JF Diorio/Estadão
JF Diorio/Estadão

Brechós abrem franquia dando suporte no estoque

Com nova abordagem de loja e ‘slow fashion’ em alta, mercado de roupas usadas vira opção para novos empreendedores

Rodrigo Sampaio, O Estado de S.Paulo

09 de novembro de 2019 | 13h00

Especial para o Estado

O comércio de produtos usados remonta a tempos antigos, especialmente quando se trata de roupas, que têm os brechós como principal referência. Entretanto, esse tipo de negócio vem ganhando mais espaço com a popularização do slow fashion. Conceito que condena o consumo desenfreado e prioriza a vida útil das peças, ele atrai pela sustentabilidade da economia circular e faz sucesso em sites como Enjoei, Troc e Mercado Livre. Agora, tem feito marcas com lojas físicas expandirem seus negócios em redes de franquias, caso da Arena Baby e do Brechó Agora É Meu.

A lógica de uma franquia, em que a marca franqueadora abastece seus franqueados, funciona aqui também, mas há espaço para outros modelos. No caso da Arena Baby, rede especializada em vestuário infantil, o franqueado também pode negociar o recebimento de doação de peças usadas para abastecer sua loja, seguindo as regras da marca.

Segundo a cofundadora Giovanna Domiciano, a primeira loja foi aberta em 2015 em Santo André (SP) com um investimento de apenas R$ 4 mil e as roupas usadas de seu sobrinho. Com exposição nas redes sociais, a marca logo atraiu a atenção de moradores.

“As pessoas vão até a nossa loja com o que quer trocar e nós fazemos uma avaliação criteriosa dos itens. Então, é feita uma oferta ao cliente, em dinheiro ou crédito na loja. Na loja, elas conseguem ter produtos diferentes por preços até 60% mais em conta que um novo no mercado”, explica ela.

O primeiro ano de funcionamento fechou com faturamento de R$ 450 mil e, no ano seguinte, a rede abriu para franquia, em 2016. Foram necessários ajustes no percurso: o aporte inicial para abertura de uma loja custava R$ 250 mil e acabou caindo para R$ 159 mil. No mês passado, depois de inaugurar até em Maceió e Salvador, a rede contabilizou a sua 10ª loja aberta, no bairro dos Jardins, na zona oeste da capital paulista. Segundo Giovanna, o faturamento anual médio da rede é de R$ 6,9 milhões.

Abastecimento de produtos

Para quem vai abrir uma franquia dessas, a matriz faz antecipadamente uma “captação” com divulgação por 20 dias, para atrair pessoas que queiram doar ou vender peças infantis. Depois disso, o franqueado recebe treinamento sobre como fazer essa curadoria sozinho, com a clientela que procurar sua loja.

No caso do Brechó Agora é Meu, boutique especializada em roupas e acessórios de luxo em Higienópolis, em São Paulo, a marca diz ter estoque suficiente para abastecer seus franqueados: 10 mil peças. A marca acaba de anunciar abertura para franquia e a primeira loja será inaugurada nos próximos meses em São José dos Campos (SP).

A marca diz se diferenciar pela curadoria do estoque, com peças de alta qualidade e pouco tempo de uso. “Prezamos por uma moda mais sustentável, e a roupa mais sustentável é a de brechó. Se realmente a peça é boa, ela não vai se deteriorar”, diz Danielle Kono, consultora de moda e cofundadora da marca. Aberta em 2017, a empresa diz ter faturado R$ 385 mil no primeiro ano de atividade.

Atualmente, a franquia custa R$ 184 mil, com a primeira leva de estoque incluído. Para empreendedores que não querem ter loja física, a marca oferece a Brechó Bag. Espécie de “sacoleira de luxo”, o modelo requer investimento de R$ 5.900 e permite aos interessados obter produtos da loja para revenda ficando com 100% do lucro.

"O sucesso do Brechó Agora é Meu se deve a termos acesso a marcas que no interior do Estado não se acha. Fazer a pulverização das peças por meio de franquias é o meio ideal", completa a outra fundadora da marca, Siomara Leite.

Tendência do mercado de segunda mão

O Relatório de Revenda Anual de 2019 da thredUP - uma das maiores lojas de revenda internacionais - apontou que as vendas de segunda mão, impulsionadas pelo consumo consciente, têm perspectivas positivas em todo o mundo nos próximos anos. Segundo a pesquisa, 64% das mulheres entrevistadas disseram já ter comprado ou que comprariam produtos usados. Até 2023, diz o estudo, o mercado deve movimentar valores na casa dos US$ 50 bilhões.

“Estamos passando por um processo de transformação comportamental muito forte. As novas gerações não privilegiam a posse, têm preocupações de sustentabilidade e consumo consciente. E o mercado tem de se adequar", diz o consultor Paulo Mendonça, membro do Conselho de Ética da ABF (Associação Brasileira de Franchising).

"O mercado de franquias não é para aventureiros. Para quem adquirir uma franquia, é importante sempre conversar com antigos franqueados, além de estudar bem o caso para saber se franqueador vai dar suporte para você ter sucesso no seu negócio”, destaca.

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