Apostar na qualidade é o caminho

Marca consolidada no setor vê indícios de novas quedas

Entrevista com

André Farber, vice-presidente do Boticário

Estadão PME, O Estado de S.Paulo

15 de junho de 2016 | 07h00

Nem o chamado ‘efeito batom’, fenômeno que em teoria faz as pessoas gastarem mais com cuidados pessoais em períodos de retração, resistiu à crise. No ano passado, pela primeira vez em 23 anos, a indústria da beleza apresentou queda em volume de vendas e grandes redes, como o Grupo Boticário, sentiram os efeitos do aperto. Ainda assim, a marca conseguiu aumentar 8,8% das vendas em 2015, desempenho aquém do crescimento de dois dígitos registrado em tempos de bonança. O vice-presidente de Negócios e Franquias do Grupo Boticário, André Farber, comenta os resultados. 

Diante do cenário econômico, qual é a perspectiva do Boticário para 2016? 

Acreditamos que o mercado vai cair de novo e temos algumas evidências disso. A crise tem afetado o bolso das pessoas e a negatividade traz muito baixo astral. Isso afeta o desejo de consumo. Apesar disso, estamos sustentando o crescimento na faixa de um dígito e temos conseguido nos superar fazendo o que a gente sempre fez na vida, que é continuar investindo, desenvolvendo produtos de qualidade reconhecida. Não cortamos isso e continuamos investindo em busca de mais eficiência para o nosso negócio. 

De que forma a rede resguarda os franqueados na retração?

Nosso franqueado médio tem 25 anos de casa e temos poucos novos. Com a crise, as taxas de crescimento, que eram muito altas, diminuíram. Como franqueadores, estamos pensando muito no que podemos controlar de custos, que são custos em informática, de embalagens e outros serviços que têm na loja. Existe na rede uma visão de longo prazo e de parceria. Não estamos olhando para o ganho de agora ou para o ganho de amanhã. Olhamos para daqui a dez anos e para a saúde do franqueado. Por isso temos também lojas próprias, pois a melhor forma de entender do negócio é estando com o pé na água, sofrendo da mesma dor.

Para vocês, o que é preciso para que o País retome o consumo e volte a crescer? 

A demanda está menos aquecida, o consumo está frio. A inflação está alta. Tem várias pressões que chegam de cima e por baixo e que estão tornando qualquer negócio de varejo mais complexo no momento. Se o empresário tiver mais confiança, vai investir mais e vai gerar mais emprego, se o consumidor tiver mais confiança ele vai ter menos medo de gastar. É bem a teoria econômica mais pura. O sistema precisa funcionar e agora o sistema está abalado.

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