FELIPE RAU | ESTADÃO CONTEÚDO
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De olho em 'green card', brasileiros investem em rede de franquia nos EUA

Vontade de sair do País motiva o interesse de empresário e investidor por redes e marcas que atuam no exterior

Vivian Codogno Vitor Tavares, O Estado de S.Paulo

26 de outubro de 2016 | 06h00

O advogado Agnaldo Leal está prestes a abandonar a ponte aérea que liga São Paulo à cidade de Miami para se estabelecer de vez nos Estados Unidos. Preocupado com a insegurança da capital paulista, onde mora, e com a forte recessão econômica brasileira, Leal decidiu comprar uma franquia da americana Vitamin Planet, que vende suplementos alimentares e demanda um investimento inicial de US$ 230 mil.

Apesar da marca já estar no Brasil, o advogado seguiu o sonho de um número crescente de brasileiros que querem morar nos Estados Unidos em busca de qualidade de vida. De olho nessa movimentação, redes como a Vitamin Planet têm se mostrado receptivas ao candidato brasileiro a franqueado. Porém, ainda é difícil quantificar esse movimento, que começou a se intensificar, conforme apontam especialistas ouvidos pela reportagem, neste ano, reflexo da queda da cotação do dólar em relação ao real.

O Estado da Flórida é o destino preferido dos brasileiros para empreender. O grande número de latinos torna a barreira da língua menos árdua na região, além de ser um território já dominado por turistas brasileiros, como aconteceu com Leal.

“Eu conhecia Miami por viagens em família”, conta. “Tive contato com a marca e em uma das minhas idas (para Miami) fui convidado pela rede de franquia para uma visita, então decidi investir”, relembra.

No Brasil, empresas especializadas em promover intercâmbios entre franqueados e redes no exterior comemoram. A Global Franchise, que possui uma unidade em São Paulo e outra em Miami, viu as consultas de brasileiros saltarem de uma por mês em 2015, quando o dólar extrapolou os R$ 4, para uma por semana neste ano. O índice de concretização de negócios fechados é de cerca de 20%, ante os 5% do ano passado.

Para o diretor internacional da Global Franchise Wagner Almeida, a escolha das redes por brasileiros tem a ver com a qualificação do investidor que se propõe a ir para os EUA, que geralmente já acumula experiência como empresário no País. “Por outro lado, as marcas brasileiras não são conhecidas aqui (nos EUA) e abrir mercado, na perspectiva do franqueado, custa muito caro”, comenta.

Na consultoria empresarial America Expert, uma das principais motivações no fluxo de brasileiros para os Estados Unidos, segundo a avaliação da presidente Simone Oliveira, é a obtenção do visto de permanência no país. Ele pode ser conseguido por empreendedores que invistam, no mínimo, US$ 500 mil em um negócio por lá (leia sobre os vistos abaixo).

“As pessoas querem sair do Brasil de qualquer forma”, aponta Simone. “Com a abertura da possibilidade de visto de permanência e a queda do dólar, a curiosidade de investidores de outras camadas sociais foi despertada. Já tem muito brasileiro com green card nos Estados Unidos porque investiu há dois anos”, pondera a gerente.

Outra empresa especializada na transferência de novos investidores latinos para os Estados Unidos, a Globofran, tem recebido, em média, três contatos de interessados brasileiros por semana. A empresa atua há 4 anos na América Latina com foco principalmente na Venezuela, Colômbia e Equador e já levou mais de 100 famílias para a Flórida em busca de negócios. “A franquia é modelo mais indicado para se investir lá porque o brasileiro não conhece de fato o mercado americano”, pondera o consultor especializado em franquias para brasileiros da Globofran Jon Aboitz . “(O brasileiro) não sabe se tem concorrente, como são as leis trabalhistas. Não importa quão talentoso você é, tem que ter o know how de lá. Como imigrante, você tem que dar garantias que o seu negócio vai dar certo para você continuar lá”, pontua.

Visto permanente de residente é um atrativo importante

Marcelo Godke, um dos sócios da Godke Silva & Rocha Advogados, escritório especializado em vistos no exterior, lista a seguir quais são as formas de conseguir o documento de forma definitiva.

L1 - Para executivos e gerentes

Normalmente mais fácil de ser tirado, é quando empresas são autorizadas a transferir profissionais para os EUA. Pode abrir caminho para o green card.

E2 - Para quem vai investir

Indicado para investidores com passaporte de países que têm tratados de comércio e navegação com os EUA, como Itália, Espanha, França, Argentina.

EB-5: A opção do Brasil

O empresário deve investir pelo menos US$ 500 mil em áreas com baixa quantidade de emprego e pouca atividade econômica nos EUA.

O - Para artistas e médicos

Categoria específica para quem tem alguma ‘habilidade especial’. Serve para pessoas que criaram projetos, técnicas ou produtos inovadores.

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