Paulo Vitor/AE
Paulo Vitor/AE

Cartão BNDES supera R$ 7 bilhões em 2011 e acelera geração de emprego

Crescimento dos empréstimos para pequenos empreendedores ajuda na contratação de funcionários, afirma estudo

Alexandre Rodrigues/AE,

13 de janeiro de 2012 | 17h03

O crescimento dos empréstimos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para micro e pequenas empresas acelerou a geração de empregos no segmento, que é responsável por 70% das novas vagas geradas na economia. A conclusão faz parte do primeiro estudo realizado por economistas do banco de fomento para avaliar a eficácia de suas linhas de crédito, principalmente na geração de empregos. O objeto do trabalho é o Cartão BNDES, que superou a marca de R$ 7 bilhões em desembolsos em 2011.

O Cartão BNDES funciona como um limite pré-aprovado de até R$ 1 milhão e prazo máximo de 48 meses para micro, pequenas e médias empresas (MPMEs), que são as que faturam até R$ 90 milhões por ano. Emitido pelos bancos comerciais nas bandeiras Visa e Mastercard, o cartão só financia bens de capital nacionais, insumos e componentes para processos industriais e serviços como os de inovação e treinamento adquiridos de fornecedores cadastrados no BNDES.

::: Siga o Estadão PME nas redes sociais :::

:: Twitter ::

:: Facebook ::

:: Google + ::

Os desembolsos do cartão cresceram pelo menos 60% no ano passado em relação a 2010, quando foram emprestados R$ 4,3 bilhões, e mais do que triplicou o desempenho de 2009, de R$ 2,4 bilhões. Técnicos da Área de Planejamento do BNDES avaliaram uma amostra de 22,5 mil empresas que tiveram cartões habilitados em 2008 e não usaram outras linhas do banco. Eles concluíram que as que usaram o crédito chegaram a 2009 com incremento 10% maior no quadro de funcionários do que as que mantiveram o plástico guardado na gaveta.

Isolando apenas as microempresas, que são 75% da amostra, o impacto foi ainda maior: 13% a mais de geração de vagas. Em dois anos, a média de funcionários das microempresas apoiadas pelo Cartão BNDES subiu de 2,69 para 3,77, o que na prática significa um funcionário a mais em cada uma. Já as que não usaram o crédito rotativo do banco de fomento subiram de 2,8 para 3,45.

 

Para comparar empresas com características semelhantes, eles dividiram a amostra entre as que usaram o crédito e as que tinham acesso a ele pelo cartão, mas decidiram não usar. Em seguida, cruzaram os dados com a Relação Anual de Informações Sociais (Rais) do Ministério do Trabalho.

 

"Queríamos ver no emprego um efeito do crédito no porte da empresa. O resultado mostra como a melhora do fluxo de caixa com o cartão favorece, mesmo que indiretamente, a geração de novas vagas ou a formalização de empregados ", diz o economista Luciano Machado, que realizou o trabalho com Maria Parreiras e Vinícius Peçanha, também integrantes da Área de Planejamento do BNDES.

 

Machado explica que o modelo estatístico desenvolvido descontou a influência do contexto econômico favorável que fez com que as pequenas empresas que não usaram o Cartão BNDES também empregassem mais, isolando o efeito do cartão. Segundo Leonardo Santos, gerente da Área de Planejamento do BNDES, o trabalho confirma o impacto das políticas de desconcentração dos desembolsos do banco, criticado pelo apoio maciço a grandes grupos econômicos, e ajudará a formular ajustes no produto. "O efeito do cartão foi bastante significativo em pouco tempo. Para uma empresa de porte muito pequeno, onde o custo de mão de obra representa muito, colocar mais um trabalhador é um grande avanço", diz.

 

O BNDES tem promovido eventos em associações empresariais para difundir o conhecimento entre os empreendedores sobre suas linhas de crédito para MPMEs como o cartão, que já tem mais de 350 mil unidades emitidas. O banco também incrementou seus gastos com publicidade, que somaram R$ 4 milhões só no primeiro semestre de 2011, contemplando até comerciais de TV.

 

A fatia das MPMEs no bolo bilionário de desembolsos do BNDES subiu de 28% em 2010 para inéditos 40% em outubro do ano passado. O desembolso total do BNDES em 2011, estimado em cerca de R$ 140 bilhões, ainda não foi divulgado, mas as liberações para as MPEs até novembro somaram R$ 45 bilhões.

 

Para o presidente da Associação Nacional de Sindicatos da Micro e Pequena Indústria, Joseph Couri, o banco acerta ao se voltar para o segmento, mas diz que o acesso ao cartão pelos bancos comerciais ainda é restrito, muitas vezes é condicionado à compra de outros produtos bancários.

 

"Os bancos comerciais ainda são muito conservadores na avaliação do crédito para a pequena empresa. Se houvesse outros canais de acesso ao Cartão BNDES ou um cadastro único de avaliação das empresas, seria possível aumentar mais a base de empresas que se beneficiam do crédito do BNDES, que é o mais atraente hoje para investimentos produtivos. Se tiver crédito e prazo, o empreendedor investe e contrata mais", avalia o dirigente.

::: LEIA TAMBÉM :::

:: Norte e Nordeste serão privilegiados pelo BNDES ::

:: BNDES quer manter aquecido o crédito para o comércio ::

:: 5 dicas para quem pensa em tomar dinheiro emprestado do BNDES ::

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.