Bovespa despenca 5,72%, maior queda desde novembro de 2008

Bolsa recuou em todos os pregões de agosto e já acumula perdas de 10,22% no mês

Bianca Lima com Agência Estado,

04 de agosto de 2011 | 18h22

A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) despencou 5,72% nesta quinta-feira, aos 52.811 pontos, reagindo à piora nas perspectivas para a economia global, que levou pânico aos mercados. Trata-se da maior queda desde 21 de novembro de 2008, quando o Ibovespa recuou 6,45%. Na mínima hoje, o índice atingiu 52.629 pontos, queda de 6,05%. O dólar, visto como porto seguro, fechou em alta de 1,28%, a R$ 1,5820, a maior cotação desde 27/6/2011.

Com o resultado desta quinta-feira, a Bolsa recuou em todos os pregões de agosto e já acumula perdas de 10,22% no mês. Em 2011, a queda atinge 23,80%.

No Ibovespa, as perdas foram lideradas pelas empresas do Grupo EBX, do empresário Eike Batista. MMX recuou 16,07%, LLX caiu 13,25% e OGX 8,33%. Petrobrás e Vale, que possuem os maiores pesos no Ibovespa, também recuaram e ajudaram a pressionar o índice. Petrobrás PN caiu 7,36% e Petrobrás ON teve desvalorização de 7,00%, enquanto Vale PNA cedeu 5,39% e Vale ON recuou 5,77%.

Segundo o analista-chefe da corretora Gradual, Paulo Esteves, os papeis mais arrojados e arriscadas sofrem mais nesse período de volatilidade. "As empresas do grupo EBX estão em início de fase operacional e ainda estão investindo e, portanto, são mais vulneráveis a riscos de mercado e caem mais, por exemplo, que Petrobrás e Vale, já maduras", explica Esteves.

"Todas as ações que têm grande liquidez caíram muito hoje. Houve uma queda generalizada na Europa e uma queda expressiva nos EUA, com a desconfiança do que pode acontecer nas economias desenvolvidas, e isso reflete aqui no Brasil. Hoje é um dia em que o investidor busca portos seguros", afirma Raffi Dokuzian, superintendente da Banif Corretora. "Os setores menos atingidos são o elétrico e o de telecom, que são mais defensivos e é onde geralmente o investidor se refugia", completa.

As quedas foram generalizadas e atingiram todas as praças. Nos Estados Unidos, o Dow Jones caiu 512,76 pontos, ou 4,31%, para 11.383,68 pontos, com mínima intraday (durante o dia) de 11.372,14 pontos. O declínio do índice em pontos foi o mais acentuado desde dezembro de 2008 e o colocou de vez num patamar mais de 10% inferior ao pico mais recente, atingido em maio, o que caracteriza um quadro de correção. O Nasdaq perdeu 136,68 pontos, ou 5,08%, para 2.556,39 pontos, enquanto o S&P 500 teve queda de 60,27 pontos, ou 4,78%, para 1.200,07 pontos. Na Europa, as bolsas também com forte desvalorização. Frankfurt recuou 3,40%, Paris cedeu 3,90% e Londres teve desvalorização de 3,43%.

A crise de dívida na Europa ameaça se espalhar de economias menores e mais periféricas, como Grécia e Irlanda, para países bem mais importantes economicamente, como Itália e Espanha. Diante desse cenário, o Banco Central Europeu (BCE) reativou nesta quinta-feira duas de suas mais potentes medidas anticrise. A instituição vai oferecer um leilão de seis meses de tamanho ilimitado na próxima semana. Ao mesmo tempo, segundo operadores, o BCE reabriu seu programa de compra de bônus de governos pela primeira vez em cinco meses.

Nesta quinta, mais dois países anunciaram que começarão a intervir no câmbio para conter a alta de suas moedas. O Japão ampliou a venda de ienes no mercado, que pode somar até 1 trilhão de ienes, segundo operadores. Além disso, aumentou seu fundo especial para compra de ativos e operações de oferta de liquidez de 10 trilhões de ienes (US$ 125,913 bilhões) para 15 trilhões (US$ 188,8 bilhões). Na Turquia, o Banco Central cortou o juro básico e disse que vai começar a vender dólares para tentar proteger a lira.

Mais cedo, as bolsas na Ásia já demonstravam pessimismo. A maioria fechou em queda. Hong Kong teve o terceiro dia de queda, encerrando o pregão em baixa de 0,5%. Movimento parecido ocorreu em Cingapura, que caiu 0,74% pelo terceiro dia. A Bolsa de Sydney, na Austrália, atingiu a maior queda em mais de um ano (-1,3%).

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