Brinquedos sem gênero puxam evolução de empresa gaúcha

Bloquinhos de madeira da Xalingo já apresentavam um menino e uma menina brincando na embalagem há 60 anos; empresa investe 10% do faturamento em linha sem gênero

Redação, O Estado de S.Paulo

01 de agosto de 2017 | 12h46

No final da década de 60, um dos brinquedos mais populares do país já estampava em sua embalagem um menino e uma menina brincando com bloquinhos de madeira. Sessenta anos depois, a empresa responsável pelo lançamento do clássico de várias gerações, a Xalingo, segue atenta às mudanças na sociedade. Às vésperas de completar 70 anos, a empresa de Santa Cruz do Sul (RS) procura acompanhar a evolução tecnológica e comportamental investindo na ampliação da linha sem gênero.  “Pretendemos lançar mais de 70 produtos e trabalhar para o crescimento da linha (sem gênero) que hoje representa 10% do faturamento”, revela Tamara Campos, gerente de marketing da Xalingo.

Com um catálogo com mais de 650 produtos e um faturamento que chegou aos R$ 110 milhões em 2016, conta com uma ajudinha de fora do Brasil para aumentar a diversidade do seu portifólio. Além dos brinquedos educativos que marcaram seu nascimento, o universo lúdico ganhou espaço e os licenciamentos também. 

Segundo Tamara, marcas de fora como Disney, Mattel, Marvel, impulsionam esse mercado. “Na nossa linha que imita o real já tínhamos brinquedos em cores neutras. Mas quando a Disney lançou Frozem e o personagem pegou, licenciamos os produtos que vinham na cor azul e isso deu abertura de mercado”, diz.  As panelinhas azuis caíram nas graças das mães. No entanto, os pais ainda eram responsáveis pelo maior número de reclamações que chegavam a empresa. “90% das mães elogiaram, mas 90% dos pais reclamavam. O impacto ainda é grande em itens que imitam o real. Na linha de playground e de esportes, os escorregadores, por exemplo, têm cores neutras. Mas quando chega nas panelinhas, na geladeira, as cores ainda geram muito impacto”, explica.

 

Clássico. Os bloquinhos de madeira que compõem o “Brincando de Engenheiro”, um dos primeiros brinquedos lançados pela marca, é um bom exemplo da sua política de evolução. “Desde a primeira embalagem ele já era identificado com duas crianças, também tinham bloquinhos de madeira rosa. Já foram vendidos mais de 8 milhões de cópias desde o lançamento. E até ele recebe reclamações por causa do nome…”. Segundo Tamara, ainda existem reclamações em relação ao nome do produto estar no masculino.

Além da questão de gênero, a tecnologia no desenvolvimento dos brinquedos também ganha atenção. “Modernizamos nossas linhas, até mesmo o Brincando de Engenheiro (hoje com peças de plástico além das de madeiras) mas sempre com um olhar educativo, onde a criança pode testar formatos, texturas, dimensões”, diz a gerente.

Interatividade também têm espaço. Lousas, quadros e apagadores ainda fazem a cabeça das crianças. Mas hoje a marca também oferece aplicativos para que os pais ajudem os filhos na montagem dos brinquedos e na realização das brincadeiras. “A questão da tecnologia preocupa os pais. Mas muito mais por uma confusão do que eles querem. Fazemos muitas pesquisas e análises dos produtos. Eles só são contrários a ela (tecnologia) quando não há estímulo, como dar um telefone ou tablet para a criança brincar sozinha. Quando há interação entre eles, a coisa muda e eles sentem participando mais ativamente das brincadeiras dos filhos”, finaliza.

 

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