Bolsa cai 2% e volta ao nível de setembro de 2009

Mercado brasileiro acompanhou Wall Street e cravou sua segunda sessão seguida de perdas

Claudia Violante, Agência Estado,

02 de agosto de 2011 | 19h17

O mercado acionário brasileiro trabalhou colado a Wall Street hoje e teve sua segunda sessão seguida de perdas, com o índice Bovespa furando o nível de 58 mil pontos. Terminou, assim, no pior nível desde o início de setembro de 2009, com queda acima de 2% alcançada nos minutos finais do pregão.

O Ibovespa recuou 2,09% nesta terça-feira, aos 57.310,78 pontos, menor nível desde 4 de setembro de 2009 (56.652,28 pontos). Na mínima do dia, registrou 57.259 pontos (-2,18%) e, na máxima, os 58.673 pontos (+0,24%). Nestes dois pregões de agosto, acumula 2,57% de baixa, e em 2011 até hoje, queda de 17,31%. O giro financeiro totalizou R$ 6,284 bilhões. Os dados são preliminares.

A queda foi aprofundada nos minutos finais com a piora em Nova York. Segundo um operador, houve um movimento de ordens de prevenção de perdas ("stop loss"), com os investidores tentando limitar suas perdas após a volta ao nível de 57 mil pontos.

Ao longo do dia, as razões para a baixa foram as mesmas dos últimos dias: mau humor com o acordo do aumento do teto da dívida dos EUA - aprovado na Câmara e Senado -, temor com o possível rebaixamento do rating do país e indicadores frágeis na maior economia do planeta. A esse caldeirão pode se somar a preocupação com o espalhamento da crise da dívida da Europa para países maiores, caso da Itália e Espanha.

O resultado foi bolsas no vermelho pelo mundo. Em Wall Street, o Dow Jones recuou 2,19%, aos 11.866,62 pontos, o S&P-500 caiu 2,56%, aos 1.254,05 pontos, e o Nasdaq perdeu 2,75%, aos 2.669,24 pontos.

Nos EUA, foram divulgados hoje os dados do índice de preços PCE que mostraram que o núcleo do índice ficou acima das projeções (+0,1% ante estimativa de estabilidade), enquanto o dado cheio caiu 0,2% em junho ante maio. Os gastos com consumo dos americanos caíram 0,2% em junho, a maior queda desde setembro de 2009, enquanto a renda pessoal nos EUA aumentou 0,1%. A leitura sobre os gastos ficou abaixo da previsão de estabilidade dos economistas, enquanto a alta na renda pessoal veio em linha com o esperado. Esses dados renovaram preocupação com o crescimento da economia americana.

No Brasil, Itaú Unibanco PN foi um dos destaques de baixa do pregão, ao cair 5,80% em reação ao balanço trimestral. O banco anunciou lucro líquido de R$ 3,603 bilhões no segundo trimestre deste ano, com alta de 13,8% ante o mesmo período do ano passado. Mas os investidores não gostaram do aumento de 16,5% nas despesas com provisões para devedores duvidosos no segundo trimestre e da queda do retorno patrimonial.

Petrobras ON caiu 2,10% e Petrobras PN desvalorizou 1,40%. Na Bolsa Mercantil de Nova York (Nymex), o contrato futuro do petróleo para setembro recuou 1,16%, a US$ 93,79 o barril. Vale ON terminou em baixa de 2,09% e Vale PNA caiu 1,71%.

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