Bovespa cai 10% na semana e tem pior desempenho desde 2008

Ameaça de uma nova recessão global leva pânico aos mercados

Bianca Pinto Lima com Agência Estado,

05 de agosto de 2011 | 19h11

A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) acumula queda de 10% nesta semana, tendo recuado em quase todos os pregões do mês de agosto. Em 2011, as perdas já somam 23,60%. A ameaça de uma nova recessão global levou pânico aos mercados financeiros, que tiveram a pior semana desde a quebra do banco Lehman Brothers, em 2008.

Nesta sexta, diversas ações do Ibovespa exibiram um movimento de recuperação após a forte queda de quinta-feira, fazendo o índice fechar perto da estabilidade, em alta de 0,26%, aos 52.949 pontos. Ontem, a Bolsa havia despencado 5,72%. O dólar encerrou mais uma vez em alta (+0,25%), cotado a R$ 1,5860.

"Havia uma forte tensão com o impasse da dívida nos Estados Unidos e as pessoas se descuidaram do tamanho da crise. Agora os investidores perceberam a gravidade e estão assimilando a ideia de uma recessão", explica o professor de finanças do Ibmec Alexandre Galvão. "A Bolsa pode ter correções positivas no curto prazo, mas não vejo um bom cenário nos próximos meses e talvez até nos próximos anos", completa.

As preocupações com a capacidade de pagamento da dívida dos países europeus e a expectativa de forte desaquecimento nos Estados Unidos continuam como pano de fundo para os investidores. Nesta sexta, porém, um certo alívio dominou os negócios por conta da possibilidade de um pacote de ajuda econômica para a Itália. O primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, afirmou que o país vai acelerar o cronograma da sua consolidação fiscal e introduzir uma emenda para equilibrar o orçamento na sua Constituição, como parte de um acordo com a União Europeia.

A fala de Berlusconi e a ação do Banco Central Europeu (BCE), que fez novas compras de bônus de Portugal e Irlanda, no entanto, não foram suficientes para alavancar as bolsas europeias. Em Londres, o FTSE-100 recuou 2,71%, para 5.246,99 pontos. Em Paris, o CAC 40 perdeu 1,26%, para 3.278,56 pontos. Na Bolsa de Frankfurt, o Xetra DAX fechou em baixa de 2,78%, a 6.236,16 pontos. Na semana, o Xetra DAX liderou a queda entre esses três índices, recuando -12,89%, seguido por CAC 40 (-10,70%) e pelo FTSE 100 (-9,77%).

Nos Estados Unidos, os principais índices fecharam sem direção comum, apesar dos dados positivos sobre o mercado de trabalho, que mostraram que a economia norte-americana criou 117 mil novos empregos em julho, mais do que as 75 mil vagas esperadas. O Dow Jones subiu 60,93 pontos, ou 0,54%, para 11.444,61 pontos. O Nasdaq caiu 23,98 pontos, ou 0,94%, para 2.532,41 pontos, enquanto o S&P 500 recuou 0,69 ponto, ou 0,06%, para 1.199,38 pontos. Na semana, o Nasdaq liderou as perdas, recuando 8,13%, seguido por S&P 500 (-7,19%) e pelo Dow Jones (-5,75%).

Entenda o temor dos investidores

Há dois fatores por trás do comportamento dos investidores: o risco de que grandes países da Europa, como Itália e Espanha, não consigam honrar suas dívidas, e o temor de que a economia dos Estados Unidos, responsável por cerca de um terço do Produto Interno Bruto (PIB) global , volte a entrar em recessão.

Esse último receio ganhou força após o acordo entre democratas e republicanos para elevar o teto da dívida americana. O governo de Barack Obama será obrigado a cortar despesas, medida que tende a tirar ainda mais combustível da atividade econômica.

Embora a realidade do Brasil seja totalmente distinta - a situação fiscal é confortável se comparada à maioria dos países desenvolvidos e a expansão econômica estimada para este ano esteja em 4% -, os ativos brasileiros sofrem por causa da integração dos mercados no mundo globalizado.

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