Sergio Castro/Estadão
Sergio Castro/Estadão

Carona virtual testa viabilidade como negócio

Empreendedores ainda adotam o modelo sem saber até se é permitido efetivamente cobrar pelo serviço de intermediação

Gisele Tamamar, Estadão PME,

30 de julho de 2014 | 07h02

Depois dos aplicativos de táxi e de motoboys, começam a surgir soluções relacionadas à carona. E já existem pelo menos três modelos de atuação no setor. No caso da Tripda, o foco são as viagens intermunicipais. Já a Djengo atua com uma solução para integrar caronas dentro de empresas e a Zaznu trabalha com motoristas previamente cadastrados.

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A Tripda foi criada pela empresária Giuliana Reis, que tem família em Ribeirão Preto e viaja para a cidade com frequência. No ano passado, em uma dessas viagens de São Paulo para o interior, ela estava parada no trânsito e notou muitos motoristas também sozinhos. “Fiquei sabendo que os amigos também estavam indo para Ribeirão assim. Tive a ideia de organizar um sistema para as pessoas viajarem juntas, montei um plano de negócios e vim conversar com a Rocket Internet”, conta Giuliana, formada em administração e com experiência em banco de investimentos.

Ela não fala quanto recebeu para colocar a ideia em prática e conta que o intuito da empresa é que ninguém lucre com a carona. No site, o motorista publica a viagem e outras informações e o passageiro faz a busca – a Tripda sugere um preço com base na quilometragem e combustível.

“É muito importante que a plataforma cresça, que o modelo se prove, que as pessoas avaliem, gostem e contem aos amigos. Conforme a plataforma cresça, vamos estudar formas de monetização”, diz Giuliana. O site tem hoje 4,5 mil usuários e já registrou caronas para 2 mil rotas diferentes.

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Já Marcelo Sakai e o francês Jules Autelin são sócios da Djengo no Brasil. Eles tiveram a ideia de trabalhar com carona corporativa no País e optaram pela parceria com belgas que já faziam o mesmo no exterior.

No modelo de negócio, a Djengo oferece uma tecnologia para organizar caronas entre os funcionários de determinada empresa e ainda oferece uma espécie de assessoria de engajamento. “O que nos diferencia das outras plataformas é que hoje a Djengo é uma plataforma de comunicação. A empresa paga para a gente fornecer um meio de criar uma interação e comunicação para viabilizar a carona”, explica Sakai.

Já no modelo da Zaznu, a startup cadastra motoristas, que passam até por entrevistas para integrarem a comunidade formada pelo empreendimento. O usuário, da mesma forma, também precisam se cadastrar e registrar o cartão de crédito para efetuar o pagamento do serviço. A gerente de comunidades da Zaznu, Aline Viriato, explica que o aplicativo sugere o valor e o passageiro pode pagar mais ou menos, sempre de acordo com a experiência que ele próprio já teve. “O passageiro só paga o serviço se ele quiser”, afirma.

Em geral, o motorista recebe 80% do valor da carona – 15% fica para a Zaznu e a taxa do cartão é de 5%. Atualmente, o aplicativo tem 400 motoristas cadastrados em seis cidades e registra média de 20 caronas todas as semanas.

As soluções envolvendo caronas, entretanto, geram controvérsias e até protestos de taxistas contra o aplicativo mais famoso de caronas, o Uber. A startup foi criada em 2009, nos Estados Unidos, e chegou em São Paulo em junho. O motivo de polêmica é que os motoristas estariam recebendo pelo serviço de transporte sem autorização, o que caracterizaria um sistema clandestino de táxi. 

 

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