Filipe Araujo/AE
Filipe Araujo/AE

As mamães estão mais exigentes

Mulheres conquistam, de vez, a independência financeira e modificam o mercado de gestantes

Carolina Dall'Olio, Estadão PME,

02 de dezembro de 2011 | 07h09

 Elas são muito detalhistas, muito exigentes e muito, muito ocupadas. Nas mães, todas as características comuns às consumidoras se intensificam. Por isso, atender bem esse público é uma tarefa que exige, sobretudo, paciência. Mas as empresas que atingem esse objetivo, agregando conveniência e segurança no momento da compra, têm sempre o esforço recompensado.

De acordo com o Censo Demográfico 2010, realizado pelo IBGE, as brasileiras têm hoje menos filhos e engravidam mais tarde. Em apenas dez anos, a média de filhos por mulher caiu de 2,38 para 1,86. Mas o que poderia soar como ameaça revela-se uma oportunidade para negócios que têm as mamães como clientes.

Empresários do ramo já notam que, com menos filhos, sobra dinheiro para as mulheres comprarem outros itens além de produtos de higiene e alimentação para as crianças. E ao postergarem a maternidade, elas também conseguem se dedicar mais à carreira – assim, o bebê costuma chegar no momento em que a mãe já foi financeiramente recompensada por suas conquistas profissionais.

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Essa mudança de perfil já alterou a rotina da loja de decoração de quartos infantis Belle Petit, fundada em 1997. As sócias Adriana Romero e Vanessa Valle contam que, quando eram os homens que davam a palavra final sobre os custos da decoração do quarto do bebê, as vendas eram mais magras.

“Os pais são objetivos e não gostam de gastar muito com decoração”, conta Vanessa. Mas hoje o cenário mudou. “Muitas mulheres vêm sozinhas até a loja, com seu próprio dinheiro. Elas dão mais importância ao nosso serviço e, como não precisam consultar o marido para decidir o valor da compra, gastam mais”, afirma a empreendedora.

As vendas da Belle Petit aumentaram, porém ficaram mais difíceis. Antes de comprar, as mamães perguntam sobre todos os detalhes do produto, pesquisam muito e vão a loja ao menos três vezes antes de fechar negócio.

“Elas nunca querem errar ao comprar um produto que será usado por seu filho. Todas querem que tudo seja perfeito”, resume Viviane Pallucci, dona da Baby Planners, uma espécie de consultoria que ajuda a gestante a escolher todo tipo de produto e serviço de que a criança pode precisar – do berço até a creche.

O serviço, popular nos Estados Unidos, começa a ganhar força entre as brasileiras com maior poder aquisitivo. Uma consulta de duas horas com Viviane sai por R$ 380 e ela atende principalmente executivas, “que não têm tempo para nada”. O segredo para conquistar as mães, segundo Viviane, é saber ouvir. “A gestante costuma estar estressada, cheia de medos, com hormônios alterados. Por isso, temos que escutá-la com calma até entender exatamente o que ela deseja”, diz. Mas nada de enrolação. “As mulheres têm muitas tarefas e nenhum tempo a perder. Por isso, prezam a objetividade.”

E oferecer praticidade para elas é justamente a proposta do site Baby em Casa. Criado em julho de 2011, o endereço virtual já atrai cerca de 4,5 mil visitantes únicos por dia. Os serviços de ‘assinatura’ de fraldas e outros produtos de uso recorrente são os destaques da página.

“Muitas mães não podem sair de casa porque o bebê ainda é muito novo e não há com quem deixá-lo. Por isso, prezam muito os serviços de conveniência”, explica o empresário Omar Pucci. Mas a entrega não pode falhar. “Quando você causa frustração com um atraso, perde a cliente para sempre.”

Confira os negócios que têm se beneficiado do poder aquisitivo das mulheres:

Consultoras

A baby planner Viviane Pallucci faz parte de uma nova categoria de profissionais especializados em ajudar as gestantes com as compras.

Sites

As compras online ganham força entre as mães hoje em dia porque oferecem bons preços, conveniência e variedade de produtos.

Festas

Nem só de aniversários sobrevivem atualmente os bufês, que também podem lucrar com a organização do chá de bebê e batizado.

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