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Após placar histórico, editora que deu 10% de desconto por gol alemão diz que ficou no lucro

Empresa vendeu mais de 2 mil livros após o jogo Brasil e Alemanha e esgotou o estoque

Gisele Tamamar, Estadão PME,

10 de julho de 2014 | 07h04

A editora paulista Lote 42 prometeu 10% de desconto a cada gol que o Brasil sofresse nos jogos da Copa do Mundo. Resultado: os clientes tiveram um desconto de 70% nas obras após a goleada histórica de 7 a 1 contra a Alemanha. Em alguns livros, a empresa registrou prejuízo, em outros deu empate. Mas um dos proprietários da editora, João Varella, acredita que ficou no lucro mesmo assim. "O retorno de divulgação e marca está sendo inestimável. Se colocar no papel quanto eu teria que gastar para ter essa divulgação toda. Nossa! É um baita lucro. É um bilhete premiado. Estou que nem o cara que fez o bolão e acertou o 7 a 1", afirma.

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A promoção foi válida em todos os jogos do Brasil na Copa do Mundo. Nas disputas anteriores, quando as vendas iam bem, a editora chegava a vender cinco, dez livros por dia. No dia da semifinal, as vendas saltaram para mais de 2 mil exemplares, esgotando todo o estoque.

A ideia da promoção foi do próprio dono. Gremista, ele costuma apostar contra seu time em brincadeiras com amigos. "Se o Grêmio ganha eu fico feliz e se o Grêmio perde eu tenho um motivo para não ficar tão triste. Eu propus de fazer uma coisa similar na Lote 42 e deu no que deu", conta Varella.

A editora tem no catálogo seis obras e trabalha com uma tiragem média de 1,5 mil exemplares. Mas alguns títulos foram lançados no ano passado e não restavam tantos exemplares. Com o desconto, o livro "Seu Azul", por exemplo, caiu de R$ 42,90 para R$ 12,87. Já o preço do "Indiscotíveis" caiu de R$ 49,90 para R$ 14,97.

A repercussão foi tanta que em menos de 24 horas a fanpage da editora no Facebook ganhou mais de 30 mil ‘curtidas’, registrando um alcance de 2,5 milhões de pessoas. "O fato tomou uma proporção muito grande e acaba atingindo um público que é fora do nosso nicho, que não sabe o que é uma editora independente, não sabe a diferença entre editora e livraria. Mas isso está ajudando e gerando uma discussão proveitosa sobre o que é o mercado editorial", conta Varella.

Depois de uma brincadeira no Twitter, muitas pessoas acharam que a editora tinha demitido o diretor de marketing. "Alguém no Twitter colocou: 'má ideia'. Entramos na brincadeira e colocamos que nosso diretor de marketing tinha sido demitido. Mas é mentira. Nem temos diretor de marketing. Mas teve um pessoal dizendo que queria contratar o diretor, gente mandando currículo", diz Varella.

Início. Os jornalistas João Varella e Thiago Blumenthal sempre gostaram muito de livros e tinham a ideia de criar uma editora. "A discussão era: tem tanta coisa legal no mundo editorial que ninguém faz, por que a gente não tenta fazer?", conta Varella.

Até que um dia a dupla resolveu colocar a ideia em prática e o primeiro livro "Já matei por menos" foi lançado em março do ano passado. O investimento inicial foi o fundo de garantia recebido quando Varella saiu de um antigo emprego. "Eu tinha energia para bancar três livros. Mas o segundo livro exigiu um processo gráfico mais custoso. Se não desse certo, íamos ficar só nos dois primeiros livros. Felizmente deu certo", diz Varella. 

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