Bloco Sargento Pimenta desfilou na Vila Madalena em 2015 e este ano vai tocar em frente ao Campo de Marte
Bloco Sargento Pimenta desfilou na Vila Madalena em 2015 e este ano vai tocar em frente ao Campo de Marte

Carnaval cresce e atrai blocos cada vez mais profissionais

Impacto da festa de rua na economia da cidade pode chegar a R$ 250 milhões este ano ante R$ 181 milhões em 2015

Gisele Tamamar, O Estado de S. Paulo,

26 de janeiro de 2016 | 07h17

O que começou na maioria dos casos como brincadeira virou coisa séria, pelo menos no planejamento e na gestão. Os blocos de carnaval, devido ao enorme sucesso dos últimos anos, se profissionalizarem e ganharam status de empresas.

::: Saiba tudo sobre :::

Mercado de franquias

O futuro das startups

Grandes empresários

Minha história

Agora, os blocos se organizam durante todo o ano para cumprir uma agenda que envolve shows, oficinas de percussão, ensaios e seus líderes fazem negociações para conseguir patrocínio para os desfiles.

Os números da festa de São Paulo mostram o crescimento desses grupos. O carnaval paulistano deste ano soma 355 blocos inscritos, crescimento de 34,4% em relação aos 264 que participaram da festa durante o ano passado. A folia de rua também ajuda a movimentar a economia da cidade e o secretário municipal para assuntos do turismo, Salvador Zimbaldi, acredita que esse impacto pode chegar aos R$ 250 milhões este ano ante os R$ 181 milhões registrados em 2015.

“Os blocos acabam gerando uma possibilidade maior de renda para o comércio local, eles estão esparramados pela cidade”, afirma Zimbaldi. Os blocos cariocas Sargento Pimenta e Bangalafumenga, por exemplo, vão se encontrar em frente ao Campo de Marte. O idealizador do “Banga”, Rodrigo Maranhão, acredita que houve um avanço na gestão. “Com o tempo fomos melhorando o nível da bateria, fazendo oficinas. O bloco foi naturalmente se profissionalizando e virou trabalho para muita gente.”

O Banga trabalha em parceria com a Oficina da Alegria, que oferece aulas de percussão durante o ano e faz a formatura das turmas durante a folia. “As pessoas acham que fazer carnaval é fácil. É caríssimo. Por isso, precisa de apoio, de patrocínio para a aparelhagem de som, para montar a estrutura”, afirma.

A dificuldade é a mesma no Sargento Pimenta. O grupo começou em 2010 com amigos dispostos a criar o próprio bloco. Eles eram funcionários de multinacionais, advogados e médicos que se juntaram com outros amigos músicos. O próprio perfil dos integrantes levou-os a uma rotina que envolveu a abertura de um escritório de representação artística para negociação de shows ao longo do ano.

O diretor musical e vocalista, Leandro Donner, explica que o bloco faz apresentações ao longo do ano por todo o Brasil e também promove oficinas. “Temos alguns eixos de atuação. E o eixo carnaval não é lucrativo. É um chamariz e uma festa muito bacana. Estamos organizados como uma empresa. O dinheiro que a gente junta ao longo do ano serve para pagar o carnaval de alguma forma”, diz. “Dia de carnaval é dia de vermelho, não dá lucro, é caro, mas tem a exposição de marca. Há dois anos tínhamos quatro patrocinadores, hoje são dois.”

O bloco também vende camisetas, já lançou coleções com marcas parceiras. Os planos para o futuro incluem o investimento de gravações que permitiriam o uso das músicas em comerciais e a exploração de mais produtos da marca.

Pedro Luís, um dos fundadores do Monobloco, também não descarta um projeto para a venda de produtos com a marca, como instrumentos de percussão e itens como baquetas. Por enquanto, eles vendem camisetas.

A ideia de criar o Monobloco surgiu quando a banda Pedro Luís e a Parede foi fazer um show e uma oficina de percussão no Sesc Vila Mariana. Na volta para o Rio, os integrantes resolveram organizar uma oficina permanente e criar o bloco carnavalesco que tomou grandes proporções e estreia no carnaval de rua de São Paulo este ano. “O carnaval não cabe só essa atmosfera profissional. O carnaval tem que comportar a irreverência”, ressalta Pedro Luís.

:: Oficina organiza desfiles ::

Responsável pela organização dos desfiles dos blocos Sargento Pimenta e Bangalafumenga em São Paulo, a Oficina da Alegria foi criada por dois empreendedores que largaram suas carreiras em multinacionais em busca de algo que “fizesse sentido para suas vidas”. Alan Edelstein e Flavia Doria foram em busca de algo que mesclasse paixões pessoais e trabalho até criarem a oficina.

“A nossa motivação é produzir sorriso e incentivar a ocupação do espaço público por meio de ações culturais que a gente desenvolve”, diz Alan. A dupla sempre gostou muito de carnaval de rua e adorava a festa carioca. Mas o que se encontrava em São Paulo era só escola de samba ou uma escola de música tradicional. “Pensamos: por que não trazer o Banga para tocar em São Paulo? Começou com uma questão pessoal nossa.”

A primeira oficina de percussão atraiu 80 alunos, em 2011 e o primeiro desfile do Banga em São Paulo ocorreu no ano seguinte. Hoje, a oficina também realiza os ensaios abertos para os blocos Sargento Pimenta, por exemplo, e criou a Banda do Bloquinho. 

O empresário afirma que o carnaval de rua foi afetado pela crise. Em relação ao ano passado, a verba de patrocinadores caiu 30%. “É uma situação difícil, já que, por outro lado, o carnaval de rua só cresce em público e a estrutura tem que ser maior”, explica.

Além do trabalho com os blocos, a empresa realiza oficinas de percussão em grandes empresas. Segundo Edelstein, o negócio se paga, mas não é suficiente para os sócios dependerem apenas da empresa. Por isso, eles mantêm atividades paralelas. O empresário, por exemplo, tem o Rincon Escondido, um projeto gastronômico para realizar eventos fechados para empresas e pessoas, diferente de uma experiência em um restaurante tradicional.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.