Angelo Dal Bó
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Carne vegetal e mercado ‘plant based‘: conheça avanços e desafios do setor

Entenda o que movimentou o segmento de carnes vegetais em 2021, impulsionado por um número maior de ‘flexitarianos’; setor seguirá crescendo, apontam pesquisas

Juliana Pio, O Estado de S.Paulo

28 de dezembro de 2021 | 14h46

O ano de 2021 mostrou que o Brasil é terreno fértil para a expansão do mercado plant based. Produtos como carnes, ovos e laticínios feitos à base de vegetais e sem nenhum ingrediente de origem animal têm conquistado o apetite de investidores e consumidores, e aberto caminho de oportunidades para os empreendedores.   

Mapeamento do The Good Food Institute Brasil (GFI) mostra que o País já conta com cerca de 130 empresas atuando no setor de proteínas alternativas (à base de plantas, mas análogas à base animal), focadas em insumos, serviços ou produtos finais. A principal proteína usada é a de ervilha, ainda em grande parte importada - o que representa um desafio para o setor, na visão dos próprios empreendedores.

O movimento é novo e ganhou força com as foodtechs (startups de alimentação), como, por exemplo, Fazenda Futuro, A Tal da Castanha, NotCo, The New e Vida Veg, as quais já disputam espaço nas gôndolas com grandes companhias de alimentos, como Sadia, Seara, Batavo e Vigor, conforme mostrou o Estadão ao longo do ano. 

Ninguém quer ficar de fora desse mercado, que, mesmo diante da pandemia da covid-19, movimentou cifras recordes em 2020, cerca de US$ 3,1 bilhões globalmente, de acordo com o GFI, mais que três vezes o levantado em 2019 (US$ 1 bilhão). 

Somente o setor de carnes vegetais no Brasil cresceu quase 70% entre 2015 e 2020. Os investimentos em Soluções baseadas na Natureza (as SbN) são reflexo de uma mudança de comportamento de hábitos e de consumo, impulsionada pelos chamados "flexitarianos".

Marcas nacionais disputam fatia

A The New é uma das cerca de 30 marcas com distribuição regional, além de grandes frigoríficos, como a JBS, que disputam fatia desse mercado. A startup aumentou a sua produção em 15 vezes, por meio da nova fábrica, e aposta em nova fórmula, com previsão de crescimento de 500% até 2022. 

Pioneira no lançamento do hambúrguer análogo, a Fazenda Futuro também recebeu aporte milionário em novembro para expandir a atuação para o maior mercado do mundo, os Estados Unidos, e lançou atum vegetal pronto para consumo. A Wessel, veterana do churrasco, foi outra que viu seu faturamento triplicar com a demanda vegana.

Além da carne bovina análoga, uma ampla variedade de opções está agora disponível nos supermercados e restaurantes, e mais empresas estão procurando entrar em ação. De outubro para cá, ao menos três startups, Not.Co, N.Ovo e The New, lançaram produtos de frango. Entre os ingredientes, é mais comum encontrar proteína à base de soja e de ervilha, mas já há empresas desenvolvendo alimentos com outras fontes vegetais, como a jaca

Novas marcas de carne vegetal ainda devem surgir no Brasil em 2022, caso da Next Gen Foods, criada por brasileiro em Cingapura e avaliada em milhões.  

Leite vegetal explode com variedades sem soja

Não só as carnes estão despontando no mercado plant based. Os brasileiros nunca consumiram tanto leite vegetal. Enquanto a soja amarga queda, outras opções de bebidas vegetais tiveram alta de 540% nos últimos cinco anos. 

Foodtechs como Vida Veg e Positive Brands, pioneira no setor com A Tal da Castanha, apostam na pegada sustentável e na promessa de melhor experiência de consumo, para atender um público mais consciente

Somando gigantes de alimentos, como Ades, Vigor e Batavo, hoje há mais de 40 marcas no País atuando no mercado de bebidas vegetais em nível nacional e ao menos 15 matérias-primas sendo utilizadas como ingredientes, fora os blends (misturas), de acordo com levantamento do GFI. 

Dentre os leites vegetais que mais crescem no setor, os de aveia e de castanhas vêm ganhando espaço no mercado e trazendo lucros para empresas brasileiras, como a Nude e a Nice Milk. 

Carne de laboratório já é realidade no Brasil

O leque das proteínas alternativas ainda inclui a carne cultivada, também chamada de artificial, sintética ou ‘limpa’, a qual já é uma realidade no Brasil. Embora seja um mercado incipiente no País e no mundo, os investimentos bateram recorde em 2020

A tecnologia cara, mas disruptiva, deve alcançar preços competitivos com maior escala, acreditam especialistas ouvidos pelo Estadão. Estudos já demonstraram, inclusive, que a carne de laboratório pode minimizar impactos de desmatamento e de doenças infecciosas

Além da BRF e da JBS, que anunciaram este ano investimentos em empresas estrangeiras, recentemente, foi fundada a primeira startup de carne de laboratório com tecnologia 100% brasileira.

Em entrevista ao Estadão, Marcel Sacco, vice-presidente de Novos Negócios da BRF, informou que a companhia espera lançar sua carne cultivada no Brasil a partir de 2024, contudo, a novidade, assim como as carnes e leites vegetais, ainda tem como desafio os custos e a falta de marcos regulatórios de órgãos como Anvisa e Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). 

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