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Após gravidez, executiva deixa emprego e investe tudo em negócio para mamães

Mãe de três filhos, Mariane Tichauer sentiu na pele a carência de acessórios inovadores para gestantes e bebês e lançou empresa para garimpar novidades no exterior

Renato Jakitas - Estadão PME,

08 de maio de 2012 | 09h16

Pouco tempo atrás, Mariane Tichauer tinha o que considerava uma vida sob controle. Sua rotina seguia organizada em torno do casamento e da carreira de executiva de telecomunicações - que ocupava parte considerável de sua agenda com reuniões e viagens de negócio. Em 2006, no entanto, isso começou a mudar. Mariane descobriu a primeira de uma série de três gestações consecutivas e percebeu  que tinha um ritmo de vida incompatível com a demanda da criançada.

Ela ficou insegura e, por sorte, resolveu tomar um café com uma amiga em um dia de inspiração. Entre um gole e outro, falaram de moda, de filhos e até de negócios. Depois, juntaram todos os assuntos e acrescentaram uma pitada de empreendedorismo. Pronto, nascia assim a Itté, importadora e distribuidora de produtos para gestantes, bebês e crianças. A empresa procura pelo mundo lançamentos inovadores para vender com exclusividade no Brasil.

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“A maternidade mudou totalmente minha vida. Eu precisava viajar menos, tinha de ter mais tempo durante o dia para as crianças e, ao mesmo tempo encontrar, uma atividade compatível com tudo isso. Além disso, tomei contato com um mundo novo. Passei a observar a carência de um mercado que não conhecia”, diz Mariane, que entre o pedido de demissão na multinacional em que trabalhava e o início da atividade como empresária atuou como consultora para empresas estrangeiras.

“Nesse meio tempo, como consultora, sentia na pele o quanto era difícil encontrar roupas e produtos adequados a uma mãe urbana. Era tudo muito infantilizado e a mulher ficava horrível. Por exemplo, eu me arrumava toda para sair com o filho, mas a bolsa para levar a mamadeira e as fraldas, além de enorme, era de plástico, rosa e com o desenho do Mickey Mouse estampado. Só faltava a anteninha na cabeça para parecer um personagem de Walt Disney”, conta Mariane.

Praticidade. O ponto de partida para o empreendimento de Mariane, portanto, foi fechar parcerias com fabricantes que rompessem com essa lógica de infantilização e falta de praticidade. A empresária começou a garimpar em feiras internacionais, lojas, amigos e até pela internet todos os lançamentos para o mercado de gestantes e de bebês.

Dessa forma, tudo o que apresenta algum tipo de diferenciação em design e em funcionalidade chamava e continua a chamar a atenção de Mariane. “O produto de minha empresa precisa ser moderno, prático e bonito. Era sobre isso que conversava no café com minha amiga quando nasceu a empresa. Observamos, naquele momento, que existia e continua a existir uma forte demanda por esse tipo de produto no Brasil”, diz.

Mudanças. Com o apoio de uma sócia, o investimento inicial do negócio foi baixo: R$ 60 mil. O dinheiro foi o suficiente para adquirir os primeiros lotes dos produtos, fechar alguns contratos com fabricantes estrangeiros e começar a experimentar a aceitação de cada item no varejo.

No início, Mariane alimentava um formato híbrido de comercialização. Além de distribuir os produtos para pontos de venda, também mantinha uma loja virtual com foco no consumidor final. A estratégia, observa a empresária, foi positiva para conhecer o mercado, mas também corroborou para emperrar a expansão dos negócios, no sentido em que dividia a atenção da empresa com canais bastantes distintos.

A solução para o problema viria com a ruptura da sociedade em meados de 2011. “Foi uma separação feliz. Minha sócia queria trabalhar no varejo e eu focar na importação e na distribuição. Decidimos romper. Ela está feliz e crescendo com o site e eu com a importadora. De seis meses para cá, quando passei a atuar sozinha, expandi o número de pontos de venda de 20 para 120", afirma Mariane. Atualmente, a Itté distribui para todo o Brasil, com lojas parceiras nas regiões Sul, Sudeste,Centro-Oeste e Nordeste.

Perto de casa. Do lançamento até hoje, todo o faturamento da Itté é reaplicado no próprio negócio. “Nunca tirei um Pro Labore sequer”, afirma a empresária. Foi com essa gestão de austeridade dos recursos que o negócio saiu de dentro da casa de Mariane e passou a operar em uma sede no bairro do Morumbi, na Zona Sul da cidade de São Paulo. O endereço estratégicamente posicionado a oito quadras da residência da empresária e a quatro quarteirões de onde estudam as suas três filhas, Catarina, Isabela e Olívia. “No início, achei que poderia trabalhar em casa. Mas não deu. Com três meninas por perto, é impossível. Mesmo assim, nunca imaginei que iria trabalhar tão perto de minha casa quanto hoje”, diz Mariane.

Na sede também funciona a central de distribuição da Itté, que não é terceirizada. O volume de vendas, que superou o projetado para o primeiro ano em cinco meses, diz a empresária, ainda não justifica a contratação de uma distribuidora. “A distribuição ainda não é um problema. Nossa grande dificuldade atual é o financiamento. Estamos crescendo rápido, mais rápido do que nossa capacidade de investimento. Mas como somos muito novos é difícil encontrar linhas de crédito atraentes no mercado”, conta Mariane.

A opção de Mariane Tichauer para buscar dinheiro, pelo menos por enquanto, não contempla mesmo a oferta dos bancos, sejam eles públicos ou privados. A empresária planeja conseguir aportes junto a investidores, tanto os anjos - pessoas físicas que fazem aportes em novos negócios - quanto grupos que se reúnem em fundos de investimento. “Nossa ideia é dobrar de tamanho imediatamente, para ampliar o número de linhas importadas e começar a estruturar um braço para a exportação. Sei que o momento econômico é complicado. Mas está na hora de começar a estrutura também a exportação, que tem muito futuro”, conta a mamãe.

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