Brasil está preparado para situação mais difícil, diz BC

Segundo presidente do BC, Alexandre Tombini, Brasil dispõe de "um conjunto de instrumentos mais fortalecidos"

Agência Estado,

12 de agosto de 2011 | 12h27

O presidente do Banco Central (BC), Alexandre Tombini, ressaltou hoje que o Brasil está preparado para uma eventual "situação mais difícil" decorrente da crise econômica mundial. "A primeira linha de defesa é o câmbio flutuante, que flutua para os dois lados", destacou. Segundo ele, devido à ação do governo em 2008, com várias políticas anticíclicas para mitigar os efeitos da recessão global no País, o Brasil dispõe de "um conjunto de instrumentos mais fortalecidos".

::: LEIA TAMBÉM:::

:: Volume de crédito tomado por empresas cresce ::

:: Crise na Europa vai afetar exportação ::

:: Exportação: entenda todas as etapas ::

"Atingimos US$ 350 bilhões de reservas internacionais. Os bancos (comerciais) têm no BC R$ 170 bilhões em depósitos compulsórios a mais do que antes da crise", destacou Tombini. Segundo ele, o Brasil possui carteiras de crédito menos arriscadas do que no final de 2010 devido às medidas prudenciais que o BC adotou, várias delas com o foco de tornar mais razoável a expansão do crédito do País. Ele citou, por exemplo, o caso de redução de prazos de financiamentos para a venda de produtos a consumidores.

Tombini afirmou que o Brasil também fez o "dever de casa" na busca da estabilidade de preços. "O Banco Central persegue a meta de 4,5% de inflação em 2012", destacou, frase que está ressaltando constantemente em todos os seus pronunciamentos recentes.

Tombini destacou ainda que a inflação está perdendo força no Brasil, sendo que em junho e julho o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) atingiu altas de 0,15% e 0,16%, respectivamente. Em maio, o índice registrou avanço de 0,47%.

Ele ressaltou novamente que de setembro deste ano a abril do ano que vem a inflação deve cair dois pontos porcentuais, de acordo com projeções de economistas de mercado. "A política creditícia e fiscal também colaboram para a convergência da inflação (à meta)", disse.

Basileia

O presidente do BC disse que a estabilidade econômica mundial nunca foi tão importante quanto nos últimos anos. Ele ressaltou que o acordo de Basileia 3 foi adotado com "lições" da crise financeira iniciada em 2007 e que o Brasil está avançado em várias tarefas relativas à implementação do acordo. "O BC tem se antecipado em vários pontos", destacou Tombini, citando entre esses progressos as questões sobre normas relativas a operações de derivativos.

Tombini afirmou que o atual estágio da crise econômica internacional é uma "segunda etapa da crise financeira", surgida em agosto de 2007, e que, portanto, completa hoje quatro anos. "É uma decorrência fiscal dos impactos daquela crise", comentou na abertura do sexto Seminário sobre Riscos, Estabilidade Financeira e Economia Bancária, realizado pela autoridade monetária na capital paulista.

Embora tenha destacado que a crise atual não é tão intensa quanto ao momento de agudização, deflagrado em setembro de 2008, após a falência do banco Lehman Brothers, Tombini afirmou que a economia global ainda não se recuperou daquela crise.

"A situação fiscal desses países é testada pelos mercados", comentou Tombini, referindo-se às dificuldades registradas pelas economias dos EUA e Europa. "O ajuste crível das contas públicas exige tempo e não ocorre da noite para o dia", contrapôs. De acordo com o presidente do BC, na trajetória de recuperação da economia mundial, podem ocorrer sobressaltos. 

Tudo o que sabemos sobre:
BCBanco Centraleconomiapanorama

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.