Nilton Fukuda/AE
Nilton Fukuda/AE

Cai diferença entre salários pagos por grandes e pequenas empresas

Entre 2000 e 2010, a remuneração nos pequenos negócios subiu 14,3% em valores reais, enquanto a das grandes avançou 4,3%

Carolina Dall'Olio, do Estadão PME,

05 de dezembro de 2011 | 11h53

As grandes empresas sempre ofereceram salários melhores que aqueles pagos pelos pequenos empreendimentos ­– o que justifica, em parte, a dificuldade dos pequenos para reter talentos. Mas lentamente isso está mudando. Em 2000, a remuneração média nos negócios de pequeno porte era 43,8% inferior à das grandes empresas. Em 2010, a diferença baixou para 38,4%.

 

As informações contam no Anuário do Trabalho, elaborado pelo Sebrae em parceria com o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) e divulgado nesta segunda-feira (05). Em 2010, o funcionário de uma pequena empresa ganhava em média R$ 1.099, contra R$1786 nas grandes companhias. A média nacional era de R$1.431.

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A redução da diferença salarial ocorreu porque o crescimento dos salários ocorreu de forma mais acelerada nas pequenas empresas. Entre 2000 e 2010, a remuneração nos pequenos negócios subiu 14,3% em valores reais, já descontada a inflação do período. No mesmo prazo, o salário nas grandes e médias empresas avançou 4,3%.

“Para muitas pessoas, o primeiro emprego surge nas micro e pequenas empresas. O segmento responde por mais da metade das vagas formais, emprega quase 15 milhões de brasileiros, por isso é tão significativo este avanço da remuneração. Demonstra o fortalecimento dos pequenos negócios e gera impacto direto na renda da população“, afirma o presidente do Sebrae Nacional, Luiz Barretto. Os micro e pequenos negócios respondem por 40% da massa de salários paga no país.

O Brasil conta com mais de 6 milhões de empresas, sendo 99% delas micro ou pequenas. Destas, 62% possuem funcionários e 38% não têm empregados, mas geram ocupação para os proprietários. Na última década, as pequenas e microempresas geraram 6,1 milhões de novos empregos formais – 48% do total de postos de trabalho criados em dez anos.

O número de pessoas com carteira de trabalho assinada por micro e pequenas empresas saltou de 8,6 milhões em 2000 para 14,7 milhões em 2010, o que corresponde a 51,6% do total de postos de trabalho em todo o Brasil.

O comércio é o setor com o maior número de micro e pequenas empresas - 51,5% do total – e também o que mais gera postos de trabalho: 41% dos trabalhadores das MPE atuam na área. Em conseqüência, 38,2% da massa salarial das MPE é decorrente dos estabelecimentos do comércio.

O Anuário do Trabalho da Micro e Pequena Empresa é uma publicação do Sebrae, em parceria com o Dieese, com base em diferentes fontes de informação. O objetivo é reunir um conjunto de dados sobre o perfil e dinâmica do segmento dos micro e pequenos negócios. A pesquisa utiliza informações da Rais, registro administrativo do Ministério do Trabalho e Emprego, da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), da Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED), do Dieese e da Fundação Seade.

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