Atividade industrial paulista cresce 3,4% no 1º semestre

No mês de junho, o setor ficou praticamente estável, com queda de 0,1% perante o mês de maio

Agência Estado,

28 de julho de 2011 | 13h48

O indicador de Nível de Atividade da Indústria (INA) paulista caiu 0,1% em junho ante maio, com ajuste sazonal, contra uma alta de 0,7% em maio em relação a abril, segundo informou nesta quinta-feira (28) a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). O dado de maio foi revisado para baixo (0,7%), após uma alta anterior de 1%. No número sem ajuste, a atividade industrial paulista caiu 0,9% na passagem de maio para junho.

No acumulado de janeiro a junho, em relação ao mesmo período do ano passado, houve um crescimento de 3,4%, também sem ajuste. No acumulado de 12 meses até junho, o INA aponta um crescimento de 4,3% na atividade fabril em São Paulo. A Fiesp também revisou o INA de maio, na leitura sem ajuste sazonal, de 8,8% para 8,3% na comparação com abril.

O Nível de Utilização da Capacidade Instalada (NUCI) da indústria paulista registrou uma ligeira queda na passagem de maio para junho, de 82,5% para 82,3%, na leitura que considera os ajustes sazonais. Em junho de 2010, a capacidade utilizada pela indústria de São Paulo estava em 82,5%.

Sem ajuste sazonal, o NUCI da indústria paulista também teve ligeira queda ante maio, passando de 83,8% para 83,2%. Ante junho de 2010, o indicador manteve-se estável.

Na avaliação do diretor do Departamento de Economia da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Francini, a situação atual da indústria pode ser atribuida à trajetória de aumento na taxa básica de juros (Selic), que desde janeiro já foi aumentada 1,75 ponto porcentual, para o atual patamar de 12,50% ao ano.

Mas a principal variável que vem deteriorando o desempenho fabril é o câmbio apreciado. "O câmbio é de importância fundamental porque define o comportamento da indústria." Segundo Francini, todos os países que estão com taxa positiva de crescimento da indústria trabalham com o câmbio depreciado. "A China faz isso e os EUA também já fizeram", afirma.

Assim, a previsão de Francini é de que a indústria de transformação de São Paulo passa por um período de estagnação e não deve ser o motor de crescimento da economia este ano. Ele acrescenta que a estagnação de junho apontada pelo indicador afeta todos os setores.

Medidas cambiais

Perguntado sobre sua avaliação das medidas cambiais anunciadas ontem pelo Ministério da Fazenda, que estabelece regras específicas para operações de derivativos, o diretor da Fiesp ressaltou como positivo a iniciativa do governo em tentar resolver essa questão tão importante para a indústria e para o setor exportador. Mas ponderou que o grau de eficácia dessas medidas é de difícil mensuração, porque elas são tomadas por um grupo de cerca de 40 pessoas, enquanto no mercado há milhares tentando burlar as novas regras. "É uma luta contínua e o governo tem que agir cada vez que ver uma porta aberta, e fechá-la."

Com relação à taxa de juros, Francini diz acreditar que não deverá haver mais aumentos, dada à percepção da equipe econômica da situação da economia externa e da vivência interna.

O diretor da Fiesp também comentou o quadro geral de confiança do empresário da indústria em relação à economia, que de acordo com a pesquisa Sensor da Fiesp, atingiu 51 pontos em julho ante 50,6 em junho. A Sensor obedece uma escala de 0 a 100 pontos, sendo que 50 é a marca que diferencia o otimismo e o pessimismo do empresário. "O grau de confiança tem caído e ficado perto da neutralidade, mostrando que o entusiasmo em relação ao futuro já foi embora, porque o mundo vive certa apreensão em relação ao rumo da economia", disse Francini.

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