Fernanda Franco Cannalonga é fundadora da Canna
Fernanda Franco Cannalonga é fundadora da Canna

Até a moda virou vegana

Pequenas empresas buscam adotar essa filosofia na produção como forma de diferenciação

Rute Pina, especial para o Estado,

07 de outubro de 2015 | 07h18

Vegetariana há 15 anos, a paulistana Fernanda Cannalonga sempre encontrou dificuldades na hora de encontrar peças de vestuário livre de origem animal e que estivessem aliadas a um design sofisticado. Ao se formar na faculdade de moda, em 2010, decidiu fundar o Studio Canna, após realizar testes com materiais diversos e uma série de pesquisas.

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A marca aposta em bolsas e acessórios com “design temporal, produzidos artesanalmente e, o mais importante, com matéria-prima vegana”. O Studio Canna que surgiu há cinco anos “de uma necessidade pessoal”, como afirma a empreendedora de 26 anos, hoje começa timidamente a vender para países como Japão e Alemanha.

Fernanda está entre um grupo de pequenos empreendedores de moda que apostaram no nicho de mercado voltado à moda e sustentabilidade. O Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) ainda não possui dados sobre quantos dos mais de 800 mil pequenos negócios ligados ao varejo da moda no Brasil atuam com moda sustentável - um levantamento inédito está previsto para 2018.

No entanto, Wilsa Sette, coordenadora dos projetos de moda do Sebrae Nacional, aposta no setor que, segundo ela, “é um segmento pouco explorado” pelas pequenas empresas.

Em Porto Alegre, a Insecta Shoes, inaugurada em 2014, já conquistou um público fiel no boca a boca produzindo sapatos veganos. Os produtos são feitos com a reutilização de roupas usadas e a reciclagem de garrafas de plástico descartadas. Atualmente, a loja produz cerca de 500 pares por mês.

Segundo Marcio Banti, professor de moda da Faculdade Santa Marcelina, o setor vem se expandindo e tem um público cativo e bastante crítico. "Na verdade, ser sustentável já quase não é um diferencial. A marca que se nega a prestar atenção nisso tem um impacto negativo no mercado”, defendeu.

Wilsa Sette concorda e aponta que este é um público muito bem informado e exigente quanto ao produto e cadeia produtiva. Segundo ela, um dos desafios que o empreendedor deve enfrentar é o preço dos produtos, que são geralmente 30% acima da média do mercado.

De acordo com Banti, para ganhar a confiança do público consumidor, as marcas devem apostar na transparência do processo de fabricação dos produtos, além de garantir um fornecedor confiável de matéria-prima. “Muitas destas marcas divulgam todo processo de fabricação, tingimento e produção por meio de vídeos e fotos na internet”.

É o que faz Fernanda, do Studio Canna. “Meu cliente prefere comprar uma bolsa minha ao invés de três da China, de material duvidoso”, conta. Segundo ela, o segredo está na relação sincera com os clientes: “Como dona da marca, atendo todo mundo pessoalmente. E grande parte deles sabe que sou vegetariana e envolvida e comprometida com a causa”.

Entenda. O veganismo é uma filosofia que tem por princípio a proteção dos animais e, por isso, os adeptos à corrente não consomem nenhum produto ligado a qualquer tipo de exploração e abusos. No caso específico da moda, a peça de vestuário ou acessório considerado vegano não usa materiais como o couro, lã ou a seda. Segundo o Sebrae, o maior número de adeptos do veganismo está no estado de São Paulo, seguido do Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro.

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