André Conti/AE
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Aprenda a montar diferentes planos de negócios para sua empresa

Ter planos alternativos ajuda empresa a se preparar para mudanças repentinas no mercado

Lígia Aguilhar, Estadão PME,

12 de agosto de 2011 | 19h48

O empresário que se empolgou com o aumento do poder aquisitivo dos brasileiros e com o crescimento econômico do ano passado, mas não ficou atento às previsões do mercado, pode ter sido pego de surpresa pelos efeitos da alta inflação neste ano. É por mudanças como essas que ter um plano B – e também C, D, E... – é essencial para evitar prejuízos, redução do crescimento, mudanças bruscas na administração e a tomada de decisões precipitadas em uma empresa.

 

Para elaborar esses planos de negócio alternativos, o empreendedor deve acompanhar as projeções econômicas e o movimento do mercado no qual atua. “É com base nessas variáveis que se criam diferentes cenários para uma empresa”, diz o professor do Insper, Marcos Hashimoto. Uma revenda de automóveis, por exemplo, tem sua estratégia afetada se o governo reduz o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). Quando isso acontece, o empreendedor que já possui diferentes projeções para o caso de aumento ou redução desse índice, sai na frente e consegue tomar decisões mais rápidas e acertadas.

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 Para não se perder em meio a tantos indicadores ou entre milhares de projeções distintas, a recomendação é que o empresário avalie quais são os índices econômicos e os fatores que mais impactam na empresa. “Se o empreendedor elaborar muitos cenários, corre o risco de não acreditar no seu plano original”, explica o sócio da consultoria Empreende, Eduardo Vilas Boas. “O ideal é escolher as premissas mais significativas e, a partir delas, traçar duas perspectivas otimistas e duas pessimistas”, sugere.

 

A forma mais fácil de fazer projeções distintas é por meio de uma planilha de Excel. Em uma das abas, o empreendedor insere os cálculos de receitas, despesas e custos de acordo com seu plano original, além de um gráfico mostrando a evolução dos resultados ao longo do tempo ¬– o ideal é que a projeção contemple um intervalo de cinco anos, que pode cair para três nos setores mais dinâmicos, como o de tecnologia. Nas outras abas, os cálculos e gráficos devem ser ajustados de acordo com as mudanças de variáveis.  A cada três ou seis meses esse plano deve ser revisto.  “É uma forma de avaliar se os resultados estão dentro das expectativas”, diz Villas Boas.

 

É importante lembrar também que a mudança de qualquer variável não impacta somente o negócio, mas em toda a cadeia produtiva. Logo, o plano também deve contemplar esse tipo de desdobramento. “Se uma indústria vende menos, produz menos. E se produz menos, a máquina fica ociosa durante algum tempo, um custo fixo que o empresário não consegue modificar”, exemplifica Hashimoto.

Cinco passos para criar planos de negócios alternativos

 

1 – Descubra quais as variáveis que podem influenciar o seu negócio

A redução do dólar pode trazer prejuízos para uma exportadora. O surgimento de um novo concorrente muda os resultados de uma empresa que antes era dominava um nicho de mercado. Uma nova lei pode aumentar ou reduzir os custos de uma empresa. Estar atento às mudanças do mercado e identificar quais os índices econômicos que mais influenciam o seu tipo de negócio, ajuda o empreendedor a prever oscilações que possam ocorrer nos próximos anos, criando cenários alternativos ao seu plano de negócios. Com essas projeções, é possível saber se os custos, receitas e despesas da empresa podem aumentar ou diminuir de acordo com cada mudança e se preparar com antecedência para eventuais oscilações do mercado.

2 – Coloque no papel

Crie uma planilha no Excel com uma projeção do seu fluxo de caixa dentro do cenário atual. A planilha deve conter uma estimativa das entradas, saídas e do lucro da empresa em um período de até cinco anos. Em outras abas, o empreendedor deve ajustar essas dados considerando uma possível mudança para melhor ou pior de algum fator que tenha impacto em seu negócio, como, por exemplo, a redução do lucro por causa de uma mudança tributária. A partir dessas projeções, o empreendedor pode ainda criar um gráfico que o ajude a visualizar melhor o desempenho da empresa de acordo com cada variável.

 

3 – Pense em desdobramentos.

O impacto da mudança de um indicador econômico vai além do aumento ou redução das receitas. Após prever cada cenário, o empreendedor deve analisar também que outros impactos a mudança do fluxo de caixa pode trazer para o seu estabelecimento. “Se uma indústria vende menos, produz menos. E se produz menos, a máquina fica ociosa durante algum tempo, um custo fixo que o empresário não consegue modificar”, exemplifica o professor Marcos Hashimoto, do Insper.  Pensar em como lidar com esse impacto pode ajudar o empreendedor a sair na frente e adotar uma estratégia mais acertada caso a projeção se concretize.

 

4 – Acompanhe o desempenho do mercado.

Ler publicações e notícias do setor de atuação da sua empresa e do setor para o qual vende, conversar com concorrentes, associações de classe e fornecedores, ajuda o empreendedor a entender melhor a realidade do mercado e  a conhecer as projeções para seu setor nos próximos meses e anos. Da mesma forma, ele consegue se informar sobre mudanças na legislação às quais ele tenha que se adaptar.

 

5 – Revise seus planos

A cada três ou seis meses o empreendedor deve rever o seu plano de negócios. Além de conferir se os resultados da empresa estão dentro do projetado, é possível fazer modificações considerando novas variáveis que tenham surgido nesse intervalo de tempo. “Há cinco anos atrás, a maioria das pessoas não estimaria um crescimento econômico como o que tivemos no ano passado”, exemplifica Eduardo Vilas Boas, da consultoria Empreende.

 

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