Bancos se voltam para PMEs

Bancos se voltam para PMEs

Linhas de financiamento para pequenos empresários se tornam foco das instituições

O Estado de S.Paulo

31 de julho de 2017 | 06h00

A demanda de empresas por crédito está diretamente ligada ao desempenho da economia e, em momentos de retração como o atual, o preço de pedir dinheiro emprestado a uma instituição financeira pode ser difícil de arcar. Como reflexo, os bancos veem essa demanda cair. 

Conforme aponta levantamento da Serasa Experian, a demanda das empresas por crédito nos seis primeiros meses deste ano caiu 4,5% em relação ao mesmo período de 2016, o pior resultado para um primeiro semestre desde 2013. De acordo com a pesquisa, médias e grandes empresas foram as que mais cortaram a procura por crédito no primeiro semestre de 2017, com quedas de 9,7% e 9,1%, respectivamente. Com isso, bancos concentram esforços em ofertar linhas de financiamento atraentes para micro e pequenos empresários, que lançam mão de crédito para as mais variadas funções, como fluxo de caixa e capital de giro.

Linhas de crédito direcionadas fidelizam

A contratação de crédito, não raro, é a porta de entrada de uma empresa ao sistema de um banco. A partir dela, outros serviços começam a ser incorporados à demanda do cliente, neste caso, o empreendedor e, assim, passam a fazer parte de sua rotina. Por isso, companhias como o Bradesco, que recebeu 68 de índice de satisfação nesta categoria e que ocupa a segunda colocação no ranking, têm feito esforços no sentido de fisgar o pequeno empresário com taxas atrativas e palatáveis à realidade das PMEs brasileiras. 

“O pequeno empresário precisa, antes de mais nada, de uma linha de crédito. Esse público se sente desamparado pelo sistema financeiro”, avalia Guido Pagani, diretor executivo do Bradesco. “A taxa para ele precisa ser menor, existir uma carência para o pagamento da primeira parcela. Além disso tudo, temos trabalhado microcrédito e linhas especiais para novos franqueados com prazo de até 60 meses e carência de seis meses”, relata o executivo. Na pesquisa, com 68 pontos, o Bradesco ficou atrás da Caixa Econômica Federal na preferência para a contratação de crédito – a Caixa alcançou 74 de índice de satisfação na Escolha PME.

O Bradesco também levou a segunda posição como objeto de desejo dos empreendedores: foi citado por 20% das pequenas e médias empresas consultadas. Para Pagani, o caminho para a conquista do cliente está na fidelização. “Primeiramente você tem de conceder o crédito para o empreendedor. Com um limite adequado ao perfil e capacidade de faturamento dele. Isso é possível estudando caso a caso cada necessidade”, diz o diretor do Bradesco. “Se a empresa dele precisa de um carro, não adianta oferecer um crédito pessoal. Não é aquilo que ele está procurando.”

Garantias barateiam serviço

O Itaú chegou à terceira colocação entre os fornecedores para contratação de crédito. A pontuação alcançada no índice de satisfação foi de 66, porém o banco está no topo da lista de objeto de desejo do empreendedor, com 24% das citações.

“É um cenário muito competitivo e as garantias que uma empresa pode oferecer impactam diretamente no preço do crédito. É fundamental que isso seja usado a favor do cliente”, explica André Daré, diretor executivo do Itaú.

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