Tiago Queiroz/Estadão
Tiago Queiroz/Estadão

As agências especializadas em unir casais ainda funcionam mesmo com toda a tecnologia

Agência de matrimônio hoje precisa usar muita criatividade para se manter relevante, mas há mercado no País

Mônica Reolom,

28 de agosto de 2013 | 12h00

“As pessoas veem necessidade de encontrar um companheiro, um parceiro, e isso faz parte do ser humano.” A frase é de Marcelo Nakagawa, professor de empreendedorismo do Insper e, embora não precisássemos de um especialista para concluir isso, a sentença ajuda a entender por que o mercado de agências de casamento, aquelas com o objetivo de aproximar pessoas com perfis e interesses semelhantes, continua lucrativo e bem-sucedido.

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A Agência Par, por exemplo, existe há mais de 15 anos na cidade de Marília, em São Paulo. A empresa é coordenada por um casal – enquanto Roseli Sanches Carvalho, de 53 anos, lida com as candidatas mulheres, seu marido André entrevista apenas os homens.

Funciona assim: a pessoa, interessada em um relacionamento sério, deve se inscrever no site da agência. A ficha a ser preenchida pelo candidato inclui, entre outros itens, gostos, estilo de vida, local onde mora, profissão, defeitos que não aceitaria e qualidades que faz questão que o pretendente tenha. “Aí nós analisamos se vai ser fácil, difícil ou impossível encontrar alguém”, afirma Roseli.

Dependendo do caso, os valores do contrato para encontrar a alma gêmea variam entre R$ 1 mil e R$ 5 mil por ano. Fica a critério dos diretores da empresa a definição sobre quem será apresentado a quem – e eles sugerem que o primeiro encontro aconteça em um restaurante.

“Depois, sempre ligamos para perguntar como foi”, diz a empreendedora. A empresa tem atualmente cerca de 1,8 mil clientes cadastrados no banco de dados. “O bebê mais velho da gente já me passou na altura”, afirma Roseli, orgulhosa dos casais que ajudou a formar em tanto tempo de atividade.

“Em mercados que são maduros, enquanto houver a necessidade por parte do consumidor, vai continuar havendo demanda e a possibilidade de negócio”, afirma Nakagawa. “O que muda são as necessidades, que vão se alterando com o tempo.”

Uma sugestão do professor do Insper é o empresário investir em alternativas para incrementar o negócio, como buscar parcerias com restaurantes. “Você continua oferecendo aquele produto ou serviço, mas eventualmente pode ganhar dinheiro de outras formas.”

Uma das saídas criativas encontradas pela psicóloga Eliete Amélia de Medeiros, de 48 anos, foi criar a função de Heart Hunter. O nome, patenteado, é exclusivo da agência Eclipse Love, criada por Eliete em 2011, e focada em executivos.

O serviço de ‘caça de corações’ atua dessa forma: o homem, por exemplo, informa a empreendedora que gostaria de conhecer uma mulher com determinada altura, bastante magra e com mais de 40 anos – um pedido muito específico.

“Eu nem sempre tenho os perfis solicitados no meu cadastro”, ressalta, porém, a psicóloga. E o que ela faz então? Vai à caça. Procura o perfil em locais da cidade e aborda as pessoas que acha que se encaixam. Para auxiliá-la, Eliete tem olheiros espalhados em pontos estratégicos, como cabeleireiros, que recebem até uma quantia em dinheiro se ajudarem a chegar no objetivo final. E será que o serviço realmente funciona? “Tenho muitos casais que se conheceram assim”, garante.

O serviço, no entanto, não é para qualquer um: o contrato por 18 meses custa R$ 14 mil. O serviço de matchmaker tradicional, ou seja, o de cruzamento de perfis entre pessoas da mesma empresa, custa R$ 3,8 mil por 12 meses. No total, a Eclipse Love conta hoje com 2,5 mil clientes.

Custos. Mas será que trata-se de um mercado rentável? Uma conta simples mostra que uma agência de matrimônio que cobre R$ 3 mil, por 12 meses, e que tenha 2 mil candidatos inscritos, atinge um faturamento médio de R$ 6 milhões por ano.

Essas empresas têm poucos custos operacionais, afinal, geralmente terceirizam a checagem dos dados. Dessa forma, o faturamento tende a ser bastante razoável, explica Nakagawa. “O custo maior é o de propaganda.” Mas o empenho no trabalho é grande. “Há que combinar necessidades e expectativas. Vai do empreendedor conseguir tirar isso do entrevistado. Mais que um banco de dados, para ter sucesso é preciso combinar comportamentos e expectativas”, conclui.

Não vale falar de sexo durante o primeiro encontro

De acordo com a percepção de Eliete de Medeiros, atual administradora da Eclipse Love, o perfil de quem busca uma agência de matrimônio mudou nos últimos cinco anos. A faixa etária, por exemplo, caiu de 35 anos para 20 anos.

“Os de 20 anos têm as mesmas dificuldades que os de 35 para encontrar alguém que queira um relacionamento sério.” Na Angel Matchmaker, os candidatos têm em média 28 anos. “Mas tem um de 58 anos que está muito bem”, exalta o diretor da empresa, Agnaldo Silva.

Os consumidores são, na maioria das vezes, profissionais liberais como engenheiros, advogados e comerciantes. Mas não é só a idade e a profissão que importam na hora da conquista. A Agência Par costuma fazer pesquisas para identificar os critérios adotados por homens e mulheres no primeiro encontro. O homem, por exemplo, procura alguém que seja sincera e bonita e a mulher um par inteligente e sincero. Enquanto a maioria dos homens prefere conversar sobre o casal, as mulheres gostariam de ouvir só sobre ele. Entre os assuntos proibidos, os dois, entretanto, sempre concordam: sexo.

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