JF Diotio/ Estadão
JF Diotio/ Estadão

Barbearias modernas se multiplicam pela capital

Com estilo que remete aos anos 1940 e 1950, os estabelecimentos marcam presença em diferentes bairros da cidade

Eliane Sobral, especial para, O Estado de S.Paulo

26 de setembro de 2018 | 05h01

Há cerca de dois meses, o Google Lab, braço de pesquisa do Google, divulgou o resultado de um estudo com 700 homens, entre 15 e 44 anos, para identificar hábitos e interesses do público masculino brasileiro. Entre outras constatações, descobriu-se que eles estão mais vaidosos. Nada menos que 93% dos entrevistados disseram que cuidar da aparência é importante, 44% visualizam vídeos de beleza e 90% disseram lançar mão de produtos de beleza. 

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Estes dados podem explicar o surgimento de inúmeras novas e modernas barbearias no cenário urbano. “No entanto, ao contrário de negócios baseados apenas em modismos, como paleterias ou food trucks, as barbearias se apoiam em uma demanda real e que está em crescimento”, avalia o coordenador do Centro de Empreendedorismo e Novos Negócios da Fundação Getúlio Vargas (FGV-SP), Edgar Barki. 

Mário Pinheiro de Andrade Júnior faz parte do grupo que gosta de frequentar ambientes descolados, com bom serviço, música e cerveja enquanto corta o cabelo e faz a barba. De cliente, virou empresário e abriu a sua própria barbearia, em sociedade com Alberto Hiar, dono da grife Cavalera. No início, em 2013, eram duas cadeiras em uma única unidade. Hoje, a Cavalera Barbearia tem 21 profissionais distribuídos por quatro unidades e uma cartela com 8 mil clientes. 

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Apesar dos bons resultados, ele admite sentir o impacto do surgimento de muitos concorrentes em tão pouco tempo. “Essa explosão tem dois fatores: usar barba é tendência no mundo todo e, no caso do Brasil, a crise leva muita gente a abrir seu próprio negócio.” 

Se Andrade sente o impacto da concorrência, o que dizer de João Batista? Barbeiro há 57 anos e há 33 trabalhando no mesmo endereço, no bairro de Pinheiros, zona oeste da capital paulista, “seu” João diz ter perdido algo entre 20% e 30% do faturamento por conta das modernas barbearias que passaram a povoar a vizinhança. “No meu salão só há uma geladeirinha. Sou das antigas, mais tradicional”, diz ele. 

Longe de se lamentar, porém, João Batista tem duas apostas para trazer o cliente de volta. A primeira é o neto, de 19 anos, que já está aprendendo o ofício que vem desde o bisavô. A outra, é ele próprio buscar se modernizar. “Eu visito as barbearias que abrem e estou programando uma reforma. É ruim perder cliente. Mas, por outro lado, faz a gente se atualizar”.

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