Felipe Rau/Estadão
Felipe Rau/Estadão

Camila Coutinho: influenciadora de moda, nativa digital e escalável

Com mais de 2,4 milhões de seguidores, a recifense fez de seu nome uma empresa e fecha negócios com multinacionais

Letícia Ginak, O Estado de S.Paulo

29 de outubro de 2019 | 16h00

Já ouviu falar das empresas Garotas Estúpidas e Camila Coutinho? Multinacionais da indústria da moda e agências de publicidade as têm no topo de suas listas para campanhas, contratos de licenciamento de produtos e disputam visibilidade em seus canais online. Ainda não se situou?

Uma das pioneiras dos blogs de moda, a pessoa física Camila Coutinho desbrava a internet há 13 anos, desde que era estudante de design de moda. Passou por períodos em que o Instagram ainda não existia, muito menos o termo influenciador digital. Com o Garotas Estúpidas, blog que começou como uma plataforma para falar do mundo das celebridades e da moda, ela transformou seu hobby em negócio.

Nativa digital, disruptiva e escalável. Parece uma startup. Mas é Camila Coutinho. Recifense, residente em São Paulo. Tem 32 anos de idade e 2,4 milhões de seguidores. Camila assinou o primeiro licenciamento de produto em 2015 para uma coleção da Riachuelo e, no mesmo ano, tornou-se embaixadora digital da Pantene no Brasil. Desde então, assinou contratos com marcas como Hering, H.Stern, Nivea e TRESemmé.

Para posicionamento de marca, Camila - a pessoa física - é presença garantida nas semanas de moda mais importantes do mundo. Já Camila - a pessoa jurídica - mantém uma empresa com equipe de seis pessoas, além dela. “É estranho ainda me ver como CEO.”

Ela não revela números de faturamento, mas conta que, após um reposicionamento do Garotas Estúpidas, do ano passado para cá a marca cresceu 600%, ao deixar as repostagens de lado e focar em conteúdo exclusivo.

Mudança de @

A história remonta a 2006, quando lançou o blog Garotas Estúpidas. Aos 20 anos, tinha tanto acesso no site que, após uma conversa despretensiosa com o pai, resolveu registrar o domínio. “Ele me disse que eu deveria comprar o nome e registrar o domínio porque poderia virar algo legal”, conta. E virou. 

Logo em seguida à compra, entrou o primeiro anúncio - de uma instituição de ensino. No segundo, de uma marca norte-americana de óculos, Camila já começou a enxergar o blog como negócio. “Rapidamente eu já estava abrindo uma empresa, contratando contador e me portando de maneira diferente”, lembra.

Por cerca de oito anos, Camila Coutinho era a voz e o rosto do endereço. Cravou seu nome no mundo da moda e na internet. Acompanhou mudanças importantes, como a chegada das redes sociais, principalmente o Instagram, que a levou inclusive a adaptar o modelo do negócio. 

Há cinco anos, decidiu separar as marcas Garotas Estúpidas e Camila Coutinho. “Eu era o @garotasestupidas no Instagram e já tinha 1 milhão de seguidores. Decidi separar os perfis por feeling, após participar de um evento em Los Angeles. Tinha que limitar as postagens que fazia mesmo tendo muito conteúdo”, conta ela, explicando que não dava para só falar de Camila Coutinho no Garotas Estúpidas.

Em 2014, buscou @camilacoutinho no Instagram e descobriu que já tinha dona. Resolveu comprar o domínio. “Posso dizer que foi a melhor coisa que já comprei na minha vida”, confessa, aos risos.

“Foi um investimento de branding. Tinha percebido que eram duas marcas independentes, com forças diferentes. Comercialmente falando, hoje eu tenho ações que vendo só para Garotas Estúpidas e outras só para Camila Coutinho”, conta.

Entre as ações comerciais do Garotas Estúpidas, que tem 1,2 milhão de seguidores, está uma linha de maquiagem da Dior.

Relação marca e público 

Assim como Camila acompanha a evolução da internet, ela também vive as mudanças no comportamento do seguidor/consumidor. O ponto principal é o posicionamento de suas marcas, ou de marcas parceiras, sobre temas que causam grande engajamento e comoção nas redes sociais.

“Estamos no meio de uma mudança muito grande. Pela primeira vez, desde que comecei, eu tive que ligar para uma marca para ouvir uma satisfação sobre um erro que cometeram”, revela ela, que é cobrada por seus seguidores.

Sobre sua atitude individual, independentemente de marcas parceiras, Camila é categórica. “As pessoas se tornaram marcas e isso é um casamento de valores. Não é sobre ter mais seguidores, mas cuidar bem da comunidade que você já tem. E às vezes isso significa perder seguidores e ganhar em posicionamento.” 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

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Camila em making-off de campanha para uma marca de sapatos. Foto: Reprodução/Instagram 

Hoje com seus dois negócios dentro do Instagram, Camila reflete sobre essa dependência, mas lembra que viveu muito tempo na internet sem a rede social e pensa que há outras coisas por vir. “Se o Instagram acabar, vai estar todo mundo no mesmo barco e vai ter uma outra coisa aí, para a gente usar.”

Atualmente em uma viagem na China, Camila quer conhecer e explorar o potencial do streaming. “É uma viagem de estudo, para ver o que está acontecendo por lá. Também penso que o Whatsapp é uma coisa muito forte, porque as comunidades são muito fortes. Você ter o e-mail do seu leitor ou um outro contato, uma outra forma de falar com ele, é muito importante.”

Já me segue? 

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