Até o Jorge Paulo Lemann já fracassou

Até o Jorge Paulo Lemann já fracassou

Empresário participou do evento Day1, da Endeavor, nesta quinta-feira, 13, em São Paulo

Estadão PME,

14 de agosto de 2015 | 07h16

Quem vê o empresário Jorge Paulo Lemann, sócio do fundo 3G Capital, que tem participação em empresas globais, pode até pensar que sua trajetória só é de sucesso. Mas foi justamente para falar sobre a importância de erros e dificuldades na vida de um empreendedor que Lemann participou do evento chamado Day 1, promovido pela Endeavor, nesta quinta-feira, 13, em São Paulo. Cada empresário teve cerca de 20 minutos para contar seus pontos de virada. 

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Sua relação com o tênis, que começou a praticar com 7 anos, e a importância do esporte na carreira foi o primeiro assunto abordado. Ele ainda lembra que com 9 anos perdeu o jogo para seu principal rival. Aos 12, sofreu uma derrota para um jogador boliviano. "Todo esse fato que eu jogava tênis, me preparou para perder. Toda vez que eu perdia tentava analisar por que, ou o que não tinha dado certo e o que melhorar na próxima vez."

Aos 17 anos, os interesses de Lemann se concentravam no tênis e no surfe. Mas foi estudar no exterior. Especificamente em Harvard. "Lá estavam os jovens mais brilhantes do mundo e estava eu, tenista, surfista", disse. O começo na faculdade não foi fácil: Lemann quase foi expulso por soltar fogos no local. Com a ameaça, ele resolveu focar e encontrar a melhor maneira de completar o curso.

Além das quatro horas diárias de aulas, ele estudava mais seis. "Para um surfista do Arpoador, estudar seis horas por dia além das quatro era muito", contou. A situação o obrigou a desenvolver métodos para focar e ter bons resultados: ele criou uma técnica com cinco pontos básicos. Experiência hoje reproduzida em suas empresas, onde cada um tem cinco metas básicas. "Por causa das dificuldades, tive condições de superar e chegar lá."

Falência. Depois de passar um ano no exterior jogando tênis, ele retornou ao Brasil, onde montou uma financeira. A falência ocorreu depois de quatro anos. "Eu tinha 26 anos, me achava o máximo e descobri que não era tão esperto ou tão inteligente. Novamente as dificuldades me ensinaram muitas coisas."

A empresa faliu porque não tinha administração e os sócios eram muito parecidos. Todos queriam fazer negócios e ninguém cuidava da retaguarda. Lição: a sociedade não deve ter só pessoas parecidas com você e a necessidade de uma boa administração.

Momento certo. Outro fato que marcou a trajetória do empresário foi um especulador chamado Mendoncinha, que tinha decidido tomar o controle de uma siderúrgica. Ele comprava ações e dava letras de câmbio como garantia. Todo mundo achava que era um negócio bom. "O Mendoncinha foi empurrando essa posição, comprando mais e acabou estourando. Todo mundo que lidava com ele perdeu algum dinheiro". E as letras de câmbio dadas como garantias eram falsas. 

A situação deu uma lição de "timing" para o empresário, com a importância de fazer as coisas certas na hora certa. "Seis meses depois que ele estourou, a bolsa se recuperou. Se ele tivesse aguentado alguns meses, seria o homem mais rico do Brasil."

Nova aposta. Depois da falência, Lemann trabalhou no mercado, juntou dinheiro e abriu uma corretora, mas um mês depois a Bolsa despencou e acabou com o negócio de corretagem de bolsa que o negócio pretendia ser. Uma solução foi trabalhar com obrigações reajustáveis do Tesouro Nacional (ORTN), onde o negócio prosperou. "A coisa nunca é uma linha reta, sempre tem altos e baixos. É importante estar sempre aprendendo com as dificuldades."

Depois, a corretora virou banco de investimento, quando Lemann aprendeu a lidar com gente e atrair as melhores pessoas para a empresa. Essa metodologia é utilizada até hoje, inclusive quando ocorre uma compra de uma empresa norte-americana, um time é enviado para introduzir a cultura do grupo na companhia. 

O Garantia deu certo durante 27 anos, mas teve duas dificuldades no fim. "Não sobreviveu como pretendíamos porque era uma instituição com uma visão de curto prazo. Nos outros negócios que passamos a empreender, a visão de construção é de um prazo muito mais longo."

A mensagem do empresário durante o evento foi para os empreendedores não desanimarem na primeira dificuldade. E ainda deixou um recado para os pais, aqueles que sempre estão preocupados em dar tudo certo, colocam os filhos nas melhores escolas e exigem as melhores notas. Mas para Lemann, os pais devem se lembrar: deixem os filhos fazerem algumas besteiras e errarem, que isso será valioso no futuro.


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