Petras Petraitis|EyeEm
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Aprendendo a ser gente grande

Faixa de preço reúne as empresas grandes e boas aspirantes ao posto

Estadão PME

15 de junho de 2016 | 07h00

Um dos maiores especialistas do mercado de franchising no Brasil, Marcus Rizzo, consultor da área há mais de 20 anos, diz que é preciso tomar muito cuidado antes de comprar uma franquia. E isso vale para qualquer montante de investimento. Rizzo afirma, por exemplo, que alguns modismos devem ser evitados. “Nunca ir atrás de franquia só porque ela virou um nicho da vez ou é uma novidade, porque tem uma marca conhecida e, principalmente, porque cabe no bolso do empreendedor”, afirma o especialista.

Apesar de apresentar uma taxa de mortalidade menor do que a registradas em empresas de pequeno porte de maneira geral, o setor de franquias em faixas intermediárias – como entre R$ 100 e R$ 200 mil – também é afetado com as oscilaçõeseconômicas. E quem mais sofre são as unidades que estão nas mãos de pessoas que não tinham muitas informações antes de começarem o negócio. “Não posso abrir uma pizzaria só porque gosto de pizza. Tenho que me identificar e ter afinidade com esse produto como negócio, tenho de conhecê-lo como gestor.”

Para essa faixa etária de investimento, o mercado oferece negócios diversos que vão desde produtos de beleza, oferta de serviços de educação, passando por lojas de roupas e calçados. Em alguns casos, marcas que oferecem também unidades com valores mais altos têm modelos menores a fim de atender a pessoa que também dispõe de uma quantia inferior, mas deseja um negócio daquela marca ou naquele segmento específico. 

É o caso da rede de idiomas CNA (leia mais sobre a empresa na página ao lado). A marca tem unidades que custam R$ 400 mil e outras mais ‘modestas’, no total de R$ 125 mil. Do ponto de vista do dono da marca, do empresário que oferece a franquia, Marcus Rizzo explica que uma das coisas mais importantes é ter adquirido anteriormente vasta experiência no mercado. “O que o franqueado tem que cobrar da empresa é experiência, porque se não precisasse dela ele abriria sozinho seu negócio”, diz.

Mesmo fazendo diversos alertas, Rizzo acredita que o mercado de franchising evoluiu muito na última década, se tornando mais sólido. “É tão sensacional que é como se você, antes de casar com sua mulher, pudesse falar com seus ex-maridos para de fato saber se vale a pena casar ou não”, finalizou.

Redes olham para dentro de casa

“Há momentos que os ventos sopram mais forte e noutros, como agora, em que os ventos são mais moderados. Aí é o momento de repensarmos os nossos negócios”, filosofa Décio Pecin, presidente da rede de idiomas CNA, para explicar as mudanças que a empresa opera desde 2014, quando a economia começou a se retrair.

Aliada à crise, o setor de educação, especificamente o de idiomas, vem sofrendo com as transformações tecnológicas que imprimiram outras maneiras de ensinar. “A gente está experimentando novas tecnologias para auxiliar e melhorar nossos instrumentos de ensino”, analisa Pecin.

A CNA idiomas iniciou como marca própria no Brasil em 1973 e dez anos depois abriu as primeiras franquias da marca. Hoje são dois modelos, um de pequeno porte que vai até R$ 125 mil (4 salas de aula) e a de grande porte que chega a custar R$ 400 mil. Em média, o investimento de uma franquia CNA gira em torno de R$ 250 mil a R$ 300 mil. 

Décio Pecin, mesmo com a crise e a necessidade de pisar no freio, acredita que os negócios de franchising da empresa vão se fortalecer porque agora terão que olhar para os processos internos. “Não vamos ter um crescimento rigoroso como o que tivemos entre 2010 e 2013; isso nos obrigou a olhar para os processos internos, a manutenção dos franqueados, dando atendimento diferenciado e aumento da base de alunos”.

Nesses mais de 30 anos de atuação no setor de franchising, a empresa, segundo Pecin, teve baixa taxa de mortalidade, por volta de 1%. Outro número significativo no setor em que atua é a presença expressiva da rede, que hoje tem 591 escolas operando – até o final do ano serão 600 unidades.

“Uma marca como a nossa, que tem quase 600 escolas, tem que assumir o papel de protagonismo dentro do franchising no Brasil, servir como modelo de gestão, pois das 3.073 marcas de franquia existentes no mercado, apenas 1% tem mais de 500 unidades”, explica.

Diferente. Assim como a CNA, a marca Supera – Ginástica para o Cérebro, que atua no segmento de educação cognitiva, tem duas faixas de investimento: uma para microfranqueadores e outro modelo que custa até R$ 180 mil. 

De acordo com o presidente da companhia, Antônio Carlos Perpétuo, a marca está crescendo. “Nossa área de negócio está passando bem incólume pela crise. Estamos conseguindo fechar esse primeiro semestre, em comparação com o mesmo período de 2015, em média, com faturamento 36% superior”, comemora o empreendedor, que também é o fundador da marca.

História. A empresa foi criada em 2006, quando o filho de Perpétuo teve problemas na escola e a família precisou consultar diversos especialistas até experimentar o ábaco, um antigo instrumento de cálculo usado como terapia. Ao replicar um meio diferente de aprendizado – a educação cognitiva –, a marca chegou a 160 unidades em todo o País e espera fechar o ano com 280.

O setor de educação cognitiva é novo e pouco explorado no Brasil – a Supera, por exemplo, não tem grandes concorrentes diretos. “Pouquíssimas empresas atuam nessa subdivisão da educação. Não temos praticamente nenhum concorrente. Com o envelhecimento da população nas próximas décadas, estamos estimando que vamos dobrar e até triplicar de tamanho até 2050, já que parte da nossa clientela vem desse faixa de idade”, afirmou o idealizador do negócio, que estará na feira de franquia da ABF. 

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