João Milet Meirelles/Estadão
João Milet Meirelles/Estadão

Cadeia se une para superar catástrofe

Primeiro foco da praga da vassoura de bruxa na maior região cacaueira do Brasil foi identificado em 1985

Roberta Cardoso, especial para o Estado,

26 de novembro de 2014 | 07h15

O primeiro foco da praga da vassoura de bruxa na maior região cacaueira do Brasil, o sul da Bahia, foi identificado em 1985. João Tavares tinha 24 anos e estava ao lado do pai quando ele recebeu a notícia de que a peste tinha chegado até a fazenda da família, uma verdadeira catástrofe, responsável por fechar 250 mil postos de trabalho e transformar a região.

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A fazenda Deolinda, propriedade da família de João, ilustra bem o quanto a população foi afetada. Antes da peste, ela produzia cerca de 26 mil arrobas de cacau. Em 1995, apenas 1,2 mil. “A gente não tinha ideia do tamanho do problema. Ele veio muito rápido. De uma hora pra outra, as pessoas não tinham o que comer. Acabou o capital.”

Nesse cenário, João Tavares sobreviveu, renasceu e sua sorte mudou quando um francês chegou a região e desafiou os poucos produtores locais. Ele queria um fruto de extrema qualidade e João se empenhou nessa tarefa. A primeira safra não foi boa a ponto de efetivar a venda. Porém, foi o embrião de um movimento que, mais tarde, colocou o cacau produzido pelo empresário na lista dos melhores do mundo por dois anos consecutivos, certificação recebida na maior feira do setor, o Salão do Chocolate da França.

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Com reconhecimento internacional, Tavares passou a atrair chocolateiros do mundo inteiro. Hoje, 40% da sua produção é destinada ao mercado internacional. Os outros 60% são comercializados no Brasil.

O árduo trabalho dos produtores de cacau para recuperar suas plantações surtiu efeito. Pequenos fabricantes de chocolate passaram a ter uma conversa mais direta com os produtores e juntos extraem matéria-prima de qualidade.

A Nugali, pequena fabricante de chocolate de Santa Catarina, foi uma das empresas que aportou na região em busca de um cacau premium. Fundada pelo casal Maite Lang e Ivan Blumenschein em 2004, a empresa começou com três colaboradores e produção de 500 quilos ao mês. Hoje, produz 10 toneladas, conta com 30 funcionários e tem previsão de faturar R$ 5 milhões em 2015. “Temos crescido cerca de 30% ao ano e estamos construindo uma fábrica nova”, diz Ivan.

A reversão da crise dos pequenos produtores de cacau ainda não está concluída, mas agora há otimismo. “Ainda devo para o banco por causa dos planos de recuperação da fazenda, mas minha alegria é ver que a região tem potencial de viver um novo momento”, diz Tavares. 

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