Sérgio Castro/Estadão
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Brasileiro vai gastar mais de R$ 43 bilhões com sapatos em 2014; confira chances para empreender

Existem pelo menos 8 mil empresas atuando no mercado hoje em dia, mas ainda há espaço para começar e crescer

Gisele Tamamar, Estadão PME,

28 de agosto de 2014 | 06h59

Pode ser apenas um detalhe no produto. Mas quem pretende investir em uma marca de sapatos no Brasil precisa de um diferencial para abocanhar parte dos R$ 43,4 bilhões previstos para serem gastos no setor este ano, 7,6% a mais em relação ao ano anterior, segundo dados do Ibope. Além disso, o empreendedor precisa saber que a concorrência é grande: são mais de 8 mil empresas, 94% micro e pequenos negócios.

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“O setor sempre oferece uma oportunidade e acolhe novas propostas de empresas que tenham capacidade de apresentar algo diferente”, destaca o presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), Heitor Klein.

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O professor de acessórios de moda da Faculdade Santa Marcelina, Guto Marinho, reforça o coro da diferenciação. “Na primeira aula eu pergunto: ‘Quais serão os diferenciais competitivos? Por que eu vou comprar o seu e não o dele? Qual será seu apelo?’”, destaca. O conforto da peça também é fator crítico para o sucesso. “A criação de um produto não envolve apenas se ele é mais bonito que o outro. Ele pode até vender porque é bonito, mas se machucar o pé o cliente não vai voltar.”

A empresária Luiza Perea já encontrou seu nicho. Na marca que leva seu nome, ela apostou em sapatos femininos confortáveis, feitos artesanalmente com design atemporal e saltos baixos. “Vemos que esse mercado é muito carente. Muitas clientes falam que os sapatos que as escolhiam e não elas escolhiam os sapatos”, diz Luiza, que conta atualmente com a irmã Mirela como sócia.

Hoje, a marca tem uma loja na Vila Madalena e prepara o lançamento do e-commerce no próximo mês. As irmãs vendem entre 200 e 230 pares de sapatos por mês, com preços que oscilam entre R$ 450 e R$ 500.

A aposta de Sandro Yamada também é no calçado artesanal. E bem artesanal. É ele quem cuida de todo o processo de fabricação e faz questão de costurar os sapatos a mão. “A produção é lenta. Tiro as medidas, converso com o cliente sobre a necessidade, gostos. Faço a modelagem, uma prova e, quando estiver tudo ‘ok’, vou fazer o original”, conta Yamada, que leva até 35 dias para finalizar cada par de calçados.

Quando Yamada começou a produzir os sapatos, a maioria dos clientes era de homens. “Até porque comecei a fazer botas para mim e o público masculino não é tão bem atendido como o feminino. Agora está quase igual”, conta o empresário.

O preço de venda reflete o modelo de produção e os pares custam entre R$ 2 mil e R$ 5 mil. Por trabalhar com produtos exclusivos, ele não descarta a criação de uma segunda marca, que envolva uma técnica de fabricação mais simples a fim de atender um público maior.

Já o design diferenciado dos sapatos fez a Louloux ressurgir no mercado. Depois da crise de 2008, o empresário Cristiano Bronzatto passou a usar as sobras de materiais de coleções anteriores e voltou a crescer.

Atualmente, a marca tem três lojas, produz 6 mil pares de sapatos por mês e planeja uma operação em Londres. “A marca tem um DNA muito forte. Temos um produto que as pessoas identificam na rua”, conta Bronzatto, que vende sapatos com preço médio de R$ 169.

Pequenos. A designer Daniela Gums, por outro lado, aposta em itens para crianças com até seis anos. “Eu sempre trabalhei como estilista e quando meus filhos nasceram eu tive dificuldade de encontrar calçados fáceis de calçar e que encantassem”, conta a empresária. Ao encontrar um nicho, ela resolveu abrir a Amoreco, um pequeno negócio que produz de acordo com a demanda, atualmente em 2 mil pares por mês.

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