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Buzina Food Truck e Beleza Natural criaram marcas fortes por meio de uma boa gestão

Empreendedores e CEOs contam casos de sucesso nos negócios na #SemanaProPME

Letícia Ginak, Especial para, O Estado de S.Paulo

24 de outubro de 2017 | 09h13

Em meados de 2014, a cidade de São Paulo vivenciou uma verdadeira avalanche de um novo e então revolucionário negócio: os food trucks. A onda da comida de rua invadiu desde pátios de grandes empresas que chamavam os caminhões para “alimentar” seus funcionários em almoços mais descontraídos até mesmo a construção de parques totalmente voltados para abrigar dezenas de trucks. Porém, a derrocada veio mais rápido do que se esperava, com muitos empreendedores que apostaram no segmento estacionando de vez seus caminhões em 2017 para nunca mais rodar por causa dos efeitos da crise.

Um dos precursores desse movimento da comida de rua paulistana foi o Buzina Food Truck, dos cozinheiros Jorge Gonzalez e Márcio Silva, que não apenas resistiu às crise de conceito e também a econômica, como firmou sua qualidade. Hoje são dois trucks que rodam por São Paulo e em  eventos fechados, uma cozinha de produção e um espaço físico, recém-inaugurado no bairro de Pinheiros. A fórmula para a permanência e o sucesso foi manter a essência do negócio e dar um passo de cada vez. “Começamos há quatro anos com um sonho, uma ideia e uma necessidade de mercado que não tinha. Éramos eu e o Márcio e mais dois contratados para fazer o negócio andar. Em aproximadamente oito meses a gente já tinha o segundo caminhão e isso nos ocupou bastante. Sempre focamos na rua. Por isso demoramos quatro anos para abrir um local físico”, conta Jorge Gonzalez. 

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Com a explosão do mercado em 2015, o Buzina teve que acompanhar as mudanças do segmento no qual foram pioneiros. Foi então que a gestão do negócio começou a ficar mais complexa, mas também mais forte. “Hoje é mais difícil porque a gente tem mais negócios. Atualmente a prioridade é passar tudo o que a gente foi aprendendo nesses quatro anos para esse novo local, o espaço físico, para que ele tenha a mesma energia, a mesma qualidade na comida e no serviço, que eu acho que é uma das coisas mais importantes. Para mim, atendimento e serviço são essenciais para o negócio”, diz Gonzalez. O foco é na loja que acabaram de inaugurar, mas Gonzalez conta que a marca não pode parar e que os negócios que já existem precisam manter o padrão. “Passamos nos dois food trucks sempre que podemos, ficamos de olho aberto para futuros negócios, já tivemos propostas de shoppings e até de abertura em outras cidades. Mas a gente está crescendo em um ritmo que conseguimos controlar”, pondera. 

A equipe que começou com duas pessoas, além de Gonzalez e Silva, hoje conta com 25 funcionários. Para Gonzalez, a gestão de pessoas feita de uma forma competente é um dos principais fatores para o sucesso de qualquer negócio. “Eu acho que é preciso ter respeito pelo ser humano e a bagagem que ele traz. Se você ver essa pessoa como um simples funcionário você perde a noção de ser humano  e esse rótulo acaba levando alguns líderes para um caminho que não é legal, fazendo com que ele perca talentos. Obviamente que a equipe também tem que ser bem paga, não tem milagre e tem muita concorrência na cidade. E é muito importante escutar. Acho que nós, como donos, temos muita ansiedade, uma necessidade de querer mandar e dirigir sempre. Mas um bom líder precisa escutar para poder atender as pessoas e resolver os problemas. E muitas soluções vêm dos funcionários. Eu me apoio muitos nas pessoas, sem eles não teríamos nada”. 

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Além de cuidar da equipe, Gonzalez acredita que é preciso motivar com autonomia. “Temos um membro que começou quando tínhamos seis meses de operação. Hoje ele é o líder dos dois food trucks, toma conta da manutenção dos caminhões, faz a escala dos funcionários. É preciso dar autonomia, porque assim eu também fico livre para fazer outras coisas. O gestor precisa correr atrás de novidades, seja de cardápio ou de preço. E se eu cresço, eles crescem comigo”, finaliza Gonzalez. 

DO QUINTAL DE CASA PARA O MERCADO INTERNACIONAL 

Em 1993 nascia no fundo de um quintal na Zona Norte do Rio de Janeiro o Beleza Natural, salão especializado em recuperar a autoestima das mulheres valorizando os cabelos crespos, cacheados e ondulados. Zica Assis, Leila Velez, Jair Conde e Rogérios Assis se juntaram para abrir o negócio e permanecem lado a lado até hoje. Com a harmonia e foco total nos negócios, o negócio prosperou: atualmente atende mais de 130 mil clientes por mês em 42 unidades espalhadas por cinco estados brasileiros. Em 2017, surgiu a oportunidade de expansão internacional, com a inauguração de um instituto em e Nova York, nos Estados Unidos. 

Cada sócio apresenta habilidades diferentes, que “por sorte acabaram se completando e abrangendo todas as frentes da empresa de uma maneira muito harmônica”, diz Leila Velez, CEO da empresa. “Respeitamos o espaço do outro, vimos o quanto isso é benéfico para os negócios. No início, se houvesse uma disputa de opiniões e se o assunto fosse compatível com determinado sócio, a palavra final era dele. A gente conseguiu ter um modelo que funciona bem até hoje”, explica a CEO. 

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O conhecimento em gestão dos quatro empreendedores na época da abertura do negócio era mínima. Velez conta que a experiência que teve como atende e gerente da rede Mc Donald’s, quando tinha apenas aos 16 anos, a ajudou no desenvolvimento do negócio. Para a empresária, a  experiência adquirida, tanto com padrões e com processos, vale para qualquer tipo de setor e de negócio. “Eu sempre brinco que o McDonald’s foi o meu primeiro MBA. Tudo o que eu aprendi não serve só para fazer hambúrguer. Muitas vezes as pessoas estão participando de uma organização ou de um projeto deixam de levar na bagagem muitas coisas preciosas. Eu acho que isso tudo o que vivemos é transferível, e foi muito o que aconteceu com a nossa história”, pondera Velez. 

Velez explica que o auxílio de empresas que cuidam do pequeno empreendedor, como o SEBRAE, e pequenos empresários que faziam parte da rede de relacionamentos dos sócios, contribuíram na capacitação dos empreendedores. “Não importa o tamanho da empresa, quanto mais a gente busca a excelência, mais chance de sucesso o negócio vai ter. A gente começou lendo revistas especializadas, conversando com o empresário que era acessível naquele momento, como o dono da loja da esquina, por exemplo. Instituições como SEBRAE, que já têm uma estrutura para o pequeno empreendedor, funcionam também como uma espécie de atalho”. Para Velez, aprimorar e aprofundar conhecimentos em gestão não faz parte apenas do início da empresa, mas sim uma rotina para o empreendedor. Uma forma de manter a empresa saudável e próspera é ter colaboradores altamente qualificados. “Sempre acreditamos que a chave do sucesso são as pessoas e, por isso, sempre tentamos buscar pessoas que eram melhores do que nós. Por menor que a empresa seja, você deve buscar sempre ter os melhores colaboradores, o melhor time possível”, afirma. 

Um dos alertas que a empresária faz para quem vai abrir o próprio negócio com uma estrutura que envolve sócios é ter atenção com o contrato social feito entre as partes. “Muitos pequenos empreendedores olham para o contrato social como se fosse uma necessidade contábil, mas não é só isso. Esse contrato é um pacto entre os sócios, contém especificações daquilo o que é permitido ou não. No começo tudo são flores, mas vão surgir as dificuldades”, alerta.  Outro aspecto importante é delimitar os papéis de atuação de cada um para que, no futuro, os conflitos de relacionamento não impactem na empresa. “ Muitas coisas podem acontecer e impactar no negócio. Mas, se elas forem pensadas e previstas antes da primeira briga, as coisas fluem mais tranquilas. Se não, isso pode até matar o negócio”, alerta.

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