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Drosophyla, 30 anos de more is more

Você sabe quantas empresas no Brasil tem mais de 30 anos?

O Estado de S.Paulo

09 de maio de 2016 | 09h58

Para obter essa resposta, tive que entrar em contato com o Sebrae, que me enviou a resposta, que está no Cadastro Sebrae de Empresas, construído com base nas informações obtidas pela Receita Federal, em março de 2015.  Apenas 1% delas ultrapassam essa marca. 

E esse é apenas um motivo a mais para a comemorar e aprender com uma empreendedora que orquestra um dos bares mais bacanas – e tradicionais – do Brasil: o Drosophyla, que completa 30 anos no próximo dia 15 de maio.  “O Dro começou em maio de 86 numa garaginha [sem banheiro] na avenida do Contorno com rua Leopoldina, em Belo Horizonte. Já de início, foi um sucesso. Pequeno, dentro do que podia oferecer, mas já mostrando novidades!”, conta a entusiasmada Lilian Malta Varella, corpo, alma, cérebro e músculos desse negócio. Um ano depois, o bar se muda para um apartamento, onde virou um bar dançante com apresentações de música e teatro. 

Quando se mudou para São Paulo, em 1997, o bar mais uma vez se transformou e inovou. “O Drosophyla sempre teve que se mudar de lugares. Por diferentes motivos (às vezes forçado por preço de aluguel ou por proprietários pedirem a casa, sempre MUDAMOS. E CADA MUDANÇA TROUXE NOVIDADE.  Trouxemos para São Paulo um novo estilo, a sala dentro do bar, uma atmosfera que não havia por aqui” explica Lilly.  Ao chegar à Rua Pedro Taques, onde ficou por treze anos, não havia nenhum tipo de bar na área e foi o Dro ‘’desbravador’’: o 1º bar que fez acontecer o boom que virou a região do baixo Augusta. Após o Dro, veio o Fun House e depois o Vegas... Mas a especulação imobiliária fez com que em 2014 os ventos da mudança soprassem novamente. E a casa da Pedro Taques precisou ser entregue.

“A nova casa Drosophyla, inaugurada em seis de janeiro de 2015, apareceu na minha vida através do trabalho de ´scout´ feito pelo meu marido, o Tom Dwyer” diz Lilly, que explica que ele, pesquisador e professor da Unicamp, saía disciplinadamente pelas ruas vendo todas as possibilidades por toda SP. “Até que um dia o Tom me levou a esta casa. Quando entramos, eu apertei forte no braço dele e disse baixinho: é aqui! É essa a casa que eu quero!! Aqui vai ser o novo bar!”. E nesta casa de 1920, tombada pelo patrimônio histórico,  que esteve fechada por 20 anos, nasceu atual conceito do bar:  Drosophyla Madame Lili. “Foram quase doze meses entre restauros e obras...Todos os dias ficava lá dentro pensando como seria  o CONCEITO desse novo bar .Assim, passando dias e noites na casa foi nascendo a chinesa Lili Wong, personagem que veio pro Brasil em 1920 indo direto morar nessa casa com seu marido, o alemão Hans Senenfelder. Lili era poetisa e também adorava pintar. Além dos saraus, ela também promovia bailes inesquecíveis no casarão, que incendiavam a cidade!” conta a empresária.  A casa, em estilo ‘’Cottage’’ com influência germânica [segundo o Conpresp] foi ganhado ares déco com a mescla da coleção pessoal de memorabília chinesa e com peças antiques adquiridas nas andanças pelo mundo. “Acho que nasci ‘’Globetrotter’’!!! Sempre gostei de viajar e minha paixão sempre foi colecionar coisas. Imagina a mistura bombástica: viajar e colecionar. Por isso no bar tem muitas e muitas peças de todas as partes do universo.”

Pergunto sobre qual o segredo da longevidade do negócio. Afinal, se já é difícil termos empresas com 30 anos, isso é ainda mais raro em se tratando de bares, que normalmente tem tempo de vida ainda mais curto. Lili responde que são vários, mas tudo começa com a garra – “sem objetivo bem definido, nada prospera! Muito trabalho, persistência e cultivar o maior patrimônio: a alma do negócio. “Não se pode inovar totalmente matando aquela ´isca’ que é o DNA do lugar. Tem que ser tudo dosado com parcimônia! BAR COM ALMA…as pessoas sempre comentam isso que o bar tem alma. Você consegue perceber perfeitamente quando um lugar tem alma e quando ele é frio. Tenho sempre a ALMA do bar comigo, que é a isca!” explica ela, lembrando um aprendizado que não lhe sai da cabeça, que é o fato da irlandesa Guinness preservar até hoje a “isca” original de fermentação da cerveja. “Você tem de mudar,  inovar, atualizar, mas sem perder a isca” ensina Lilly. Ela exemplifica que o cardápio do “novo” Dro mescla clássicos com novidades como os drinks restaurativos e as ‘’cocas’’ receita espanhola que consiste numa massa feita a base de cerveja (lembra uma massa de pizza). 

Com 30 anos e “corpinho de 18”, o Drosophyla continua inventando e inovando, para continuar sendo a casa preferida de famosos como Jum Nakao, Ronaldo Fraga, Fernanda Takai, Denise Stoklos e dos mais de 500 clientes que se divertem por lá toda a semana. A mais recente onda são os “bailes”, que animaram o carnaval e agora estão aquecendo o inverno: “bailes da Madame” (o próximo é dia 25 de maio).  E muitas outras novidades que você pode acompanhar aqui. “Tem aquele ditado que fala: ´less is more’. No meu caso, MORE IS MORE ! Sou mineira, sou barroca, gosto do muito. Enquanto tiver combustível, quero levar essa bar até a última gota!” promete Lilly! Que assim seja!

Marcelo Pimenta (menta90) é jornalista, professor da Pós-Graduação da ESPM, fundador do Laboratorium e criador do site www.mentalidades.com.br. E frequentador apaixonado do Drosophyla.

 

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