Paulo Liebert/AE
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As lições de quem recomeçou do zero

Saiba quais são os erros mais comuns de empresa iniciantes e aprenda a não cometê-los

Carolina Dall’Olio, Estadão PME,

03 de agosto de 2011 | 19h19

 É muito comum um negócio de pequeno porte fechar as portas antes de completar cinco anos de vida. Atualmente, isso acontece com seis em cada dez empresas no País. Mas em vez de lamentar o dinheiro perdido e os postos de trabalho fechados, muitos empreendedores conseguem fazer do erro um grande aprendizado. Com otimismo e perseverança, eles assimilam as lições que o tropeço lhes ensinou e tentam mais uma vez – ou duas, três, quatro.

“O risco faz parte de qualquer negócio”, reforça Marcos Simões, gerente de serviços empreendedores da Endeavor. “Por isso, quem falha não deve desistir, e sim usar a experiência para reduzir o risco no próximo empreendimento.”

Ignorar o perfil do cliente foi o equívoco que provocou a quebra da empresa das irmãs Antonia e Lucia Venâncio. Em 1998, elas abriram uma cafeteria toda caprichada, no Jardim Bonfiglioli, na zona oeste de São Paulo. Tinham todo detalhamento financeiro do negócio, bom produto, atendimento cuidadoso, mas ainda assim o negócio não decolava. “Percebemos que o perfil dos moradores do bairro era incompatível com o nosso negócio. Eles eram de classe média e não valorizavam o serviço que a gente oferecia, achavam muito sofisticado”, conta Antonia. “O ponto comercial foi mal escolhido.”

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Depois de 18 meses sem retorno, o jeito foi fechar as portas. “Mas o tombo ensinou muita coisa e determinou o sucesso da nossa próxima empresa”, avalia Antonia. Em 2000, as irmãs abriram a Preta Pretinha, uma loja que vende bonecas étnicas na Vila Madalena, zona oeste. Mas antes, fizeram muita pesquisa. Com isso, descobriram, por exemplo, que as bonecas de pano fariam mais sucesso com o público A e B do que as bonecas de vinil. “As classes mais altas valorizavam mais a arte que o produto em si”, conclui Antonia. Resultado: hoje, a Preta Pretinha vende cerca de 2mil bonecas por mês, que custam a partir de R$ 10, e tem clientes como USP e Sesc.

Não estudar o perfil do cliente é uma falha grave de planejamento, que tem grandes chances de resultar no fechamento da empresa ¬– como aconteceu com a cafeteria das irmãs Venâncio.  Além do planejamento, há outros quatro pontos estratégicos na empresa que, se forem mal avaliados, também podem levar o negócio a fechar as portas. São eles: sociedade, capital inicial, foco e gestão.

A sociedade é um dos principais focos de problemas. Para juntar capital inicial, pode ser necessário reunir muitos sócios. Mas o erro é esquecer de avaliar se os perfis empresariais são complementares, o que facilita a gestão compartilhada do negócio. Por isso, o ideal é estabelecer de cara as funções que cada sócio vai exercer na empresa, bem como a remuneração de cada um. Definir as regras depois que o jogo começou não funciona.

E começar a jogar sem dinheiro em caixa também não dá certo. Muitos empresários acreditam que basta juntar recursos suficientes para abrir as portas e começar a faturar. Puro engano. É preciso calcular o tempo de retorno do investimento e se sustentar com recursos próprios até que a empresa dê lucro. Misturar as contas de pessoa física e jurídica é uma prática que certamente complicará as finanças do negócio.

Outro erro comum – e grave – é tentar abraçar todas as oportunidades que aparecem. A empresa sem foco gasta dinheiro e energia em negócios que não trarão resultados e acaba sem tempo para investir no que realmente importa. Por isso, é tão importante ter uma gestão profissional, que saberá definir prioridades. Os negócios que são geridos por pessoas com conhecimento em Administração e Finanças têm um melhor aproveitamento de recursos e mais chances de crescer. 

“O empresário deve se preparar bastante e se dedicar muito ao planejamento da empresa”, ensina Simões, da Endeavor. “Assim ele deixará de cometer muitos erros.”

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