Sergio Castro/Estadão
Sergio Castro/Estadão

Busca por crédito entre pequenos empresários deve crescer até 40% em 2013

Estimativa é da associação das instituições financeiras de desenvolvimento, que emprestaram R$ 107 bilhões apenas no ano passado

GISELE TAMAMAR, ESTADÃO PME,

28 de agosto de 2013 | 06h20

Pequenas e médias empresas brasileiras contrataram R$ 107 bilhões em crédito, em 2012, nas agências de fomento, bancos públicos comerciais e bancos de desenvolvimento regionais e estaduais. O levantamento foi feito pela Associação Brasileira de Instituições Financeiras de Desenvolvimento (ABDE). O balanço ainda aponta a liberação de R$ 7 bilhões para operações de microcrédito. Para este ano, a entidade estima aumento de 35% a 40% na procura pelas linhas de crédito.

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“O crédito é fundamental para o desenvolvimento. É impossível que haja crescimento de um País, de uma empresa, sem a disponibilidade de crédito”, afirma Marco Antonio de Araujo Lima, superintendente-executivo da ABDE.

Sobre o aumento da concessão este ano, apesar da turbulência na economia, Lima afirma que a previsão corrobora a missão das agências de fomento e bancos de desenvolvimento de atuarem de maneira anticíclica, de modo a intensificar a concessão de crédito em momentos de menor atividade econômica. Essas instituições têm como característica oferecerem crédito com taxas de juros mais competitivas em relação às ofertas tradicionais.

Apenas na Desenvolve SP, instituição mantida pelo governo do Estado de São Paulo, foram liberados R$ 125,1 milhões entre janeiro e abril deste ano, trata-se de 9% a mais em relação aos R$ 115,2 milhões ofertados no mesmo período de 2012.

“Diferentemente dos bancos convencionais que financiam capital de giro, o papel das agências de fomento é financiar a expansão e a introdução de novas tecnologias para dar mais competitividade às empresas”, afirma o presidente da Desenvolve SP, Milton Luiz de Melo Santos.

Do total de recursos liberados pela instituição paulista, 70% foram direcionados para projetos de investimentos ligados à modernização e ampliação e apenas 30% para as operações de capital de giro.

Após pesquisar em outras instituições, Roberto Rehder optou por uma linha do banco de desenvolvimento paulista para financiar a construção de uma nova planta para a empresa Novo Mel. “Com o início das exportações e a criação de uma startup de biotecnologia para desenvolver ingredientes naturais a base de extrato de própolis, vislumbramos a necessidade da expansão da nossa planta que estava perto do limite da capacidade de produção”, diz Rehder.

A empresa obteve R$ 960 mil de crédito, sendo R$ 800 mil para obras e R$ 160 mil de capital de giro. O montante será pago em quatro anos, com taxa de 9% ao ano mais a variação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Além dessas condições, a carência de 12 meses foi fundamental para a empresa se estruturar. “Precisamos abrir as portas para começar a dar retorno. Sem esse período, não conseguiríamos”, afirma Roberto Rehder, que exporta os produtos da Novo Mel atualmente para China, Canadá, Estados Unidos, Angola e Dubai.

Os recursos foram liberados em dezembro de 2011 e as obras da nova planta, em Cotia, duraram um ano. A empresa processa 100 toneladas de mel por ano e faturou R$ 2 milhões no ano passado.

Orientação. Para o superintendente da ABDE, o empresário interessado no crédito precisa procurar as agências e bancos de desenvolvimento do seu estado. Nos sites das instituições é possível pesquisar, simular opções e até solicitar o financiamento. “O sistema nacional de fomento está trabalhando no sentido de viabilizar e mostrar a importância de retomar o investimento. E tem recursos disponíveis”, afirma Lima.

:: Confira algumas dicas da Associação Brasileira de Instituições Financeiras de Desenvolvimento (Abde) para capitalizar a empresa em cada uma das cinco regiões brasileiras ::

Sudeste

A Agência de Fomento do Estado do Rio de Janeiro (AgeRio) tem o fundo UPP  Empreendedor, que concede financiamentos de R$ 300 e R$ 15 mil, com juros mensais de 0,25% e até 24 meses para pagar, para microempresários de comunidades pacificadas como pacificadas como Cidade de Deus, Batan, Babilônia, Chapéu-Mangueira, Tabajara e Complexo do Alemão. Mais informações no http://www.agerio.com.br/index.php/pt_br/para-voce/fundo-upp-empreendedor

O Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG) tem crédito para empresas que faturam até R$ 30 milhões ao ano. Liberação em até 5 dias. Para saber mais, o site é http://www.bdmg.mg.gov.br

No Espírito Santo, o Banco de Desenvolvimento do Estado (Bande) concede crédito de até R$ 10 milhões para MPMEs interessadas em realizar obras civis ou investir na renovação de máquinas, equipamentos, móveis e utensílios. O site da entidade é http://www.bandes.com.br/site/

A Desenvolve SP, Agência de Desenvolvimento Paulista, tem como foco projetos de expansão, ampliação e modernização das plantas, o chamado investimento em capital fixo, necessário para o crescimento do País. O limite máximo de financiamento é de R$ 30 milhões. Informações no http://desenvolvesp.com.br/

Sul

A Fomento Paraná realiza financiamento para pessoas físicas que estão iniciando um empreendimento ou que já exercem uma atividade produtiva, mas ainda não formalizaram o negócio, seja como empreendedor individual ou empresa, que tenha faturamento bruto anual de até R$ 60 mil e que precisem investir para iniciar, melhorar ou ampliar o empreendimento Para saber mais, acesse http://www.fomento.pr.gov.br

Nordeste

A Agência Estadual de Fomento de Pernambuco (AGEFPE) tem o Programa de Microcrédito Produtivo Orientado e Integrado, cuja meta é oferecer linhas de financiamento especiais a empreendedores de pequeno porte, formais e informais, rurais e urbanos, inclusive artesãos e artistas plásticos. O prazo é de até 12 meses, incluindo três meses de carência. Mais detalhes no www.agefepe.pe.gov.br/‎

Em Alagoas, a agência estadual de fomento (Desenvolve) liberou mais de R$ 3 milhões em crédito produtivo este ano. Confira as linhas disponíveis em http://www.desenvolve-al.com.br

A Desenbahia oferece capital de giro de até 100% a proprietários de micro ou pequenas unidades econômicas. No site http://www.desenbahia.ba.gov.br/, o interessado pode realizar simulações de acordo com seu perfil.

Norte

O Banco do Estado do Pará tem a linha Banpará Comunidade, que é destinada a financiar micro e pequenos empreendedores, pessoas físicas do setor formal e informal, em atividade há pelo menos dois anos. Para saber mais acesse http://www.banparanet.com.br

A Agência de Fomento do Amazonas (Afeam) oferece financiamento fixo e misto para capitalizar micro e pequenas empresas, inclusive auto-escolas e consultórios odontológicos. Mais informações no http://www.afeam.am.gov.br/.

Centro-Oeste

Em Mato Grosso, a MT Fomento oferece até R$ 15 mil para que MPMEs possam viabilizar o financiamento de bens (novos e usados), serviços necessários à implantação e ao desempenho da atividade, adequação e/ou melhoria das instalações. O site da entidade é http://www.mtfomento.mt.gov.br/

Em Goiás, a agência estadual de fomento oferece financiamento de até R$ 2 milhões para empresas que decidem investir na região Centro-Oeste. Mais detalhes no http://www.fomento.goias.gov.br/index.

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