Aposta em nicho é a saída para ganhar espaço no mercado de animais de estimação no País

Aposta em nicho é a saída para ganhar espaço no mercado de animais de estimação no País

Cachorros e gatos não são as únicas fontes de renda para o empresário do segmento. É possível até importar peixes

Renato Jakitas, Estadão PME,

26 de setembro de 2012 | 06h31

 A aposta em nichos é por tradição uma saída para sobreviver em segmentos competitivos da economia. E com 60 mil petshops funcionando no Brasil – a metade deles em São Paulo –, não é de se entranhar que negócios segmentados comecem a ganhar cada vez mais destaque.

Em geral, são empresas que focam em clientes de alto poder aquisitivo ou incrementam seu catálogo de produtos e serviços a fim de atender donos de espécimes silvestres e peixes.

Rochester Oliveira e Claudio Gornati mantêm há oito anos na cidade de Embu das Artes, em São Paulo, a empresa Salatino. O local especializou-se em cachorros de raças raras, como papillon e saluki, com clientela cativa em estados do Norte e Nordeste – o negócio também atua em países como Canadá e Estados Unidos. “Uma fêmea de papillon pode custar R$ 5,5 mil e é muito procurada”, destaca Rochester.

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Como os custos para manter uma criação são altos e as ninhadas não tão frequentes, as margens de lucro líquido com as vendas dos animais são, segundo Rochester, irrisórias.

No entanto, a dupla de sócios faz bom uso do relacionamento que desenvolveram com donos de pets e marcas de produtos do setor para encampar ações e lançar serviços paralelos.

“Nosso principal negócio, hoje em dia, é o hotel para cachorros. É algo que tem surpreendido positivamente”, afirma.

Com capacidade para 40 animais, o hotel do Salatino foca sua atuação na classe A de São Paulo. Os próprios donos buscam e levam de volta os animais nas casas dos clientes e, uma vez hospedados, os cachorros participam de sessões de massagem relaxante e recebem até banhos de piscina.

Pelos mimos, os donos endinheirados chegam a desembolsam R$ 1 mil por semana. “O hotel fica lotado durante feriados e nos períodos de férias. Quem tem um cachorro, gosta de gastar com ele. E gosta de dizer que gasta com ele”, conta.

Diversidade. Mas não apenas de cachorros e gatos sobrevive o mercado de animais de estimação. Na verdade, há quem garanta que existe espaço, procura e dinheiro para o empreendedor que planeja atuar com bichos menos convencionais.

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Exportações do segmento estão bem

Existem aproximadamente 50 milhões de pets no Brasil, o equivalente a um bichinho de estimação para cada quatro brasileiros. Desses, 59% são cachorros e outros 20%, gatos, segundo dados coletados pela consultoria Gouvêa de Souza.

De acordo com Sergio Lobato, especialista em gestão e marketing na área, a fatia restante desses animais no Brasil (21%) pode ser, sobretudo, lucrativa para os empreendedores.

“Eu destaco principalmente o aquarismo. Os animais silvestres são ótimos, mas esse negócio é complicado em virtude da legislação ambiental brasileira. A certificação para uma loja abrir as portas pode demorar até três anos. Agora, os peixes, são mais fáceis do ponto de vista legal e geram margens excelentes”, afirma o especialista.

Daniela Motta, dona da Aqualife, que o diga. Foi justamente a rentabilidade do setor que a fez inaugurar há quatro meses uma importadora. Como dona de um petshop, ela conta que enfrentava dificuldades para encontrar peixes no mercado. Com poucas importadoras, as encomendas demoravam para chegar e o preço tornava-se alto.

A empresária, então, investiu R$ 80 mil para iniciar uma operação dedicada a trazer espécies de água salgada, principalmente da Ásia e dos Estados Unidos.

Daniela já está no sétimo lote de compras, que chega ao País com 1,2 mil a 1,5 mil peixes cada. “Como a lei não nos permite pegar esses peixes em nosso litoral, temos de importar. Mas é muito bom negócio, com margens líquidas de até 80%.” O problema do setor, segundo a empresária, diz respeito ao índice de perda no transporte, que consome parte do lucro do negócio.

“De 1,2 mil peixes comprados, podem morrer 200 ou 300. Isso se não tiver nenhuma greve que atrapalhe a liberação. Nesta greve da Polícia Federal, perdi um lote quase inteiro.”

 

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