Vida” tem como meta erguer 3,4 milhões de casas até 2014, segundo o Ministério das Cidades. O programa oferece descontos e subsídios para unidades de até R$ 160 mil, destinadas ao consumidor com renda bruta de, no máximo, R$ 5 mil ao mês. Até o mês de julho, 1,841 milhões de imóveis – 54% do objetivo – tinham saído do papel.

“Essas casinhas saem rápido demais. Eu mesmo já estava com tudo vendido antes de finalizar as obras”, conta o empresário José Carlos Martins. Ele trabalha em construção desde 1984 e, há dois anos, largou a profissão de mestre de obras para ser um micro incorporador de habitações populares.

Foi quando Martins decidiu vender um terreno e uma casa que tinha em sua cidade natal, Poços de Caldas (MG). Parte dos R$ 160 mil adquiridos na venda das propriedades foram aplicados na aquisição de dois terrenos em Cotia, na grande São Paulo. Neles, já construiu quatro imóveis, vendidos em um prazo de quatro meses.

“A gente trabalha para obter 100% de lucro bruto, mas as vezes não consegue. Ficamos com 80%, 70% em muitos dos casos”, afirma ele, que projeta outros oito empreendimentos.

“De uns tempos para cá, esses imóveis do ‘Minha Casa, Minha Vida’ são os que têm movimentado boa parte dos pequenos empresários do setor”, afirma Flávio Prando, vice-presidente do Sindicato da Habitação de São Paulo (Secovi-SP).

Luiz Salge, dono de uma consultoria na área, concorda. Ele, contudo, alerta que o ritmo de ofertas só não é maior porque a procura em alta inflacionou o preço dos terrenos.

“O empresário ou diminuiu o volume de lançamentos ou partiu para as cidades do entorno de São Paulo, onde ainda se encontram lotes com preços acessíveis”, conta.

Opções valorizadas. Estimativas da Empresa Brasileira de Estudo de Patrimônio (Embraesp) endossam o que relata Salge. Segundo a instituição, o metro quadrado registrou, de 2005 para cá, valorização de até 2,6 vezes em bairros periféricos paulistanos.

“Os lançamentos estão acontecendo a cerca de 30 quilômetros do centro da capital, em cidades como Cajamar e Guarulhos”, diz Luiz Paulo Pompéia, presidente da Embraesp.

A incorporadora Marcia de Aquino Chaccur utiliza a estratégia. Em 2008 ela vendeu um restaurante para construir e comercializar casas populares. Desde então, entregou um residencial com quatro unidades e um prédio com 11 apartamentos, todos no início da Rodovia Raposo Tavares, na Grande São Paulo.

Para os projetos futuros, a empreendedora diz que o jeito será pegar a estrada e começar a construir alguns quilômetros adiante, em direção ao interior. “Para não apertar mais o meu lucro, que gira entre 20%, vou começar a investir a partir de Vargem Grande Paulista”, planeja.

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