Arthur da Costa e os sócios da Home Shave Club
Arthur da Costa e os sócios da Home Shave Club

Barba inspira e atrai pequenos empresários

De olho nos homens preocupados com cuidados pessoais, empresas apostam em nicho

Renato Jakitas, Estadão PME,

15 de setembro de 2015 | 06h56

Mais maduro, o mercado de cuidados pessoais para os homens já começa a arriscar algumas iniciativas orientadas ao nicho, com espaço para certa inovação. São empreitadas ainda pequenas, centradas na internet e, repetindo um movimento que ocorreu nos Estados Unidos, elege a barba como foco de ação.

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Nos últimos meses, pelo menos cinco lojas virtuais foram lançadas para atender a demanda masculina por cosméticos. Duas delas atuam exclusivamente com produtos para os barbudos, como é o caso da carioca Sobrebarba e da paulistana Beardbrasil, e uma delas, também de São Paulo, a Home Shave Club, para quem quer se ver livre dos pelos no rosto.

A escolha desses empreendedores pelo nicho, claro, não é aleatória. Dados da empresa de pesquisa Euromonitor apontam que dos US$ 4,7 bilhões movimentados pela área de cuidados pessoais para homens em 2014 no Brasil, mais da metade (US$ 2,7 bilhões) vieram da receita com a venda de produtos para barba - crescimento de 120% em cinco anos. Segundo a mesma Euromonitor, o mercado brasileiro de beleza e cuidados pessoais movimentou US$ 43 bilhões no Brasil em 2014.

"Esse negócio da barba é um segmento que a gente espera ainda muito crescimento", afirma Arthur da Costa, fundador do clube de assinaturas de lâminas para barbear Home Shave Club. "Há um ano, quando estava pesquisando sobre o setor, só existiam dois 'players' nos Estados Unidos. Quando lançamos o nosso clube, já havia um site do tipo em todos os grandes mercado do mundo, da África do Sul a Cingapura", diz.

Com a ajuda de dois sócios, Costa aplicou R$ 200 mil para iniciar a operação de seu clube de assinaturas, que a partir de R$ 8 entrega em planos mensais, bimensais ou trimensais lâminas para barbear em todo o Brasil."Nosso foco são os profissionais que precisam estar barbeados: médicos e profissionais de saúde, alguns advogados, garçons", diz o administrador de empresas. Ele fechou parceria para revender no País, dentro do modelo de recorrência, as lâminas da sul-corena Dorco.

"Esse é um mercado gigantesco, mas dominado pela Gillette (da Procter & Gamble). Se a gente comer 0,5% das vendas, nossa, eu estou rico", diz ele, trazendo na ponta da língua os números do relatório Homescan Panel, da Nielsen, que informa que 800 milhões de lâminas de barbear são consumidas por ano no Brasil.

No Rio de Janeiro, desde o começo do ano, o publicitário Samuel Tonin é outro empreendedor que dedica-se integralmente ao segmento. Ele é dono da Sobrebarba, marca de produtos para cuidados com a barba que tem na internet seu principal canal de comercialização.

Barbudo há 10 anos, ele conta que a motivação para o negócio surgiu de sua procura por produtos como xampus, óleos e cremes para cuidar do visual, hoje na moda. "Não tinha nada no Brasil e eu comprava de fora, onde também não tinha muita coisa", lembra.

Há cerca de um ano, quando se convenceu sobre a viabilidade da empresa, Tonin montou uma comunidade no Facebook onde passou a divulgar seu processo de pesquisa e desenvolvimento dos produtos. "Teve um mês que gastei quase meu salário todo com produtos de fora. Eu ia testando e fazendo vídeos com 'tutoriais' para postar no Facebook. Os comentários das pessoas me indicava o caminho para meus produtos", conta ele, que chegou a ter 25 mil curtidas na página. "Foi essa comunidade de barbudos que se tornou minha primeira clientela."

No começo do ano, Samuel e uma sócia aplicaram R$ 260 mil para abrir a empresa, que conta com uma loja virtual e quatro itens (cera delineadora para bigodes, xampu, creme e óleo para barbas) produzidos em um fábrica mantida por um tio de Samuel em Franca.

"Nosso planejamento era vender em torno de R$ 30 mil em seis meses. Mas logo no primeiro dia fiz 150 vendas. Precisei faltar no serviço na sexta-feira e ficar o final de semana empacotando os produtos com a ajudar de uns amigos. Só em julho, vendemos R$ 200 mil", conta o empresário, que já estuda ampliar a linha para outros de outros segmentos, como cabelos e pele. "Quem sabe até uma cerveja da nossa marca. Isso aí está no nosso radar." 

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