Douglas Zimmerman
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Brasileiros comandam time de futebol do Vale do Silício inspirados no Google

Crescimento exponencial e disruptura tecnológica são armas do San Francisco Deltas para fazer sucesso entre empreendedores nerds

Renato Jakitas, O Estado de S. Paulo

07 de abril de 2017 | 05h00

A bola parece ser apenas um detalhe quando o assunto é o San Francisco Deltas, equipe do Vale Silício em sua primeira temporada na NSL, a segunda divisão do futebol profissional dos Estados Unidos. 

Inspirados em unicórnios bilionários como Uber, Facebook e Twitter, todos vizinhos do time, seus dirigentes têm colocado em prática conceitos avançados de startups, como crescimento exponencial, disruptura tecnológica e criação de ecossistemas, para faturar e arregimentar torcedores, ou fãs, como se diz nos EUA.

A receita é dialogar com um público que vive e trabalha na área da Baía de São Francisco sendo exatamente como ele: empreendedor e nerd. Para isso, seu fundador, o brasileiro Fabio Igel, sócio do fundo de investimentos Monashees, foi buscar parceiros dentro do ecossistema de inovação da região. 

Ainda em fase pré-operacional (sem time ou estádio, apenas com um projeto na mão), Igel levantou US$ 20 milhões de nomes como Brian Requarth, americano fundador do site de imóveis VivaReal, Bobby Jaros, do Yahoo, e John Dukellis, do Google, entre outros.

O presidente é Brian Andrés Helmick, colombiano fluente em português que já empreendeu e vendeu startups no Vale do Silício. E o diretor de relacionamento é Ricardo Stanford-Geromel, irmão do zagueiro Pedro Gerolmel, do Grêmio. A lista completa de diretores, investidores e funcionários está no site do time. Clicando nas fotos, o internauta é redirecionado para o perfil da pessoa no Linkedin.

Por falar em site, a página do San Francisco Deltas também foge do perfil das demais equipes de futebol, aqui do Brasil e da Europa. A equipe empregou no projeto conceitos modernos, típicos de empresas de tecnologia, com um número reduzido de páginas, poucos pontos para clicar e tocar, valendo-se muito mais da rolagem e deslizamento horizontal. A ideia por trás disso é transformar o site em produto. "Queremos escalar nosso site, vendendo para outros times de futebol aqui dos Estados Unidos", conta Geromel.

Com um score de seis jogos, quatro empates e duas vitórias, parte dos ingressos para toda a temporada foram vendidos antes do início do campeonato. Como chamariz para o público, o clube criou um modelo de emissão de ingressos por inteligência artificial. com isso, o torcedor pode escolher com quem ele gostaria de sentar em vez de escolher onde se sentar.

Assim como as startups, que promovem eventos para integrar a comunidade de empreendedores, o San Francisco Deltas promove eventos abertos para os torcedores, onde pode-se conhecer e conversar abertamente com jogadores, diretores e investidores. "A gente tem umas comidas, um café e as pessoas interagem a vontade", diz Geromel. 

O executivo também conta que, durante os jogos, o time optou por abrir a venda de alimentos para a concorrência de empreendedores locais, ao invés de manter o tradicional monopólio do dono do estádio sobre a comercialização de alimentos. "Temos tipo um food park. O preço cai e a experiência do torcedor é melhor."

Com todos essas inovações, resta agora para o San Francisco Deltas provar que conseguirá, assim, sobreviver em um mercado atípico e completamento distinto do da tecnologia . "Como toda empresa do Vale do Silício, a nossa é muito focada. Sinceramente, a gente não olha tanto para a receita financeira neste momento. Entedemos que estamos em um momento local, de dar certo com nosso torcedores. Por sorte, temos investidores que estão confortáveis, sem tanta pressão de resultados de curto prazo", afirma Geromel.

 

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